domingo, 16 de novembro de 2008

Escritores de quem toda a gente fala
e ninguém lê.















Teixeira de Pascoaes em entrevista concedida em 1950:

E, a propósito, ocorre-me que, numa ocasião, entrando eu num eléctrico (recordo-me bem, era da carreira da Estrela), deparo com o Fernando Pessoa, que me pergunta de chofre: “Já notou uma coisa, ó Pascoaes? Há escritores de quem toda a gente fala e ninguém lê, e outros de quem ninguém fala e toda a gente lê. E destas duas espécies, qual, em seu entender, tem mais valor?” Respondi que aqueles de quem toda a gente fala e ninguém lê, e Fernando Pessoa rematou: “Também é a minha opinião.”

Weltliteratur. Madrid, Paris, Berlim, São Petersburgo, o Mundo!
Galeria de Exposições Temporárias da Fundação Calouste Gulbenkian, de 30/09/2008 a 04/01/2009

sábado, 15 de novembro de 2008

Cavaco só aponta o dedo aos miúdos.








Mais duma semana depois dos incidentes na Assembleia Regional da Madeira, o Senhor Presidente veio finalmente falar dos desacatos. Não dos da Madeira, mas dos desacatos dos alunos do ensino secundário, que manifestam o seu desacordo com o novo Estatuto do Aluno.

Sem sequer considerar, o que será normal exigir a um grupo de adolescentes, ou a adultos investidos em funções de responsabilidade politica, concentremo-nos no essencial.

E no essencial, há uma diferença abissal entre os estudantes que atiram ovos à porta das escolas, e os deputados regionais do PSD, que directamente ou por pessoas a seu mando, usam a violência à porta da Assembleia Regional da Madeira.

Á porta das escolas está-se a exercer, apesar de nalguns casos de forma condenável, um direito legítimo, democrático, previsto na Constituição. Á porta da Assembleia Regional da Madeira, (ver aqui), está-se a cometer um acto que além de condenável em si, visa impor uma decisão que é ilegítima, anti-democrática, ilegal, e anti Constitucional.

O cidadão Aníbal Cavaco Silva, democraticamente eleito para o cargo de Presidente da Republica, jurou perante o País defender e fazer respeitar a Constituição, que destaca entre outras, a responsabilidade de assegurar o normal funcionamento das instituições democráticas.

A comparação entre as posições do Presidente da Republica nestes dois casos é chocante. Os seus critérios de intervenção politica, só ele os poderá explicar, e era bom que neste caso o fizesse.

Aos portugueses assiste o direito de apreciar a sua actuação. A nossa, como é evidente, só pode ser muito negativa. Esperamos não estar muito sós nesta posição.

Nota final: A foto à porta da escola não pretende transmitir a ideia de que todos os protestos foram ordeiros. Bem procurámos na Internet mas não encontrámos nenhuma imagem com os famosos ovos de que toda a comunicação social fala. Se tiverem alguma imagem dos desacatos, agradecemos que nos enviem, lapaed@gmail.com, para publicar neste post.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Dona Manuela ao prime-time, já:
mete polícias palhaços e patos da Justiça.













O John McCain tem o Joe Plumber, a Dr.ª Manuela Ferreira Leite arranjou a Dona Manuela. E para não a acusarem de despesista, faz ela mesma de Dona Manuela.

“Enquanto o sistema jurídico não for eficaz, o polícia está transformado num palhaço, porque prende um indivíduo e meia hora mais tarde ele está na rua”; diz o Público que a Dona Manuela disse.

A Dr.ª Manuela Ferreira Leite pode explicar à Dona Manuela que quando o PS e o PSD se põem a fazer patos(*) da Justiça, é no que dá.

Já quanto às critica que faz à comunicação social, acho que tem alguma razão: tiradas daquelas não são para ficar enterradas no 14º lugar dum qualquer alinhamento de telejornal. Mas concorrência do Sporting? Caia na real. Aqui também há uma formiga sportinguista, mas já se conformou há muito tempo.

(*) Ou será que se escreve pactos? Com o novo Acordo Ortográfico fico um pouco confuso.

Mais Dona Manuela: aqui, e aqui.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A Dona Manuela sabe, mas não diz.











A Dr.ª Manuela Ferreira Leite
já não pode ver esta Dona Manuela.


O John McCain tem o Joe Plumber, a Dr.ª Manuela Ferreira Leite arranjou a Dona Manuela. E para não a acusarem de despesista, faz ela mesma de Dona Manuela.

A Dr.ª Manuela Ferreira Leite merece simpatia. De facto, não dá para ser regedor daquela freguesia: é o Meneses, o Santana, o Coelho, o Marcelo, o PSD Madeira, e hoje, mais uma vez, a Dona Manuela.

