terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Mostrar o gato, exibir o cão, e como criar o seu negócio e ser feliz para o resto da vida.












Não sei se repararam mas nos blogues pessoais, mais cedo ou mais tarde o dono acaba sempre por mostrar o gato, por isso, vamos já resolver a questão, e aqui está o gato, que talvez nem sequer seja meu, se calhar é emprestado, como aqueles políticos em campanha eleitoral que usam os cães dos outros para tirar fotografias que depois aparecem na Gente, e é desses cães e desses políticos que verdadeiramente eu queria falar, o paleio dos gatos foi só para ganhar balanço.

Num ano com três eleições três, está resolvido o problema da crise cá do Aristes, sim, que para as eleições não vai haver crise, vai haver bué, mas mesmo bué de guito, e a maneira aqui do “moi” sacar algum, vai ser com uma empresa de aluguer de cães que eu estou a criar, e escusam de dizer que não vai dar, que isso de fotografia com cão é só para políticos de direita e agora quem sobe nas sondagens é a esquerda, que isso não é verdade, um cão fica sempre bem a qualquer político, o segredo está em escolher o cão certo, talvez haja umas excepções, assim à primeira não estou a ver o Jerónimo em retrato com cão, mas já à Ilda Figueiredo um lulu branco de pelo encaracolado ia ficar a matar, e para o Louçã então nem se fala, não há cão nem gato que não vá bem com ele.

Agora só preciso de arranjar dois sócios, um que tenha cães, qualquer tipo de cães, que isto de cães é como os políticos, podem ser grandes ou pequenos, mansos ou perigosos, nem é necessário ter o tal de “pedigree”, só precisam mesmo é ter bom aspecto para o retrato, e até podem ir às canelas dos eleitores que eles parece que não se importam, barafustam na altura, mas nas eleições seguintes lá está o votozinho outra vez, como se não fosse nada com eles.

Também preciso dum sócio que conheça políticos, e aqui só para a gente, quem eu gramava à séria era o Coelho, ou o Loureiro que parece que anda assim um bocado mal visto por causa da tal sociedade Lusa, estes tipos são uns verdadeiros patriotas, até põem nomes destes às empresas, o que até é uma boa ideia para a empresa que eu estou criar e que se calhar se vai chamar sociedade Lusa qualquer coisa de canídeos, mas isso ainda é uma coisa para se ver com os outros sócios, e voltando ao sócio que conheça políticos, vai ter que ser como lá em casa nos dias em que a Vanessa recebe o subsídio de desemprego e abancamos os dois com um bocado de queijo tipo Serra, portanto se alguém topar um mangas tipo Coelho que queira alinhar, mande-o cá para o amigo.

Andava ainda à procura dum sócio capitalista mas agora já não é preciso, entra o Sócrates com as massas, não o Sócrates propriamente dito em pessoa mas, como ele disse ontem ao irmão do Costa da Câmara da SIC e da Moção, ainda tenho de descobrir para que serve isto das moções, mas dizia eu como ele disse ao Costa da SIC e do Expresso, irmão do outro Costa de que falei antes, as massas são dumas linhas de crédito que ele Sócrates inventou para as pequenas e médias empresas, o que vem mesmo a calhar para o projecto cá do Aristes, e no que me toca já alavanquei quatro euros e meio que investi ali na feira da Gare do Oriente, num livro do caraças, chama-se “Como criar o seu negócio e ser feliz para o resto da vida”, e vou já lê-lo amanhã, ou para a semana, ou quando tiver tempo.

E agora, a propósito da Mensagem de Ano Novo, uma pergunta simples ao senhor Presidente.






As duas faces de Cavaco Silva, um milhar de milhões para o BPN, palavras de alento para o zé povinho.

Porque é que não disse também aos banqueiros, “não se deixem abater pelo desânimo”, “acreditem nas vossas capacidades, não percam a vontade de vencer(*)”, em vez de se apressar a aprovar, sem vetos nem discursos aos Portugueses, o apoio do Governo ao BPN?

O BPN, no caso de já não se lembrar, é aquele banco onde pontificavam antigos Ministros e Secretários dos seus Governos, e um actual Conselheiro de Estado de sua nomeação pessoal.

(*) Mensagem de Ano Novo do Presidente da República. Texto integral aqui.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A Constituição da República e as outras “constituições”, e onde é que Cavaco Silva andou mal na questão da promulgação do Estatuto dos Açores.











