quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O silêncio do Presidente sobre o BPN e as negociatas à custa do Estado.

Cavaco só aponta o dedo aos miúdos – Parte II





Aposto que ainda não vai ser amanhã. Sempre pronto a opinar sobre tudo e mais um par de botas, Cavaco Silva continua calado, caladíssimo, no que diz respeito ao BPN.

É certo que logo que o caldo começou a entornar, fez rapidamente um comunicado a sacudir a água do capote, a dizer que não era nada com ele. Mas censurar as trafulhices que já implicaram pôr no BPN cerca de mil milhões de euros de dinheiros públicos, nada, “niente”, coisa nenhuma.

Censura tanto mais oportuna quanto entre os principais envolvidos se encontram antigos ministros e secretários dos seus governos, e até um actual Conselheiro de Estado de sua nomeação pessoal.

Para Cavaco Silva, grave, mesmo grave, a necessitar de rabecada nos telejornais, são os desacatos dos miúdos (ver aqui) que se manifestaram contra o Estatuto do aluno e lançaram ovos à Ministra, que tal como as botas atiradas ao Bush, também nem sequer acertaram no alvo.

Que tal, para começar, um discursozinho sobre os que se servem da politica, dos cargos que ocuparam, para arranjar tachos milionários e fazer negociatas à custa do Estado? Para o discurso não ficar muito longo, até escusava de citar nomes.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Grecia: comentário num blog.












here is some proposals to get things better for the start :

1. no armed (guns) policemen at protests (we re not terrorists, just citizens)

2. total equality in justice for politicians ... let see some behind bars at last... starting from... yday... for all these countless scandals!!!

3. our economy sucks and we must not get better wages ? ok!!!
but please check all these well paid "mechanisms" against profiteering...
cause they re getting bribed from big companies and we re the only european country with so small wages and so expensive cost of living (greek products are sold more expensive in greece than in the rest of the world).(700 euro wage ...400 for rent ... etc etc)... SO LOWER ALL THE PRICES !!!

4. stop all these rich managers(doing dirty deals) against the citizens... they are rich enough ... let poor people take a breath ... in all europe, banks have decreased their compound interests (in japan they zero it) but here no ... we can pay (haha)!!!

5. please do citizens a favour and just quit ... most of goverment guys you are useless!!!
you have reached this country to the cliff's edge ... ημαρτον!!!

6. stop economy exploitation ...for your favour ... as you do for so many years!!!
be a good example and lower your wages first ... you re not in the government for your own profit
but for the good of your country ... you "profesionals"!!!

7. no more money for malfunctioned submarines and aircrafts ...
spend a load more money for a new kind-more useful and more "student friendly" education...

im just a citizen and thats all i could think of... specialists must have a lot more and even more effective to propose

try with these ..and i bet ppl will stop protesting ... tommorow!!!

BUT YOU RE SO DIRTY ... TO DARE !!!

Posted by fumanchu December 23

sábado, 27 de dezembro de 2008

Grécia: tentar perceber a insurreição.












A necessidade individual e colectiva de aventura, o desejo de participar e fazer história, a negação caótica de qualquer tipo de política, partidos políticos, e ideias políticas “sérias”; a ruptura cultural de detestar qualquer tipo de personalidade da TV, sociólogo ou perito, que pretende analisá-los como objectos sociais, a necessidade de existir e ser ouvido pelo que se é, o entusiasmo de lutar contra as autoridades e de ridicularizar a polícia de choque, o poder no coração e o fogo nas mãos, a extraordinária experiência de atirar molotovs e pedras contra a polícia em frente do parlamento, nas zonas comerciais caras, ou na sua pequena cidade; estas são, de acordo com alguns participantes, motivações que neste mês de Dezembro têm trazido para a rua, por toda a Grécia, milhares de manifestantes. Extracto da entrevista colectiva: How to organize an insurrection, publicada em Infoshop News.

Ver também Riots push Greece to the edge, por Malcolm Brabant BBC News, Atenas, e entrevista a Babis Angurakis do PC da Grécia.

Sites do Communist Party of Greece e da Communist Organization of Greece. O site do PASOK em inglês está desactualizado, e dos Verdes só encontrámos em Grego.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A propósito dos discursos da quadra festiva.

What keeps mankind alive
de Bertolt Brecht e Kurt Weill, por William S. Burroughs




You gentlemen who think you have a mission
To purge us of the seven deadly sins
Should first sort out the basic food position
Then start your preaching, that's where it begins

You lot who preach restraint and watch your waist as well
Should learn, for once, the way the world is run
However much you twist or whatever lies that you tell
Food is the first thing, morals follow on

So first make sure that those who are now starving
Get proper helpings when we all start carving
What keeps mankind alive?