Sim, a Dona Manuela sabe quais são os problemas do País e até tem propostas, decerto excelentes, só que não diz quais são para o Governo não as adoptar. E esclareçe: como o Governo tem feito a todas as propostas que o PSD apresenta.

Aviso: isto não é ficção. Visto e ouvido pelas formigas no telejornal das 13 da RTP.

Dá Deus nozes a quem não tem dentes. Imaginem a felicidade do PCP e do BE, se o Governo adoptasse, pelo menos algumas, das propostas que passam a vida a fazer.

Pensavam as formigas que acima do interesse partidário estava o interesse nacional, e que o importante é resolver os problemas, e não quem apresenta as propostas. Hoje fica-se a saber que para termos direito a conhecer as soluções da Dona Manuela, temos de pagar primeiro. Não há almoços grátis: ou votamos no PSD, ou não há propostas para ninguém.


Mais Dona Manuela: aqui.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O cavalo do Dom José e os míseros votos














Há por aí muita gente desorientada. Nos jornais e blogosfera, há os que se querem convencer a eles próprios que os professores estão a ser manipulados: pelo Sr. Nogueira, pelos sindicatos, pelos partidos, pelo cavalo do Dom José...

De manhã, um taxista jurava que no sábado falou com um grupo de professores que estavam convencidos que vinham numa excursão ao Cabo Espichel e que, quando a camioneta os deixou na 24 de Julho, resolveram ir dar um passeio na Baixa até ao Marquês de Pombal.


À noite, na TV, quem ouvisse falar a Ministra da Educação, ficava com a impressão de que Portugal tem para aí um milhão de professores, que estão a ser pressionados por uma minoria de 120 000. Quanto ao Primeiro-ministro, foi para uma iniciativa do PS clamar contra a partidarização da luta dos professores.

Mas o que me deixou realmente preocupado foi quando o Eng. Sócrates começou a falar dos míseros votos. Que diabo, o homem deve saber fazer contas, e os votos daquele mar de gente dar-lhe-iam certamente jeito.

Ou será que míseros votos quer dizer votos de gente miserável, de gente que não interessa a ninguém? Será que depois da avaliação dos funcionários públicos e dos professores, vem aí a avaliação dos eleitores? Com 30% de eleitores titulares, para aí outros tantos de eleitores assim assim, e 40% de míseros eleitores? Como nalguns clubes de futebol em que há sócios que têm direito a 100 votos, outros 50 e outros 10?

sábado, 8 de novembro de 2008

Deixem-nos ensinar.













Dia de manifestação dos professores. Na Livraria Sá da Costa, Chiado, Educação Cívica, de António Sérgio com prefácio de Vitorino Magalhães Godinho(*), preço 2 euros. Do Prefácio:


O acto pedagógico não é nunca, não pode ser uma conduta ou feixe de condutas carriladas, seguindo estereótipos (mesmo se tem, como tem, que conformar-se com programas previamente traçados); é essencialmente uma creação, que põe em jogo toda a relação professor-aluno, sem exagero, ao contrário do que poderia pensar-se, que é uma obra de arte – tende sempre a ser único e inovador.


Vá-se lá explicar isto à governanta do Sócrates para a Educação.

(*) Ministro da Educação e Cultura (PS) do 2º e 3º Governos Provisórios - 1974

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

PSD Madeira vota suspensão da Democracia…
E agora Senhor Presidente?














Segundo a comunicação social, ontem o deputado regional do PND, José Manuel Coelho, chamou fascistas aos deputados regionais do PSD Madeira, e acenou uma bandeira nazi antes de a entregar ao inenarrável Jaime Ramos. Vai daí o PSD Madeira votou a suspensão do deputado regional democraticamente eleito, o CDS/PP absteve-se, e os deputados regionais dos outros partidos votaram contra. Hoje uns senhores de gravata empurraram o deputado do PND para fora da Assembleia.


Ainda de acordo com a comunicação social, na sessão de hoje da Assembleia da Republica, apenas o PCP e o BE se pronunciaram sobre a gravidade destas bizarrias madeirenses. Aliás, apenas o BE parece ter percebido o que estava em causa. O PCP, inevitavelmente, atacou o Governo, de quem depende a PSP, que pelos vistos neste caso se comportou de acordo com as suas atribuições. Pelo menos não aparece na fotografia a empurrar o deputado regional José Manuel Coelho.

Quanto ao Presidente da Republica parece estar a tentar compreender o que se passou. Veja lá, se precisar posso fazer-lhe um desenho. Ou então vá ler a Constituição onde deve dizer qualquer coisa do género que ao Presidente compete garantir o regular funcionamento das instituições democráticas. O que não vem lá de certeza é a treta da “cooperação estratégica”.
Portanto, veja se faz aquilo para o que os portugueses o elegeram e, ou mete rapidamente a rapaziada do seu partido na ordem, ou dissolve a Assembleia Regional da Madeira e convoca novas eleições.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A Dona Manuela e o desemprego em Cabo Verde e na Ucrânia.











