terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A rir e a dizer que vai continuar a fazer o que fez até hoje, ou no que dá Sócrates ter rejeitado as propostas de legislação anticorrupção de Cravinho














À porta do tribunal que o condenou por tentativa de suborno, oferta de 200 000 euros ao verador José Sá Fernandes para este desistir dum processo contra a Bragaparques, Domingos Névoa, administrador da Bragaparques, sorridente, diz para as câmaras da SIC que vai continuar a fazer o que fez até hoje, o que dado o que ficou provado no julgamento sobre o comportamento do personagem, e o valor da pena aplicada, 5 000 euros, não me espanta nada.

Como também não deve espantar ninguém que tenha estado minimamente atento ao resultado do pacto de Justiça entre o PS e o PSD, e que ainda se lembre porque é que Sócrates travou as proposta de legislação anti corrupção de João Cravinho. Ou que na moção a levar ao próximo Congresso do PS, a menção que se faz à corrupção é para se congratular com as novas leis que fez aprovar, ou seja as que dão este lindo resultado.

Na grande corrupção de Estado, toda a gente tem a sensação que estamos numa situação muito complicada e em crescendo. Porque a grande corrupção considera-se impune e age em conformidade e atinge áreas de funcionamento do Estado, que afectam a ética pública. Declarações de João Cravinho ao Público de 27/7/2008.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

E se Sócrates ouvisse o que os outros dizem?










Paul De Grauwe(1), publica no Financial Times de 22/2 um artigo onde defende que os países com economias ditas rígidas, em que é mais difícil despedir e reduzir salários, resistem melhor à crise do que as economias flexíveis que nos têm andado a impingir como o supra sumo do sucesso económico. A dificuldade em despedir trabalhadores e reduzir salários abrandam o agravamento da crise, e os sistemas de segurança social que asseguram maiores contribuições de subsídio de desemprego, e por períodos mais longos, são o verdadeiro travão da crise.

Por cá quem tem defendido este tipo de politicas de combate à crise tem sido o PCP, que nas Medidas urgentes, apresentadas no início de Fevereiro, inclui o alargamento dos critérios de atribuição e do tempo de duração do subsídio de desemprego, o aumento intercalar do salário mínimo, a fiscalização dos lay-off, e um plano de combate à precariedade do emprego.

(1) Professor of international economics, University of Leuven, member of the Group of Economic Policy Analysis, advising the EU Commission President José Manuel Barroso.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O capitalismo, os gajos que andam no gamanço, e outras divagações na ressaca dum sábado de Carnaval.











Se têm visto o Maddoff com este boné e fatiota antes de lhe entregarem os carcanhóis, tinha-se evitado muita desgraça.

Não me digam nada que eu hoje estou todo lixado, se não fosse a promessa que fiz ao Eduardo de não me desbroncar cá no blog, isto hoje ficava com mais ppp(1) que os posts do Maradona, mas parece que ele já ultrapassou essa fase e agora está para ali a publicar uns posts meio sonsos como este com um gráfico a defender que o capitalismo é o maior, e bem que o capitalismo precisa de alguém que o defenda, com a bagunçada que anda por aí a armar há cada vez mais gente que o quer é ver a milhas,

mas cá para mim que estou na crise desde que desembarquei na MAC, o que me anda mesmo a deixar fu...ribundo é aquela malta que é, ou era, banqueiro, do governo, empreendedor, e vai-se a ver o que andavam mesmo a fazer era a gamar, não propriamente como o Dédé, que é um bacano cá do bairro que já passou mais anos com a farda às riscas do que com a roupa à civil, por isso é melhor dizer que os tais cartolas dos milhões andam alegadamente a subtrair, que ladrões para os da justiça é só a malta como o Dédé que assalta restaurantes e bombas de gasolina, e quando arranjou um sócio com acesso a tecnologias mais avançadas lá conseguiram arrombar uma caixa Multibanco, sai-lhes uma daquelas que pintam as notas, enfim uma perda de tempo e de talento, digo eu, que se têm ido antes para a politica estavam de certeza muito melhor, até talvez tivessem conseguido comprar um andar em conta ali no edifício Heron Castilho,