What keeps mankind alive?
The fact that millions are daily tortured
Mankind can keep alive thanks to its brilliance
In keeping its humanity repressed
And for once you must try not to shriek the facts
Mankind is kept alive by bestial acts

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

domingo, 21 de dezembro de 2008

E o menino Jesus chega no dia 25 de Dezembro.













E já começava a pensar que tinham roubado o menino Jesus, quando alguém me explicou que ele só chega no dia 25 de Dezembro, depois da missa do Galo. Presépio montado na Igreja de Santo António à Sé, Lisboa.

E onde é que param, Dom José Policarpo, os presépios de Machado de Castro da Igreja da Sé Patriarcal de Lisboa e da Basílica da Estrela, que ficam com um ar mesmo desolado, sem presépio no Natal? Parece que já só os podemos ver na Internet: aqui, aqui e aqui.

Mais sobre Presépios, na Wikipédia, e nos Amigos do Presépio.

sábado, 20 de dezembro de 2008

As virtudes da banca privada.


Clientes do BPP
accionam providência cautelar



Acusações da CMVM
no caso BCP após o Natal



Ex-gestores do BPN e SLN
vão ser processados


Num único dia, na 1ª página do Expresso Economia, mais três notícias pouco abonatórias da credibilidade da banca privada.

Quanto é que isto está a custar ao Estado? Quanto é que isto irá custar aos clientes de alguns bancos?


Recorde-se ainda, os bancos envolvidos na Operação Furacão:


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Da Grécia para a Europa: Resistência.












Com a palavra de ordem Resistência, faixas cor de rosa na Acrópole, apelam à solidariedade dos europeus, para hoje 18 de Dezembro de 2008.

Hoje em Atenas numa manifestação pacífica de 7 000 pessoas, num cartaz lia-se “Abaixo o Governo sujo de sangue, a pobreza e as privatizações”. Após a manifestação ocorreram novos confrontos entre jovens e policia no centro de Atenas. Manifestações convocadas pelos sindicatos, estudantes e professores tiveram lugar noutros locais, incluindo Salonika no norte, e na ilha de Creta.

Os sindicatos convocaram uma paralisações de 3 horas, no aeroporto de Atenas. Trabalhadores dos serviços urbanos, médicos e professores aderiram também à paralisação. Por toda a Grécia 600 escolas, incluindo várias Universidades, continuam ocupadas pelos estudantes.

Uma sondagem do jornal Avgi dá ao PASOK, socialista, uma vantagem de 6,5% sobre o partido do Governo, Nova Democracia, de direita.

O primeiro ministro Costas Karamanlis, reconheceu 3ª feira que não se deu logo conta da gravidade da revolta, e que há, entre outros, problemas de corrupção, de justiça social e de educação, a precisar de soluções urgentes.

BPP, poupanças e pensões de reforma.








Sabe-se agora que quando a bronca rebentou, os grandes investidores financeiros do BPP há muito que já tinham dado à sola. Quem ficou foram os pequenos e médios aforradores, que não estavam por dentro, e que quando as coisas dão para o torto acabam sempre por ficar à chuva.

Algumas dessas pessoas, afirmam que puseram lá o dinheiro convencidas de que se tratava de depósitos a prazo, mas que agora lhes dizem que eram aplicações financeiras; com boas remunerações, mas que hoje nada valem. Um entrevistado na SIC, que optou por pôr no BPP as suas poupanças para a velhice, diz-se agora confrontado com ter de viver com a sua reforma de trezentos e tal euros mensais. As economias duma vida de trabalho, voaram.

E não vi ainda nenhum arauto da privatização das pensões ou dos esquemas pessoais de poupança, dos que passam a vida a atacar a Segurança Social, vir pedir desculpa de, com a sua verborreia de capitalismo popular, ter contribuído para convencer as pessoas, a entregar o ouro ao bandido.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O Estado Predador, de James Kenneth Galbraith.














James Kenneth Galbraith, é filho do conhecido economista John Kenneth Galbraith, autor de livros tão populares como A Sociedade da Abundância e O Novo Estado Industrial.