Para além da Constituição escrita, aprovada por maioria de 2/3 dos deputados, que serve de base às decisões do Tribunal Constitucional, existem por aí um rol de “constituições” ao sabor de interesses, ocasiões, ou da simples e prosaica ignorância nestas coisas de que a maioria partilhamos.

Mas vamos a exemplos, e como este vai ser um ano de eleições, comecemos pelas eleições legislativas. A Constituição diz que se trata de eleger deputados para a AR, mas para alguns políticos, comunicação social, e na prática para uma boa parte dos eleitores, estas eleições estão cada vez mais transformadas em eleições para 1ª Ministro. Lembram-se dos comentários, análises, e opiniões que punham em causa a nomeação de Santana Lopes, porque quem os portugueses tinham eleito para 1º Ministro era Durão Barroso?

Também, pelo menos desde a primeira eleição de Mário Soares para PR, os ocupantes de Belém se consideram, e muitos de nós concordam, Presidentes de todos os Portugueses. Conceito completamente alheio ao próprio regime republicano em que vivemos. Na monarquia sim, todos os Portugueses eram súbditos do Rei, que era Rei de todos os Portugueses. Agora somos cidadãos livres, não sujeitos à soberania de ninguém. Cidadãos que elegem um Presidente da República, ou seja do estado republicano, e não propriamente dos Portugueses.

Quanto à questão do Estatuto dos Açores, e no que se refere aos dois artigos em causa, parece não haver grandes dúvidas de que não se deve alterar por lei, poderes do Presidente consignados na Constituição.

Mas de acordo com a Constituição, o órgão competente para apreciar a constitucionalidade das leis é o Tribunal Constitucional. É Cavaco Silva que está a desrespeitar a Constituição ao considerar que tem a legitimidade para considerar o que é ou não constitucional. O seu poder é de, em relação a aspectos em que tenha dúvidas, solicitar ao Tribunal Constitucional que decida sobre a constitucionalidade das leis. Foi Cavaco Silva que de forma inábil e arrogante se tentou colocar acima do Tribunal Constitucional, pensando que, com a sua “influência” e mais umas manobras populistas, resolvia aquilo que, de acordo a sua opinião, é uma grave inconstitucionalidade. Se tivesse resultado, aí tínhamos outra “revisão constitucional de facto”, transferindo na prática, para o Presidente, poderes que de todo não lhe pertencem.

Mais uma vez, achamos nós, Cavaco Silva demonstra uma grande incapacidade de interpretar os poderes que cabem ao Presidente da República. Como aliás volta a fazer no discurso de Ano Novo, onde claramente se intromete por áreas que são da competência do Governo e da Assembleia da República.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Eugénio Rosa: um outro olhar sobre a realidade do País.










Ao longo de 2008, Eugénio Rosa publicou na blogosfera 47 estudos sobre questões económicas e socias do País. Daqui saudamos o seu incansável labor, transcrevendo algumas palavras que acompanham o ultimo estudo de 2008, bem como os links para os que publicou no ultimo trimestre do passado ano.

"Como temos referido, mas não é demais repetir, o objectivo dos estudos que divulgamos ao longo deste ano não foi o de tentar substituir a "verdade" do pensamento único de cariz neoliberal dominante por outra "verdade", mas apenas dar aqueles que nos lêem uma outra interpretação dos problemas da economia e da nossa sociedade, contribuindo para uma reflexão própria e autónoma, que ajudasse os leitores a formular a sua própria opinião que, em muitos casos, até poderá ser diferente da nossa, o que não nos incomoda, pois a democracia passa precisamente pela aceitação de ideias diferentes, mas o importante é que essa opinião resulte do confronto democrático de ideias diferentes, e não condicionado pelo pensamento dominante de cariz neoliberal que nos pretendem impor..."

O que era necessário que o governo esclarecesse sobre a "reforma" da administração pública

O governo aumenta o capital da CGD para poder fazer desaparecer os prejuízos do BPN e reduzir o défice orçamental

No 3º trimestre de 2008 o desemprego atingiu 569 mil portugueses; os desempregados com ensino superior aumentaram em 44%; e menos da metade dos desempregados recebe o subsidio respectivo

A pensão média em Portugal é actualmente apenas de 404,61€ e em 2009 o governo pretende aumentá-la em 11€ (37 cêntimos/dia)

Quatro anos de governo de Sócrates na economia

O OE2009 agrava a injustiça fiscal

O governo nacionalizou o BPN porque ele está falido

Governo recusa devolver a 40 mil reformados €28 milhões que lhes retirou injustamente mas quer anular €1.900 milhões de dívidas das empresas à Segurança Social

OE2009 vai determinar: redução do poder de compra dos trabalhadores da função pública; aquisição maciça de serviços a privados

Um orçamento que não evita a recessão e que é insuficiente para impedir o agravamento da situação social

O discurso da desculpabilização do governo, a cambalhota de Sócrates na AR e as consequências da ruinosa gestão capitalista

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

E será ainda em 2009, pergunta o Vasco, que chegará o magalhães encomendado ao eng. Sócrates, em Outubro passado?