e acho que já estou é a falar de mais, a Vanessa bem me dá na mona que eu não devia andar metido nos blogs, que isto está tudo a ser vigiado, que é só malta que não interessa a ninguém, por mais que eu lhe diga que também há por cá gente decente, como a minha amiga Lupa que é caixa num supermercado e até ficou preocupada quando um casal de velhotes levou 14 bejecas e tentou pagar só 12, como se isso fizesse alguma diferença ao tio Belmiro, que devia era ser obrigado a escrever um livro a contar tintim por tintim como um gajo que nasceu pobre arranjou aquela massa toda, longe de mim duvidar que não foi tudo honesto, o que eu estou a pensar é que a gente depois fazia tudo como ele explicasse no livro, e quando chegássemos ao Verão tínhamos esta coisa da crise resolvida e até se podia tratar das eleições com todas as calmas,

não iam era contar comigo, que se alguma vez conseguir resolver a crise cá do Aristes vou logo é de férias para as ilhas Periquitas, e o máximo em que alinho é mandar o voto pelo correio, até me vai dar jeito aquele veto do Presidente a não deixar que os deputados tirassem o voto por correspondência, eu cá por principio também não gosto que se tire nada a ninguém, pena é que o Cavaco não faça também um veto para não tirarem as casas a quem fica no desemprego e não pode pagar as prestações aos bancos, mas isso se calhar já era muito complicado, e ele tem mais com que se preocupar, por exemplo com o mau ambiente que lhe andam a criar os tipos que ele tinha no Governo, e depois se o dinheiro que o Teixeira ainda lá tem vai para esses gajos da massa do BPN e do BPP, e parece que também calha algum aos outros bancos, não pode ir para outros lados, nós é que somos uns egoístas e ignorantes que não percebemos as provações que os banqueiros estão a passar,

mas como ia dizer há bocado quando se meteu a conversa das bejecas, agora vivemos em democracia, e portanto não há razão para ter medo como diz o Viegas neste post, se lá forem não deixem é de ler os comentários da Ana e do Carlos, e quando o Pedro, não é o do Fripór é o do Tarrafal, diz que há pessoal no PS que anda com medo, isso é que me deixa um bocado baralhado, se o Pedro dissesse que há quem anda com medo do PS, por exemplo os professores que não preenchem aqueles requerimentos da avaliação e depois ficam com medo que venha de lá a Margarida da DREN e lhes faça a folha como fez ao Charrua, mas mesmo que a Ana e o Carlos tenham razão, cá para mim pelo menos andam lá perto, cum caraças, um gajo também não pode estar sempre a vergar a mola, e por isso eu não vou sair daqui hoje sem dizer tudo o que tenho a dizer sobre aquela cambada de ladrões … um momento, vou só ali à porta, estão a tocar à campainha.

(1) Palavrões por polegada.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

31 da Armada, assim a modos como o recreio dum colégio chique, onde os meninos trocam irreverências, e insultam quem não é do clube.













Num dos posts mais rascas, Ainda a propósito do último Prós & Contras (2), por onde já passei, e que se resume a duas fotografias, uma do Eduardo lá do 31 com a legenda "Uma pessoa com pinta (e civilizada e educada e plural)", e outra de Isabel Moreira com a legenda "Uma outra coisa qualquer", quando o Eduardo aqui das formigas lá deixou um comentário a perguntar se "Isto de se referir a uma pessoa como "coisa", não é coisa de nazi?" o autor, Carlos do Carmo Carapinha diz na resposta ao comentário do Eduardo das formigas, que aquilo foi sem intenção, portanto o Carapinha não é de extrema direita é só ordinário, mas até ao momento ainda não fez uma notinha lá no post a dizer isso mesmo, que foi sem intenção, e já agora se pedisse desculpa à Drª Isabel só lhe ficava bem.