Para James K. Galbraith, o Estado Predador tem por base uma classe empenhada em apoderar-se do Estado, não por razões ideológicas, mas simplesmente para que isso lhes traga, individualmente ou como grupo, o máximo de dinheiro, o mínimo de incómodo ao exercício do seu o poder, e no caso de alguma coisa correr mal, a melhor oportunidade do Estado ir em seu socorro.


Apesar da retórica em contrário, não lhes interessa a redução do Estado pois, sem seu o apoio, a concretização dos seus objectivos estaria fortemente comprometida. A sua razão de ser é fazer dinheiro à custa do Estado.


Ao Governo é reservado o papel de prosseguir politicas de redução dos rendimentos dos trabalhadores e de cortes nos serviços públicos, ao mesmo tempo que faz concessões milionárias a companhias pertencentes a apoiantes, ou geridas por ex-colegas, muitas vezes sem concursos. O Governo deve correr a socorrer as grandes empresas, mas recusar-se a apoiar os cidadãos comuns.


E tudo isto, para o autor, não são anomalias ou desvios, mas sim condições endémicas e centrais do funcionamento do sistema.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

domingo, 14 de dezembro de 2008

Salvem os ricos, os contemporâneos.



Chegou a crise
Não há razão para temer
É que nesta crise
O Teixeira dos Santos vai-nos proteger
Mas neste Mundo injusto
O dinheiro está garantido
Para o pobre, o remediado
E o sem-abrigo
Mas pensa naqueles,
Os multimilionários
Ficaram sem bancos
E sem chorudos salários
E sem direito a indemnizações
Têm de pedir o aval
À sopa dos pobres dos ricos
O Banco de Portugal
O desespero tomou conta
De toda a Quinta da Marinha
Em vez de lavagante
Comem lambujinha
E vão ter de abandonar
O Conselho de Estado
O quadro do Miró
Foi penhorado
Porque esse Portugal
Já não é neo-liberal
Saberão que estamos no Natal!
O suprime limpou-lhes muitos milhões
A polícia trata-os como aldrabões
Saberão que estamos no Natal!
Salvem os ricos
Salvem os ricos
Salvem os ricos
Ajudem os milionários
Salvem os ricos
Ajudem os milionários

sábado, 13 de dezembro de 2008

What We Talk about When We Talk about Love.

















“Well, Nick and I know what love is,” Laura said. “For us, I mean,” Laura said. She bumped my knee with her knee. “You’re supposed to say something now,” Laura said, and turned her smile on me.

For an answer, I took Laura’s hand and raised it to my lips. I made a big production out of kissing her hand. Everyone was amused.
“We’re lucky,” I said.
“You guys.” Terri said. “Stop that now. You are making me sick. You’re still on the honeymoon, for God’s sake. You’re still gaga, for crying out loud. Just wait. How long have you been together now? How long has it been? A year? Longer than a year?”
“Going on a year and a half,” Laura said, flushed and smiling.
“Oh, now,” Terri said. “Wait awile.”
She held her drink and gazed at Laura.
“I´m only kidding,” Terri said.
Mel opened the gin and went around the table with the bottle.
“Here, you guys,” he said. “Let’s have a toast. I want to propose a toast. A toast to love. To true love,” Mel said.
We touched glasses.
“To love,” we said.

Extracto do conto “What We Talk about When We Talk about Love”, de Raymond Carver. Vem isto a propósito da crónica de hoje de Inês Pedrosa(*). “De que falamos quando falamos de ...”, é decididamnte uma expressão que já fizemos nossa, e mais um exemplo daquela capacidade que os grandes escritores têm de influenciar a língua que falamos; mesmo quando a língua é outra, e há um oceano pelo meio.

(*) Na Revista Única, no Expresso de 13/12/2008, “Uma crónica de amor. De que falamos quando falamos de entrega?”.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Parece que o pessoal está chateado com esta espécie de democracia.












De vez em quando aparecem uns números a confirmar o que toda a gente sente. No estudo Reforma Institucional em Portugal(*), de André Freire, diz-se que 71,5% dos eleitores não estão satisfeitos com a qualidade da democracia em Portugal. O nível de insatisfação será ainda o mais alto dos últimos 23 anos.

Tirar a limpo, com rigor, as causas desta insatisfação, implicaria talvez outro estudo, que certamente traria informações, merecedoras de novos estudos.

Mas o que nos deixaria, de certeza, admirados era um estudo a dizer que estava tudo feliz e contente com os políticos que nos governam há mais de 30 anos. Como de certa maneira somos levados a crer com as sondagens que periodicamente nos informam que cerca de 40% vamos votar no PS e quase 30% no PSD.