Feliz 2009 para todos, sem crises.



Gato Fedorento: Louvado sejas, ó Magalhães!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O silêncio do Presidente sobre o BPN e as negociatas à custa do Estado.

Cavaco só aponta o dedo aos miúdos – Parte II





Aposto que ainda não vai ser amanhã. Sempre pronto a opinar sobre tudo e mais um par de botas, Cavaco Silva continua calado, caladíssimo, no que diz respeito ao BPN.

É certo que logo que o caldo começou a entornar, fez rapidamente um comunicado a sacudir a água do capote, a dizer que não era nada com ele. Mas censurar as trafulhices que já implicaram pôr no BPN cerca de mil milhões de euros de dinheiros públicos, nada, “niente”, coisa nenhuma.

Censura tanto mais oportuna quanto entre os principais envolvidos se encontram antigos ministros e secretários dos seus governos, e até um actual Conselheiro de Estado de sua nomeação pessoal.

Para Cavaco Silva, grave, mesmo grave, a necessitar de rabecada nos telejornais, são os desacatos dos miúdos (ver aqui) que se manifestaram contra o Estatuto do aluno e lançaram ovos à Ministra, que tal como as botas atiradas ao Bush, também nem sequer acertaram no alvo.

Que tal, para começar, um discursozinho sobre os que se servem da politica, dos cargos que ocuparam, para arranjar tachos milionários e fazer negociatas à custa do Estado? Para o discurso não ficar muito longo, até escusava de citar nomes.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Grecia: comentário num blog.












here is some proposals to get things better for the start :

1. no armed (guns) policemen at protests (we re not terrorists, just citizens)

2. total equality in justice for politicians ... let see some behind bars at last... starting from... yday... for all these countless scandals!!!

3. our economy sucks and we must not get better wages ? ok!!!
but please check all these well paid "mechanisms" against profiteering...
cause they re getting bribed from big companies and we re the only european country with so small wages and so expensive cost of living (greek products are sold more expensive in greece than in the rest of the world).(700 euro wage ...400 for rent ... etc etc)... SO LOWER ALL THE PRICES !!!

4. stop all these rich managers(doing dirty deals) against the citizens... they are rich enough ... let poor people take a breath ... in all europe, banks have decreased their compound interests (in japan they zero it) but here no ... we can pay (haha)!!!

5. please do citizens a favour and just quit ... most of goverment guys you are useless!!!
you have reached this country to the cliff's edge ... ημαρτον!!!

6. stop economy exploitation ...for your favour ... as you do for so many years!!!
be a good example and lower your wages first ... you re not in the government for your own profit
but for the good of your country ... you "profesionals"!!!

7. no more money for malfunctioned submarines and aircrafts ...
spend a load more money for a new kind-more useful and more "student friendly" education...

im just a citizen and thats all i could think of... specialists must have a lot more and even more effective to propose

try with these ..and i bet ppl will stop protesting ... tommorow!!!

BUT YOU RE SO DIRTY ... TO DARE !!!

Posted by fumanchu December 23

sábado, 27 de dezembro de 2008

Grécia: tentar perceber a insurreição.












A necessidade individual e colectiva de aventura, o desejo de participar e fazer história, a negação caótica de qualquer tipo de política, partidos políticos, e ideias políticas “sérias”; a ruptura cultural de detestar qualquer tipo de personalidade da TV, sociólogo ou perito, que pretende analisá-los como objectos sociais, a necessidade de existir e ser ouvido pelo que se é, o entusiasmo de lutar contra as autoridades e de ridicularizar a polícia de choque, o poder no coração e o fogo nas mãos, a extraordinária experiência de atirar molotovs e pedras contra a polícia em frente do parlamento, nas zonas comerciais caras, ou na sua pequena cidade; estas são, de acordo com alguns participantes, motivações que neste mês de Dezembro têm trazido para a rua, por toda a Grécia, milhares de manifestantes. Extracto da entrevista colectiva: How to organize an insurrection, publicada em Infoshop News.