Comentários no post referido, entre 3 bloguistas do 31:


De Rodrigo Moita de Deus
Apesar do teu comentário, Carlos, continuo a achar a Isabel moreira bem mais gira que o ENP. Pronto. O Eduardo(1) não é mau mas não faz o meu género.

De Carlos do Carmo Carapinha
Se fosse obrigado a escolher entre um e outro, tornava-me gay.


De Rodrigo Moita de Deus
gays somos todos. a questão é outra. casavas com ele?

De Carlos do Carmo Carapinha
Lutaria por isso. Contratava a Fátima Campos Ferreira, o Daniel Oliveira e a Câncio. A primeira, como comic relief. O segundo, para arregimentar as tropas. A terceira porque tem friends in high places...

De Rodrigo Moita de Deus
O rui castro também é giraço.

De Carlos do Carmo Carapinha
É. Mas é um pouquinho obeso.

De Rui Castro

Não sejas obesofófico. Eu tb tenho direito a ser feliz.


(1) Está-se a referir ao Eduardo do 31, não confundir com o Eduardo das formigas.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Magalhães, as gajas nuas e o regresso da Censura.




















Este é o conteúdo do Magalhães que (não) afinal(1) vamos ver no Carnaval de Torres Vedras.

Agora podemos fingir que é brincadeira de Carnaval, mas a partir de 4ª feira isto tem que ser tratado muito a sério. Talvez juntamente com o caso da Policia de Intervenção a afastar os jornalistas à porta do DCIAP.


Ver noticia no Publico.


(1) Novos desenvolvimentos
20/2/2009, no Publico


Torres Vedras: Ministério Público recua e autoriza sátira ao Magalhães no Carnaval
A sátira ao computador Magalhães, que tinha sido ontem censurada por conter “conteúdo pornográfico”, afinal vai estar presente do “Monumento” do Carnaval de Torres Vedras. O autarca Carlos Miguel pediu uma autorização para colocar uma nova imagem, igual à original, no local onde agora se lê “Conteúdo removido/censurado por ordem da senhora procuradora-adjunta da Primeira Delegação do Tribunal de Torres Vedras”. A procuradora-adjunta Cristina Anjos reconsiderou e deu luz verde.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

No comments.









Cardeal D. José Saraiva Martins, Prefeito Emérito da Congregação para as Causas dos Santos


Sobre homossexualidade
A homossexualidade não é normal, temos que dizê-lo ... Não é normal no sentido de que a Bíblia diz que quando Deus criou o ser humano, criou o homem e a mulher. É o texto literal da Bíblia, portanto esse é o princípio sempre professado pela igreja.

Sobre a adopção por homossexuais
Não podem providenciar a formação das crianças, porque uma criança para ser formada normalmente precisa de um pai e de uma mãe e não de dois pais ou de duas mães.

Sobre o casamento homossexual
O ”casamento" entre pessoas do mesmo sexo é uma questão de direitos e de leis, fora da alçada da Igreja. Numa situação ideal, a Igreja e o Estado deveriam colaborar. Nestes casos, é absolutamente necessária uma colaboração sincera, autêntica e eficaz entre o Estado e a Igreja. E pode-se chegar a um acordo, cedendo um bocadinho dos dois lados. Não é opondo-se, é colaborando, é o diálogo.

Sobre o casamento com muçulmanos
É absolutamente necessário que antes de uma senhora casar com um muçulmano, tenha a certeza de que vai poder continuar depois do matrimónio a professar a sua fé cristã. Tenha a certeza de que vai poder decidir o tipo de educação a dar aos próprios filhos … não casem com muçulmanos enquanto não tiverem essas certezas.

Sobre os dois tipos de muçulmanos
O diálogo com os muçulmanos moderados é muito mais fácil. Já com os muçulmanos fundamentalistas é muito mais difícil. Os fundamentalistas concebem uma sociedade em que a religião é inseparável da política e a política da religião, nesta concepção muçulmana da sociedade é muito fácil que a política instrumentalize a religião e a religião instrumentalize a política. É evidente que [o diálogo] é muito mais difícil, mas devemos distinguir os dois tipos de muçulmanos.