Talvez o nome adequado para esta aparente discrepância seja: voto resignado, versão pindérica do voto útil.

Se isto continuar a dar para o torto, ainda a malta se chateia de vez, atira a canga ao ar e, pelo menos, isto fica esclarecido. Sem necessidade de mais estudos.

(*) Referido no Público de 11/12/2008

A crise do PSD, segundo JPP.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Escola Pública: algumas perguntas sobre o problema que estamos com ele.














Diz-se, e com razão, que numa empresa só alguns chegam à Direcção ou que no Exército não são todos promovidos a general. Tal como nas escolas, em que também não chegam todos ao Conselho Executivo, ou a coordenador de Departamento.


Com a quota de 30% não se está, só para se reduzir a despesa, a dividir artificialmente aquilo que é igual? Queremos bons professores, vamos avaliá-los, e a primeira coisa que se faz é estabelecer um limite a quem o mérito vai ser reconhecido? É assim tão difícil garantir a todos os professores que o reconhecimento, maior ou menor, será de acordo com o mérito?


Embora com naturais diferenças, o objectivo não deverá ser ter,
nas salas de aulas, 100% de bons professores? E os maus, não devem ser afastados?

Um sistema de avaliação não deverá também contribuir para estimular os professores a melhorarem o seu desempenho? Que estimulo têm aqueles a quem a avaliação reconheceu o mérito, mas não couberam nos 30%? Se categoria de titular for vitalícia, qual é o estimulo para os titulares se esforçarem a melhorar ou a continuar a ser bons?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Quando isto dá para o torto.














De Corfu a Rodes, de Salónica a Creta, mais Atenas, Samos, Lesbos, Larisa, Trikala, Ioannina, Patra.

Grecia, Dezembro de 2008: desemprego 8% (22,9% entre os jovens dos 20 aos 25 anos).

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Padre António Vieira: Locutus est mutus.















Locutus est mutus: falou o Mudo. Se ele falou, como lhe chamam Mudo? Porque na Confissão há homens que ainda depois de falar são mudos. Falam pelo que dizem, e são mudos pelo que calam; falam pelo que declaram, e são mudos pelo que dissimulam; falam pelo que confessam, e são mudos pelo que negam.
...
Admirável cousa é ver muitos pecados, como se fazem, e ouvir como se confessam! Vistos fora da Confissão, e em si mesmos, são pecados, e graves pecados: ouvidos na Confissão, e com as cores de que ali se revestem, ou não parecem pecados, ou parecem virtudes. Seja exemplo (para que nos acomodemos ao lugar) o pecado, e a confissão de um grande Ministro.

Sermão da Terceira Dominga da Quaresma, em Sermões, Tomo I, Padre António Vieira, Pags. 253 e 254. Edição CEFi - Cento de Estudos de Filosofia, e Imprensa Nacional – Casa da Moeda.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

25 de Novembro de 2008, no Spectrum:
Quando isto der para o torto

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Quando for comprar sardinhas:
lembre-se dos 69, e depois compare.













Dados da Direcção-Geral das Pescas mostram que, um quilo de sardinha que custa 69 cêntimos à saída do barco, é vendida aos consumidores por 4,65 euros.

Por isto e aquilo, mais o que nos custa a gasolina e nos vai custar as trafulhices do BPN, estas formigas acham que a praga de entidades reguladoras que por aí andam a criar, só serve para duas coisas: dar a impressão de que se está a fazer alguma coisa para defender o público, e arranjar mais uns jobs para os boys.

E você, acredita em Entidades Reguladoras?

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Gaffes, crónica de Vasco Pulido Valente.










Vasco Pulido Valente tem dias, e quando escreveu a crónica “Gaffes”, no Público de hoje 21/11, estava num dia bom, muito bom.

Aqui, nas formigas, tentámos chamar a atenção, em vários posts, para o contraste entre a imagem de política séria, competente e responsável, que a comunicação social elogiava na Primavera: a Dr.ª Manuela Ferreira Leite; e a sua outra face conservadora, autoritária, e menos democrática: a Dona Manuela.

O que VPV diz de MFL, aplica-se a muitos outros políticos, e tem, infelizmente, numerosos adeptos em vários eleitorados. E nem é preciso recuar aos tempos da Monarquia: “democracia suspensa”, em maior ou menor grau, é hoje o modo de funcionamento normal de muitas autarquias portuguesas.