Ver também Riots push Greece to the edge, por Malcolm Brabant BBC News, Atenas, e entrevista a Babis Angurakis do PC da Grécia.

Sites do Communist Party of Greece e da Communist Organization of Greece. O site do PASOK em inglês está desactualizado, e dos Verdes só encontrámos em Grego.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A propósito dos discursos da quadra festiva.

What keeps mankind alive
de Bertolt Brecht e Kurt Weill, por William S. Burroughs




You gentlemen who think you have a mission
To purge us of the seven deadly sins
Should first sort out the basic food position
Then start your preaching, that's where it begins

You lot who preach restraint and watch your waist as well
Should learn, for once, the way the world is run
However much you twist or whatever lies that you tell
Food is the first thing, morals follow on

So first make sure that those who are now starving
Get proper helpings when we all start carving
What keeps mankind alive?

What keeps mankind alive?
The fact that millions are daily tortured
Mankind can keep alive thanks to its brilliance
In keeping its humanity repressed
And for once you must try not to shriek the facts
Mankind is kept alive by bestial acts

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

domingo, 21 de dezembro de 2008

E o menino Jesus chega no dia 25 de Dezembro.













E já começava a pensar que tinham roubado o menino Jesus, quando alguém me explicou que ele só chega no dia 25 de Dezembro, depois da missa do Galo. Presépio montado na Igreja de Santo António à Sé, Lisboa.

E onde é que param, Dom José Policarpo, os presépios de Machado de Castro da Igreja da Sé Patriarcal de Lisboa e da Basílica da Estrela, que ficam com um ar mesmo desolado, sem presépio no Natal? Parece que já só os podemos ver na Internet: aqui, aqui e aqui.

Mais sobre Presépios, na Wikipédia, e nos Amigos do Presépio.

sábado, 20 de dezembro de 2008

As virtudes da banca privada.


Clientes do BPP
accionam providência cautelar



Acusações da CMVM
no caso BCP após o Natal



Ex-gestores do BPN e SLN
vão ser processados


Num único dia, na 1ª página do Expresso Economia, mais três notícias pouco abonatórias da credibilidade da banca privada.

Quanto é que isto está a custar ao Estado? Quanto é que isto irá custar aos clientes de alguns bancos?


Recorde-se ainda, os bancos envolvidos na Operação Furacão:


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Da Grécia para a Europa: Resistência.












Com a palavra de ordem Resistência, faixas cor de rosa na Acrópole, apelam à solidariedade dos europeus, para hoje 18 de Dezembro de 2008.

Hoje em Atenas numa manifestação pacífica de 7 000 pessoas, num cartaz lia-se “Abaixo o Governo sujo de sangue, a pobreza e as privatizações”. Após a manifestação ocorreram novos confrontos entre jovens e policia no centro de Atenas. Manifestações convocadas pelos sindicatos, estudantes e professores tiveram lugar noutros locais, incluindo Salonika no norte, e na ilha de Creta.

Os sindicatos convocaram uma paralisações de 3 horas, no aeroporto de Atenas. Trabalhadores dos serviços urbanos, médicos e professores aderiram também à paralisação. Por toda a Grécia 600 escolas, incluindo várias Universidades, continuam ocupadas pelos estudantes.

Uma sondagem do jornal Avgi dá ao PASOK, socialista, uma vantagem de 6,5% sobre o partido do Governo, Nova Democracia, de direita.

O primeiro ministro Costas Karamanlis, reconheceu 3ª feira que não se deu logo conta da gravidade da revolta, e que há, entre outros, problemas de corrupção, de justiça social e de educação, a precisar de soluções urgentes.

BPP, poupanças e pensões de reforma.








Sabe-se agora que quando a bronca rebentou, os grandes investidores financeiros do BPP há muito que já tinham dado à sola. Quem ficou foram os pequenos e médios aforradores, que não estavam por dentro, e que quando as coisas dão para o torto acabam sempre por ficar à chuva.

Algumas dessas pessoas, afirmam que puseram lá o dinheiro convencidas de que se tratava de depósitos a prazo, mas que agora lhes dizem que eram aplicações financeiras; com boas remunerações, mas que hoje nada valem. Um entrevistado na SIC, que optou por pôr no BPP as suas poupanças para a velhice, diz-se agora confrontado com ter de viver com a sua reforma de trezentos e tal euros mensais. As economias duma vida de trabalho, voaram.

