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um problema sem solução





A principio pensei que era só aqui nas formigas, mas depois comecei a reparar ali na coluna da direita, e em posts doutros blogs também há cada vez mais títulos com duas e mais linhas.
Cá por mim acho que isto na blogosfera é como nos livros, publica-se cada vez mais, e lê-se cada vez menos. Há por aí alguém que me queira convencer, que há mais de três mil visitantes por dia(*), a ler aqueles poemas em inglês que o Pacheco Pereira publica no Abrupto?
E como o pessoal não lê os textos dos posts, os bloguistas contra atacam: passamos o texto para o titulo e fazemos posts só com titulo, ou com título e um link, assim:
Um espanto
Um programa desenvolvido pelo informático das formigas, diz-nos que neste ponto do post 98% dos visitantes já se foram embora, pelo que peço desculpa aos 2% dos que ainda por cá estão, mas assim, os outros assuntos da maior relevância para a blogosfera, vão ter de ficar para o próximo post, ou para o próximo título.
Entretanto não percam Encontro de Bloggers da Alien.
(*) Numeros do blogómetro.


Porque é que não disse também aos banqueiros, “não se deixem abater pelo desânimo”, “acreditem nas vossas capacidades, não percam a vontade de vencer(*)”, em vez de se apressar a aprovar, sem vetos nem discursos aos Portugueses, o apoio do Governo ao BPN?
O BPN, no caso de já não se lembrar, é aquele banco onde pontificavam antigos Ministros e Secretários dos seus Governos, e um actual Conselheiro de Estado de sua nomeação pessoal.
(*) Mensagem de Ano Novo do Presidente da República. Texto integral aqui.

Para além da Constituição escrita, aprovada por maioria de 2/3 dos deputados, que serve de base às decisões do Tribunal Constitucional, existem por aí um rol de “constituições” ao sabor de interesses, ocasiões, ou da simples e prosaica ignorância nestas coisas de que a maioria partilhamos.
Mas vamos a exemplos, e como este vai ser um ano de eleições, comecemos pelas eleições legislativas. A Constituição diz que se trata de eleger deputados para a AR, mas para alguns políticos, comunicação social, e na prática para uma boa parte dos eleitores, estas eleições estão cada vez mais transformadas em eleições para 1ª Ministro. Lembram-se dos comentários, análises, e opiniões que punham em causa a nomeação de Santana Lopes, porque quem os portugueses tinham eleito para 1º Ministro era Durão Barroso?
Também, pelo menos desde a primeira eleição de Mário Soares para PR, os ocupantes de Belém se consideram, e muitos de nós concordam, Presidentes de todos os Portugueses. Conceito completamente alheio ao próprio regime republicano em que vivemos. Na monarquia sim, todos os Portugueses eram súbditos do Rei, que era Rei de todos os Portugueses. Agora somos cidadãos livres, não sujeitos à soberania de ninguém. Cidadãos que elegem um Presidente da República, ou seja do estado republicano, e não propriamente dos Portugueses.
Quanto à questão do Estatuto dos Açores, e no que se refere aos dois artigos em causa, parece não haver grandes dúvidas de que não se deve alterar por lei, poderes do Presidente consignados na Constituição.
Mas de acordo com a Constituição, o órgão competente para apreciar a constitucionalidade das leis é o Tribunal Constitucional. É Cavaco Silva que está a desrespeitar a Constituição ao considerar que tem a legitimidade para considerar o que é ou não constitucional. O seu poder é de, em relação a aspectos em que tenha dúvidas, solicitar ao Tribunal Constitucional que decida sobre a constitucionalidade das leis. Foi Cavaco Silva que de forma inábil e arrogante se tentou colocar acima do Tribunal Constitucional, pensando que, com a sua “influência” e mais umas manobras populistas, resolvia aquilo que, de acordo a sua opinião, é uma grave inconstitucionalidade. Se tivesse resultado, aí tínhamos outra “revisão constitucional de facto”, transferindo na prática, para o Presidente, poderes que de todo não lhe pertencem.
Mais uma vez, achamos nós, Cavaco Silva demonstra uma grande incapacidade de interpretar os poderes que cabem ao Presidente da República. Como aliás volta a fazer no discurso de Ano Novo, onde claramente se intromete por áreas que são da competência do Governo e da Assembleia da República.