Retirado dum artigo do Publico de 18/2/2009.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Esta gentinha é perigosa: será que também querem tirar os filhos aos casais homossexuais?






Adoption and Co-parenting of Children by Same-sex Couples: Position Statement

American Psychiatry Association


Felizmente, neste tempo e neste espaço, nem Estado nem Igreja, podem impedir que um casal homossexual, se ame, vá para a cama, viva junto, crie os filhos, e leve uma vida semelhante à de outros casais.


Mas a brigada dos costumes, que insiste em querer mandar na maneira como vivemos as nossa vidas, não dá tréguas. Além de posições que objectivamente encorajam a canalha homofóbica que humilha e agride homossexuais, agora, um dos argumentos que usam contra o casamento homossexual é o de que junto com o casamento, vem a adopção por casais homossexuais. E isso para eles, no superior interesse das crianças, claro, está completamente fora de questão.

E se o casamento homossexual fosse aprovado mas sem o direito à adopção, com o argumento que o exercicio de funções parentais por parte de homossexuais, é incompatível com o superior interesse das crianças?

Como é que ficam os casais homossexuais que já têm filhos (1)? No superior interesse das crianças negam-lhes os direitos e responsabilidades parentais? Vão tirar os filhos aos casais homossexuais, e entregá-los à assistência social? E os que resistirem, são presos e acusados de sequestro?

Esta gentinha, que tenta disfarçar mas lá no fundo é mesmo homofóbica, é perigosa. Sorte a nossa é que são cada vez menos.


(1) Filhos duma anterior relação heterossexual, ou por qualquer outro meio pelo qual é hoje possível ter filhos biológicos. Ou filhos adoptados quando eram solteiros.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Saudades da União Nacional?








no voice, no choice
graffiti de lowfatbrains
.

Directas do PS reelegem José Sócrates com 96%, Convenção do BE confirma Francisco Louça por 79%, Comité Central do PCP mantém Jerónimo de Sousa com 4 abstenções, e CDS reelege Paulo Portas com 96%.

O único partido que, mais recentemente, se afasta deste padrão é o PSD que na última escolha do líder repartiu os votos por 3 candidatos, tendo Manuela Ferreira Leite saído vencedora com 38%.

E o que me deixa ainda mais intrigado nisto tudo é que o PSD é precisamente o único partido que desce nas sondagens. Será que temos algum gene avesso a escolhas? Ou será saudades da União Nacional?

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A Árvore da Vida.













Darwin, na Origem das Espécies, refere que “a afinidade de todos os seres da mesma classe tem sido por vezes representada por uma grande árvore”.


Esta grande Árvore da Vida, com informação acerca da diversidade dos organismos do nosso planeta, da sua evolução e características, que o Tree of Life Web Project põe à nossa disposição, tem mais de 10 000 páginas da Web, e é o resultado do esforço e colaboração de biólogos de todo o mundo.

Os parentes, vivos, mais próximos:

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Feliz 200º aniversário Charles Robert Darwin.












Por todo o país, das Universidades à blogosfera, assinala-se este ano a passagem dos 200 anos do nascimento de Darwin.

Dentre as muitas iniciativas destacamos a exposição A Evolução de Darwin que, de 12 de Fevereiro a 24 de Maio, a Fundação Calouste Gulbenkian apresenta na sua sede em Lisboa.

O De Rerum Natura tem dado grande atenção a este aniversário, incluindo referencias a diversas iniciativas por todo o País. Recomenda-se ainda o blog Darwin 200 do Natural History Museum.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pay bankers more than other workers because their talents are so rare? You must be joking.











Question: Is banking an exceptionally difficult job or one that demands exceptional talent not required by brain surgery, fighting in Afghanistan etc?