E não vi ainda nenhum arauto da privatização das pensões ou dos esquemas pessoais de poupança, dos que passam a vida a atacar a Segurança Social, vir pedir desculpa de, com a sua verborreia de capitalismo popular, ter contribuído para convencer as pessoas, a entregar o ouro ao bandido.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O Estado Predador, de James Kenneth Galbraith.














James Kenneth Galbraith, é filho do conhecido economista John Kenneth Galbraith, autor de livros tão populares como A Sociedade da Abundância e O Novo Estado Industrial.

Para James K. Galbraith, o Estado Predador tem por base uma classe empenhada em apoderar-se do Estado, não por razões ideológicas, mas simplesmente para que isso lhes traga, individualmente ou como grupo, o máximo de dinheiro, o mínimo de incómodo ao exercício do seu o poder, e no caso de alguma coisa correr mal, a melhor oportunidade do Estado ir em seu socorro.


Apesar da retórica em contrário, não lhes interessa a redução do Estado pois, sem seu o apoio, a concretização dos seus objectivos estaria fortemente comprometida. A sua razão de ser é fazer dinheiro à custa do Estado.


Ao Governo é reservado o papel de prosseguir politicas de redução dos rendimentos dos trabalhadores e de cortes nos serviços públicos, ao mesmo tempo que faz concessões milionárias a companhias pertencentes a apoiantes, ou geridas por ex-colegas, muitas vezes sem concursos. O Governo deve correr a socorrer as grandes empresas, mas recusar-se a apoiar os cidadãos comuns.


E tudo isto, para o autor, não são anomalias ou desvios, mas sim condições endémicas e centrais do funcionamento do sistema.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

domingo, 14 de dezembro de 2008

Salvem os ricos, os contemporâneos.



Chegou a crise
Não há razão para temer
É que nesta crise
O Teixeira dos Santos vai-nos proteger
Mas neste Mundo injusto
O dinheiro está garantido
Para o pobre, o remediado
E o sem-abrigo
Mas pensa naqueles,
Os multimilionários
Ficaram sem bancos
E sem chorudos salários
E sem direito a indemnizações
Têm de pedir o aval
À sopa dos pobres dos ricos
O Banco de Portugal
O desespero tomou conta
De toda a Quinta da Marinha
Em vez de lavagante
Comem lambujinha
E vão ter de abandonar
O Conselho de Estado
O quadro do Miró
Foi penhorado
Porque esse Portugal
Já não é neo-liberal
Saberão que estamos no Natal!
O suprime limpou-lhes muitos milhões
A polícia trata-os como aldrabões
Saberão que estamos no Natal!
Salvem os ricos
Salvem os ricos
Salvem os ricos
Ajudem os milionários
Salvem os ricos
Ajudem os milionários

sábado, 13 de dezembro de 2008

What We Talk about When We Talk about Love.

















“Well, Nick and I know what love is,” Laura said. “For us, I mean,” Laura said. She bumped my knee with her knee. “You’re supposed to say something now,” Laura said, and turned her smile on me.

For an answer, I took Laura’s hand and raised it to my lips. I made a big production out of kissing her hand. Everyone was amused.
“We’re lucky,” I said.
“You guys.” Terri said. “Stop that now. You are making me sick. You’re still on the honeymoon, for God’s sake. You’re still gaga, for crying out loud. Just wait. How long have you been together now? How long has it been? A year? Longer than a year?”
“Going on a year and a half,” Laura said, flushed and smiling.
“Oh, now,” Terri said. “Wait awile.”
She held her drink and gazed at Laura.
“I´m only kidding,” Terri said.
Mel opened the gin and went around the table with the bottle.
“Here, you guys,” he said. “Let’s have a toast. I want to propose a toast. A toast to love. To true love,” Mel said.
We touched glasses.
“To love,” we said.

Extracto do conto “What We Talk about When We Talk about Love”, de Raymond Carver. Vem isto a propósito da crónica de hoje de Inês Pedrosa(*). “De que falamos quando falamos de ...”, é decididamnte uma expressão que já fizemos nossa, e mais um exemplo daquela capacidade que os grandes escritores têm de influenciar a língua que falamos; mesmo quando a língua é outra, e há um oceano pelo meio.