Aposto que ainda não vai ser amanhã. Sempre pronto a opinar sobre tudo e mais um par de botas, Cavaco Silva continua calado, caladíssimo, no que diz respeito ao BPN.
É certo que logo que o caldo começou a entornar, fez rapidamente um comunicado a sacudir a água do capote, a dizer que não era nada com ele. Mas censurar as trafulhices que já implicaram pôr no BPN cerca de mil milhões de euros de dinheiros públicos, nada, “niente”, coisa nenhuma.
Censura tanto mais oportuna quanto entre os principais envolvidos se encontram antigos ministros e secretários dos seus governos, e até um actual Conselheiro de Estado de sua nomeação pessoal.
Para Cavaco Silva, grave, mesmo grave, a necessitar de rabecada nos telejornais, são os desacatos dos miúdos (ver aqui) que se manifestaram contra o Estatuto do aluno e lançaram ovos à Ministra, que tal como as botas atiradas ao Bush, também nem sequer acertaram no alvo.
Que tal, para começar, um discursozinho sobre os que se servem da politica, dos cargos que ocuparam, para arranjar tachos milionários e fazer negociatas à custa do Estado? Para o discurso não ficar muito longo, até escusava de citar nomes.

A necessidade individual e colectiva de aventura, o desejo de participar e fazer história, a negação caótica de qualquer tipo de política, partidos políticos, e ideias políticas “sérias”; a ruptura cultural de detestar qualquer tipo de personalidade da TV, sociólogo ou perito, que pretende analisá-los como objectos sociais, a necessidade de existir e ser ouvido pelo que se é, o entusiasmo de lutar contra as autoridades e de ridicularizar a polícia de choque, o poder no coração e o fogo nas mãos, a extraordinária experiência de atirar molotovs e pedras contra a polícia em frente do parlamento, nas zonas comerciais caras, ou na sua pequena cidade; estas são, de acordo com alguns participantes, motivações que neste mês de Dezembro têm trazido para a rua, por toda a Grécia, milhares de manifestantes. Extracto da entrevista colectiva: How to organize an insurrection, publicada em Infoshop News.
Ver também Riots push Greece to the edge, por Malcolm Brabant BBC News, Atenas, e entrevista a Babis Angurakis do PC da Grécia.
Sites do Communist Party of Greece e da Communist Organization of Greece. O site do PASOK em inglês está desactualizado, e dos Verdes só encontrámos em Grego.


Sabe-se agora que quando a bronca rebentou, os grandes investidores financeiros do BPP há muito que já tinham dado à sola. Quem ficou foram os pequenos e médios aforradores, que não estavam por dentro, e que quando as coisas dão para o torto acabam sempre por ficar à chuva.
Algumas dessas pessoas, afirmam que puseram lá o dinheiro convencidas de que se tratava de depósitos a prazo, mas que agora lhes dizem que eram aplicações financeiras; com boas remunerações, mas que hoje nada valem. Um entrevistado na SIC, que optou por pôr no BPP as suas poupanças para a velhice, diz-se agora confrontado com ter de viver com a sua reforma de trezentos e tal euros mensais. As economias duma vida de trabalho, voaram.
E não vi ainda nenhum arauto da privatização das pensões ou dos esquemas pessoais de poupança, dos que passam a vida a atacar a Segurança Social, vir pedir desculpa de, com a sua verborreia de capitalismo popular, ter contribuído para convencer as pessoas, a entregar o ouro ao bandido.