Answer: Of course not. It is a gross misallocation of resources to pull the most talented people into a business whose true value added is modest and many of whose activities are zero sum. For the UK it has surely been a catastrophe.

The more energetic and “talented” bankers are, the bigger the risks they will take. I no more want bankers to have such characteristics than I want those who run the electricity grid to have these characteristics.

The reason even junior bankers make so much money is that they sit on the money flow, which is the result of the licence given by the state to create money. We should not give any support to the ridiculous idea that bankers really do deserve their pay in some objective sense. Even Hayek would not have supported that idea.

Special talent really isn’t needed in commercial banking. What is needed is trustworthiness, caution, scrupulousness and organisational ability. Everybody knew this until a couple of decades ago. They were right.

Isto, e mais a defesa de que os Governos devem fixar as remunerações dos gestores dos bancos que recebem apoios do Estado, num post, e noutro post, de Martin Wolf no site do Financial Times.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Igreja Anglicana proíbe clérigos de pertencerem ao BNP, partido de extrema-direita racista.












Dr. Rowan Williams, Arcebispo de Cantuária.


A Igreja Anglicana, Church of England, reunida em Sínodo votou hoje, por maioria esmagadora, a proibição de clérigos pertencerem ao BNP, British Nacional Party, partido de extrema-direita racista que só aceita membros de grupos étnicos de origem britânica de ascendência caucasiana e defende a expulsão dos imigrantes. A Igreja Anglicana pretende ainda adoptar directrizes semelhantes às da Associação de Oficiais da Polícia, que não permitem a participação de polícias em organizações que contradigam a obrigação de promover a igualdade racial.

Duas semanas antes, a 26 de Janeiro, o Papa Bento XVI levantava a excomunhão ao bispo integrista Richard Williamson, acolhendo assim na hierarquia da Igreja Católica alguém que nega o Holocausto, e diz que não houve judeus assassinados nas câmaras de gás.

O Público dedica meia página à questão central da política francesa: quem é o pai da bebé de Rachida Dati?











Rachida Dati no Tribunal Europeu: não, não se trata de questão de paternidade, é um discurso na abertura do ano Judicial de 2009.

Como Rachida Dati, Ministra da Justiça de França, que assim à primeira até parece a Ana Drago, não diz, o nosso jornalismo de investigação avança pelo método da eliminação por partes, segundo o jornal de José Manuel Fernandes, ou do Belmiro, vá-se lá saber quem manda na coisa, não é o Aznar nem o irmão François do Sarkozy, qualquer dia só vai mesmo para a política quem não tiver família, portanto se o leitor é casado, vive em união de facto ou tem uma namorada mais ou menos fixa, se for também fixe ainda melhor para si, e esteve em Paris no inicio da Primavera passada, o melhor é apressar-se a mandar um email ao Zé Manuel senão ainda se arrisca a ter confusão lá em casa, como se calhar já está a acontecer ao procurador geral do Qatar, isto de ser procurador geral só dá mesmo chatices, que se esqueceu de mandar um desmentido ao Público e acabou bufado na pagina 12 do P2 como alegado, ou putativo, pai da filha da senhora.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Contra os bretões marchar, marchar.











Já não estou a ver bem estes bifes. Primeiro foi aquela cena da carta rogatória, depois as manifs contra trabalhadores portugueses, e agora despacham o Scolari para o Centro de Emprego.


Lá temos que voltar à letra original do Hino.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Crónica dos bons patrões, por Manuela Ferreira Leite.






Haverá por aqui mais alguns que eu possa despedir?



Numa semana em que se multiplicaram as notícias da forma como os patrões começam a aproveitar as “oportunidades da crise”: encerramento de actividades, layoffs e despedimentos, em muito casos sem fundamentação económica e no desrespeito da legislação em vigor; a Drª Manuela Ferreira Leite, que além de ser doutra época parece também viver noutra dimensão, vem tentar convencer-nos, na sua semanal crónica do Expresso, que “A responsabilidade social das empresas tem-se afirmado e progredido ao longo dos últimos anos e traduz a consciência social dos empresários e o seu relevante papel numa mais justa redistribuição de rendimentos”.