Aqui temos então as Gaffes de VPV:

Se a dr.ª Manuela Ferreira Leite estava, ou não, a tentar ser irónica não interessa nada ou muito pouco. A ideia de uma ditadura provisória para resolver, fácil e expeditivamente, problemas que não se conseguem resolver de outra maneira não é uma ideia nova. Vem da velha Monarquia Constitucional. Quando um governo ficava imobilizado pelo excesso de virulência da oposição (no parlamento, na imprensa ou na rua), o rei mandava os deputados para casa - sem tocar, em princípio, na liberdade de imprensa ou de reunião - e o governo fazia em sossego o seu serviço, suspendendo um jornal aqui e ali ou proibindo as manifestações que lhe pareciam mais perigosas. No fim voltava tudo ao mesmo. O rei convocava o parlamento (em geral fabricado para a ocasião) e o parlamento passava, à inglesa, um "bill de indemnidade" ao governo. Este exercício era conhecido pelo nome de "ditadura administrativa" e deu uma grande contribuição para a queda da Monarquia.

As gaffes da dr.ª Manuela Ferreira Leite (com ou sem "ironia") revelam uma tendência especial para a "ditadura administrativa". Educada politicamente no espírito autoritário do "cavaquismo", e boa discípula do mestre, sofre com irritação os vexames da democracia. Os jornais não publicam o que ela quer, os professores resistem à ministra e até a lei "transforma o polícia em palhaço": Portugal inteiro parece incontrolável. Pensando não só em Sócrates, Manuela Ferreira Leite começou a ver as dificuldades de reformar o país com as restrições que existem. Como, de facto, reformar a justiça sem os juízes? Como reformar a saúde sem os médicos? No fundo do seu coração, Manuela Ferreira Leite não sabe. Sabe apenas que não há reformas sem eles, nem com eles.

A "ironia" não foi uma ironia. Foi um desabafo: se a deixassem a ela e às pessoas como ela (com inteligência, visão e capacidade) mandar a sério, bastavam seis meses para pôr as coisas "na ordem". Mas daí a pedir, ou a sugerir, uma ditadura vai um abismo. Infelizmente, é com declarações destas que se chega pouco a pouco ao descrédito da democracia. A imagem da democracia como um reino de interesses particulares, que impedem o progresso e anulam a razão, embora antiga, não perdeu ainda a sua eficácia. E, com os desastres que se preparam, não precisa de ajuda para dissolver os restos de respeito pelo regime.


A saga da Dona Manuela: aqui, aqui, aqui, e aqui.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O gato que toma conta do queijo,
e o conforto do subsídio de desemprego.








O gato que devia tomar conta do queijo, entre dois bocejos, e no tempo que lhe sobra da fiscalização da banca (que deve ser todo, pelo que temos sabido nos últimos meses), veio dizer que o aumento do desemprego, se deve ao "conforto do subsídio de desemprego".

Temos por aqui algumas formigas que, se o Governador do Banco de Portugal lhes arranjar trabalho lá no banco, (não estamos a falar de tachos, estamos a falar de trabalho mesmo, no duro), ficarão radiantes de se ver livres do "conforto do subsídio de desemprego".

Ou será que a recomendação do gato anafado é, mesmo, cortar o subsídio de desemprego à gataria rafeira? Matam-se os gajos todos à fome, e as estatísticas ficam que é uma beleza. Além, claro, do contributo para a redução do deficit.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Última hora: morreu a formiga da Dona Manuela.


O John McCain tem o Joe Plumber, a Dr.ª Manuela Ferreira Leite arranjou a Dona Manuela. E para não a acusarem de despesista, faz ela mesma de Dona Manuela.


Cumpre-nos o doloroso dever de informar que morreu hoje, à hora do telejornal das vinte, a formiga que fazia a cobertura bloguistica da Dona Manuela. A causa da morte ainda está por apurar. Para já, as opiniões dividem-se entre o antigo “badagaio”, e o mais recente “coisa má”.

Testemunhas presentes confidenciaram que, ainda a diligente postista estava a tentar assimilar o "Eu não acredito em reformas, quando se está em democracia", quando a Dona Manuela rematou: “Não sei se não é bom haver 6 meses sem democracia”. Aí, a nossa infortunada colega arregalou os olhos, empinou as antenas, e caiu redonda no meio do formiguedo.

À família da saudosa especialista da posta Manuelina, o sincero sentimento de pesar de todos os que, neste blog, e no ecossistema da blogosfera, acompanharam a sua extenuante tarefa de registar as tiradas da Dona Manuela.