O John McCain tem o Joe Plumber, a Dr.ª Manuela Ferreira Leite arranjou a Dona Manuela. E para não a acusarem de despesista, faz ela mesma de Dona Manuela.

A Dona Manuela estreou-se na TVI com o não há dinheiro para nada, e reaparece agora em força na entrevista à TSF/DN com o investimento público em Portugal só resolve o problema do desemprego em Cabo Verde e na Ucrânia.

Claro que a Dr.ª Manuela Ferreira Leite podia explicar à Dona Manuela que o investimento público além de gerar directamente riqueza tem um efeito multiplicador na economia, que cria e/ou mantém emprego e empresas, e por aí adiante que a economista é ela, não sou eu. A líder do PSD podia também lembrar à Dona Manuela a necessidade e as vantagens para os países de imigração, do recurso à mão-de-obra estrangeira. A expansão nos anos 60 e 70, das economias de países como a França, Alemanha, e Reino Unidos não teria sido possível sem o contributo de portugueses, espanhóis, turcos, caribenhos, africanos e tantos outros.

A tirada da Dona Manuela não “roça a xenofobia”, é mesmo xenófoba: porque não é verdade que o investimento público em Portugal só ajuda a reduzir o desemprego para os trabalhadores de Cabo Verde e da Ucrânia; porque, numa altura de dificuldades para tantos de nós, acusa o Governo de ir gastar o dinheiro dos portugueses para benefício de estrangeiros. Desta nem o Paulo Portas se lembrou.

Aguarda-se agora a indignação da Dona Manuela para o novo uso que o Governo está a fazer do dinheiro dos portugueses: 700 milhões para tapar os buracos no BPN provocados pelos cambalachos dos seus colegas de Partido e de Governo; e mais alguns milhares de milhões a disponibilizar aos banqueiros “necessitados”. Afinal sempre há dinheiro para alguma coisa.

domingo, 19 de outubro de 2008

E a procissão ainda vai no adro...













"É agora claro que salvar os bancos é apenas o principio: a economia não financeira precisa também desesperadamente de ajuda."

Paul Krugman, Premio Nobel da Economia 2008

Clique aqui para ler o artigo no The New York Times.

Marx está na moda?



















Parece que Karl Marx (1818-1884) está de novo em alta. Será que o dear old Karl previu a crise do subprime, os trambolhões do PSI 20, ou a intervenção de governos neo liberais na banca? Não, isso de prever, adivinhar o futuro, era com o Bandarra sapateiro de Trancoso.
O ponto central da obra de Marx, trabalho duma vida, foi tentar compreender a
lógica do funcionamento e evolução da Sociedade.
Em tempos agitados recordemos algumas linhas do muito que escreveu sobre as crises do capitalismo:

Num sistema de produção em que o mecanismo do processo de reprodução assenta no crédito, se este cessa bruscamente, deve evidentemente sobrevir crise, corrida violenta aos meios de pagamento.
Por isso, à primeira vista, toda a crise se configura como simples crise de crédito e crise de dinheiro. E na realidade trata-se apenas da conversibilidade dos títulos de dívida em dinheiro.
Mas esses títulos de dívida representam, em muitos casos, compras e vendas reais, cuja expansão ultrapassa de longe as exigências da sociedade, o que constitui em ultima análise a razão das crises. Além disso uma massa enorme das dívidas representa especulações puras que desmoronam à luz do dia; ou especulações com capital alheio, mal sucedidas; finalmente, capitais-mercadorias que se depreciaram ou ficaram mesmo invendáveis, ou retornos irrealizáveis de capital.
Não é possível remediar todo o sistema artificial de expansão forçada do processo de produção (…) fornecer em dinheiro o capital que falta a todos os especuladores e comprar todos os valores depreciados aos antigos valores nominais.


Capitulo XXX, pagina 563, O Capital Karl Marx - Livro III, Editora Civilização Brasileira, 1968-74

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Apresentação do blog e agradecimento ao Cerqueiral.














A partir de agora o ecossistema (ou submundo) de liberdade que é a blogosfera passará a contar com a presença das formigas. O título da canção é o nome, a letra é o programa do blog. O nosso compromisso será pois com a liberdade, as noites de insónia, a regra de três composta, e obviamente a Maria. Um obrigado ao Cerqueiral neste seu novo papel de patrono de blog.


José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos é o nome completo do músico, poeta e cidadão que lutou para acontecer Abril. Na equipa de futebol da Académica de Coimbra, onde jogou nos finais dos anos 40 e/ou inícios dos 50, era conhecido por Cerqueira ou afectuosamente por Cerqueiral.