Provavelmente estava a pensar em Américo Amorim, que de acordo com o ranking dos podres de rico é o rico mais rico de Portugal, e que sem perder tempo se chegou logo à frente, anunciando o despedimento de 193 trabalhadores, a maioria dos quais com salários mensais entre os 500 e 600 euros.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Do lado errado dos Direitos do Homem: Paulo Portas, Governo PSD/CDS de Santana Lopes, Marinha Portuguesa e Tribunais Administrativos.










29-08-04, 17:15 hours: The Portugese Navy circles the Women on Waves ship and orders the captain to stop approaching Portugal. Photo: Nadya Peek for Women on Waves.

Em Agosto de 2004, sob as ordens de Paulo Portas, então Ministro da Defesa do Governo PSD/CDS liderado por Santana Lopes, a Marinha Portuguesa sujeitou-se a uma triste figura, quando navios de guerra portugueses barraram a entrada em águas portuguesas ao Borndiep, navio fretado pela Women on Waves.

A organização holandesa Women on Waves, pretendia acostar a um porto português para fazer a bordo reuniões e prestar esclarecimentos sobre a interrupção voluntária da gravidez, acção coincidente com a discussão da despenalização do aborto que então tinha lugar em Portugal. Recorde-se que o aborto era então punido com pena que podia ir até aos 3 anos de prisão.

A queixa apresentada pela WOW no Tribunal Administrativo de Coimbra, de violação dos direitos à liberdade de expressão, de reunião e de manifestação, foi rejeitada, o mesmo acontecendo ao recurso interposto para o Supremo Tribunal Administrativo Português.

Mais tarde a Women on Waves e mais duas organizações portuguesas Clube Safo, e Não te Prives, Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais, apresentaram queixa no Tribunal Europeu, European Court of Human Rights (EcHR), que em 3/2/2009, por unanimidade dos juízes que julgaram a queixa, considera que as medidas tomadas contra o “Borndiep” foram desproporcionadas e condena Portugal por violação do artigo 10 – Liberdade de Expressão - da Convenção dos Direitos do Homem.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Actualize o seu dicionário: em futebolês goal average quer dizer diferença de golos.








Estádio do Belenenses, Restelo, Lisboa.

Segundo o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, entre cujos membros há antigos juízes de Direito e provavelmente também especialistas duma variante do Inglês até agora desconhecida, "a expressão goal average é a diferença de golos marcados e sofridos”.

Para o Beleneses, que com esta sábia decisão fica afastado das meias-finais da Taça da Liga, esta é uma sentença sem recurso na justiça desportiva. E ainda há quem não confie na justiça à portuguesa.

Nota: Ver neste blog do Blasfémias, comentário com referencias ao Regulamento da Liga e ao Código Civil.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Os lucros da BP, ou a crise quando nasce não é para todos.







Imagem do art not oil, utilizada na campanha BP leave Lake Michigan alone!

Com lucros do 3º trimestre de 2008 na ordem dos dez mil milhões de $US(1), 148% acima do mesmo período do ano anterior, os accionistas da inglesa BP têm razões para estar felizes, à custa da desgraça dos outros.


O secretário-geral do sindicato GMB, escandalizado com estes números, chamou a atenção para o facto de coincidirem com o período em que o barril de petróleo atingiu os 147 $US, e em que os motoristas pagavam 1,2 libras (cerca de 1,8 euros na altura) por um litro de combustível, e insiste no pedido para que o Governo e as autoridades financeiras, controlem a especulação no mercado petrolífero, que devastou a economia real e agravou a inflação.

E por cá, quando é que o Governo mete na ordem as petrolíferas obrigando-as a fazer reflectir nos preços que pagamos nas bombas de gasolina, as descidas para menos de metade do preço do barril de petróleo? Não resolvia a crise, mas ajudava.