Aos habituais visitantes, e outros fans da distinta politica do PSD, informamos que, até conseguirmos uma substituta à altura dos altos padrões bloguisticos da apreciada comunicadora, não nos vai ser possível continuar a registar as sempre brilhantes intervenções da Dona Manuela.

Mais Dona Manuela: aqui, aqui, e aqui.

Falemos de avaliação, falemos de educação.









Na blogosfera, na comunicação social, todo o mundo fala de avaliação. No caso concreto dos professores, origem de toda esta discussão, do que se trata é dum sistema formal de avaliação de desempenho, abreviando sfad.

Os sfad, em poucas palavras, destinam-se levar a linha justa às massas, e a levar as massas a aceitar a linha justa. Não, não tem nada a ver com o livro vermelho do Mao. A sua introdução deve-se a grandes empresas americanas, e em particular as que empregam uma elevada percentagem de pessoal qualificado.

O sfad é, para a gestão duma grande corporação, por vezes de âmbito multinacional, um instrumento privilegiado para levar aos diversos níveis de gestão, e a cada trabalhador, a filosofia empresarial e objectivos da empresa, e simultaneamente conseguir a adesão da generalidade do pessoal.

A adesão dos trabalhadores é estimulada por um conjunto de benefícios que acompanham a avaliação: prémios, promoções, aumentos salariais. Em muitos casos, a avaliação não tem um peso muito significativo na evolução das carreiras; e as recompensas pecuniárias, embora com gradações, beneficiam a generalidade dos trabalhadores(*).

Ver aqui, muito esclarecedor, um post com as linhas gerais de funcionamento do sfad da IBM Portugal, nos anos 70/80 (**). Um sfad não avalia o mérito em si, mas o desempenho dos trabalhadores face aos objectivos traçados.

Claro que o Ministério de Educação tem toda a legitimidade, para criar e implantar um sfad que leve aos professores as orientações do Ministério, e mobilize a sua adesão a esses objectivos. Só que este sfad não tem nada a ver com isso, não se vislumbram nele quaisquer objectivos que visem a efectiva melhoria do ensino; e quanto a conseguir a adesão dos professores ao processo, pior era impossível.

Se o que se pretende é mesmo melhorar a qualidade do ensino nas escolas publicas, então haverá certamente outras soluções.

Por exemplo, hoje no Publico, Desidério Murcho (ver aqui), defende que “exames nacionais rigorosos são simultaneamente uma maneira objectiva e simples de avaliar professores e escolas, e de estimular os estudantes a esforçar-se”, depois de ter começado por chamar a atenção para que “a solidez da formação científica dos professores é um factor crucial para a qualidade do ensino”.

É tempo de parar para pensar. Meter numa gaveta qualquer este sfad, ao que parece criado sob os auspícios do grande desígnio nacional da redução do deficit, e começar a discutir seriamente os objectivos e funcionamento da escola pública em Portugal.

(*) Nem pode ser de outro modo se o que se pretende é o empenho de todos.

(**) Não concordamos com algumas das conclusões do post, como é claro do que se escreveu acima, mas pensamos que seria util o seu autor, Penim Redondo, falar-nos um pouco mais da sua experiência directa com o sfad da empresa onde trabalhou, e se não for pedir muito, fazer uma análise critica dessa experiência.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Informação simples e clara, precisa-se.













No Publico de hoje, 17/11, na crónica Desenho de informação, Rui Tavares propõe que a exemplo da informação de eficiência energética disponível nos electrodomésticos (as letras A a G), seja facultada ao publico informação simples e clara, sobre mais produtos e serviços, incluindo os chamados produtos financeiros. Defende ainda, que este objectivo de tornar a informação mais simples e clara, seja mesmo alargado à própria esfera da politica. Transcrevemos os últimos parágrafos:

Isto é um problema maior do que o mercado. As próprias leis não têm em conta a impossibilidade de a maioria dos cidadãos as compreenderem (mesmo quando são feitas de boa-fé). Isso é um problema de democracia. Nos EUA, uma organização não-governamental chamada OpenCongress.org dedica-se a "traduzir" as leis para linguagem quotidiana, com grande sucesso.

Precisamos do mesmo aqui, e também de obrigar a Assembleia da República, o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia a fazê-lo no seu processo legislativo. Os políticos não podem ser apenas legisladores; têm de ser intérpretes. No futuro, isso significará não apenas intérpretes da vontade popular, mas bons tradutores da realidade à sua volta para que uma vontade popular possa sequer começar a emergir.