(*) Na Revista Única, no Expresso de 13/12/2008, “Uma crónica de amor. De que falamos quando falamos de entrega?”.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Parece que o pessoal está chateado com esta espécie de democracia.












De vez em quando aparecem uns números a confirmar o que toda a gente sente. No estudo Reforma Institucional em Portugal(*), de André Freire, diz-se que 71,5% dos eleitores não estão satisfeitos com a qualidade da democracia em Portugal. O nível de insatisfação será ainda o mais alto dos últimos 23 anos.

Tirar a limpo, com rigor, as causas desta insatisfação, implicaria talvez outro estudo, que certamente traria informações, merecedoras de novos estudos.

Mas o que nos deixaria, de certeza, admirados era um estudo a dizer que estava tudo feliz e contente com os políticos que nos governam há mais de 30 anos. Como de certa maneira somos levados a crer com as sondagens que periodicamente nos informam que cerca de 40% vamos votar no PS e quase 30% no PSD.

Talvez o nome adequado para esta aparente discrepância seja: voto resignado, versão pindérica do voto útil.

Se isto continuar a dar para o torto, ainda a malta se chateia de vez, atira a canga ao ar e, pelo menos, isto fica esclarecido. Sem necessidade de mais estudos.

(*) Referido no Público de 11/12/2008

A crise do PSD, segundo JPP.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Escola Pública: algumas perguntas sobre o problema que estamos com ele.














Diz-se, e com razão, que numa empresa só alguns chegam à Direcção ou que no Exército não são todos promovidos a general. Tal como nas escolas, em que também não chegam todos ao Conselho Executivo, ou a coordenador de Departamento.


Com a quota de 30% não se está, só para se reduzir a despesa, a dividir artificialmente aquilo que é igual? Queremos bons professores, vamos avaliá-los, e a primeira coisa que se faz é estabelecer um limite a quem o mérito vai ser reconhecido? É assim tão difícil garantir a todos os professores que o reconhecimento, maior ou menor, será de acordo com o mérito?


Embora com naturais diferenças, o objectivo não deverá ser ter,
nas salas de aulas, 100% de bons professores? E os maus, não devem ser afastados?

Um sistema de avaliação não deverá também contribuir para estimular os professores a melhorarem o seu desempenho? Que estimulo têm aqueles a quem a avaliação reconheceu o mérito, mas não couberam nos 30%? Se categoria de titular for vitalícia, qual é o estimulo para os titulares se esforçarem a melhorar ou a continuar a ser bons?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Quando isto dá para o torto.














De Corfu a Rodes, de Salónica a Creta, mais Atenas, Samos, Lesbos, Larisa, Trikala, Ioannina, Patra.

Grecia, Dezembro de 2008: desemprego 8% (22,9% entre os jovens dos 20 aos 25 anos).

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Padre António Vieira: Locutus est mutus.















Locutus est mutus: falou o Mudo. Se ele falou, como lhe chamam Mudo? Porque na Confissão há homens que ainda depois de falar são mudos. Falam pelo que dizem, e são mudos pelo que calam; falam pelo que declaram, e são mudos pelo que dissimulam; falam pelo que confessam, e são mudos pelo que negam.
...
Admirável cousa é ver muitos pecados, como se fazem, e ouvir como se confessam! Vistos fora da Confissão, e em si mesmos, são pecados, e graves pecados: ouvidos na Confissão, e com as cores de que ali se revestem, ou não parecem pecados, ou parecem virtudes. Seja exemplo (para que nos acomodemos ao lugar) o pecado, e a confissão de um grande Ministro.

Sermão da Terceira Dominga da Quaresma, em Sermões, Tomo I, Padre António Vieira, Pags. 253 e 254. Edição CEFi - Cento de Estudos de Filosofia, e Imprensa Nacional – Casa da Moeda.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

25 de Novembro de 2008, no Spectrum:
Quando isto der para o torto

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Quando for comprar sardinhas:
lembre-se dos 69, e depois compare.













Dados da Direcção-Geral das Pescas mostram que, um quilo de sardinha que custa 69 cêntimos à saída do barco, é vendida aos consumidores por 4,65 euros.

Por isto e aquilo, mais o que nos custa a gasolina e nos vai custar as trafulhices do BPN, estas formigas acham que a praga de entidades reguladoras que por aí andam a criar, só serve para duas coisas: dar a impressão de que se está a fazer alguma coisa para defender o público, e arranjar mais uns jobs para os boys.

E você, acredita em Entidades Reguladoras?