(1) Apenas em tres meses o equivalente a 158 contos por cada português.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Como fechar ruas ao trânsito, remover sinalização luminosa, e reduzir espaços de estacionamento, pode melhorar o tráfego duma cidade.












Há uns anos urbanistas de Seoul que substituíram uma auto-estrada com seis vias, por um parque com 5 milhas de extensão, constataram com alguma surpresa, que o tráfego da cidade tinha melhorado com a supressão daquela importante via de comunicação, em vez de ter piorado como seria de esperar.

Isto vem num artigo da Scientific American(1), que acrescenta ainda que adicionar capacidade extra numa rede viária pode diminuir a capacidade global da rede, o que também vai contra a sabedoria do senso comum.

No artigo defende-se ainda em certos casos a remoção de sinalização luminosa, e que a redução do espaço de estacionamento nas cidades é também um importante contributo para a melhoria do tráfego. Em São Francisco, os novos projectos de construção, não podem ter uma área para estacionamento superior a sete por cento do total da área útil do edifício.

O autor deste post não tem a mínima ideia se isto faz algum sentido, ou se é apenas mais um daqueles artigos sensacionalistas com que periodicamente somos brindados. Mas o estado lastimoso a que chegaram o trânsito e o estacionamento de Lisboa, e de outras cidades do País, devem manter-nos abertos a tudo aquilo que possa ajudar a resolver o problema. Passo a palavra aos urbanistas e especialistas de transportes.

(1) Detours by Design: How closing streets and removing traffic lights speed up urban travel, Scientific American, February 2009.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O ovo de Colombo para a avaliação dos professores: com o apoio do ministério, dos professores e dos partidos.











Então é assim: cada professor escolhe um avaliador externo, pago pelo Ministério da Educação, se trabalhar na OCDE melhor ainda, entrega-lhe uns relatórios sobre o que andou a fazer, e indica-lhe com quem deve falar. Com base nisto o avaliador faz a avaliação de desempenho do professor, e atribui-lhe a respectiva classificação.

Como é óbvio este modelo contará com o apoio do Ministério da Educação e do PS; se é bom para avaliar o ministério, inclusive com os rasgados elogios do 1º Ministro, também serve para avaliar os professores.

Depois de umas quantas rondas negociais, e uns posts do Guinote, os professores não deixarão também de dar o seu acordo; no fundo o modelo não difere muito do que a frente sindical apresentou para o corrente ano lectivo.

Quantos aos partidos da oposição, uma vez que mete avaliador externo, ou seja mais uma oportunidade de pôr os privados a mamar na teta do Estado, o PSD, que em primeiro lugar propôs a avaliação externa, não deixará de apoiar; o PCP apoiará o que o professor Nogueira achar melhor, ou vice versa, mas como diz a Teresa, isso agora não interessa nada; o BE pelo carácter fracturante do modelo em relação ao que ainda está em vigor, também não se vai opor; e o CDS, que nesta fase inicial do namoro tem de bater a bola baixinho, se for bom para o PS, não irá certamente levantar grandes problemas.

Está a ver como com um pouco de imaginação e boa vontade, e quando menos se esperava, o tal pseudo relatório da OCDE, que o Governo nos fará o favor de dizer quanto custou, ainda vai servir também de inspiração para resolver um imbróglio que nunca mais acabava.

Nota: Para ver como se cozinhou o tal relatório auto-elogioso consulte os Anexos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

David Foster Wallace













Tropecei por acaso em David Foster Wallace, na Internet quero dizer, quando há uns tempos procurava um dicionário de uso de Inglês, e fui parar a um artigo publicado em 2001 no Harper’s Magazine, Tense Present: Democracy, English, and the Wars over Usage, que com o pretexto duma “review” do A Dictionary of Modern American Usage, by Bryan A. Garner, tem sobretudo a ver com o interesse visceral de DFW pelas palavras, e pelo que elas significam na vida das pessoas.

Num próximo post voltarei a David Foster Wallace, para falar dos contos e romances do autor de Infinite Jest que nos deixou por vontade própria em Setembro do ano passado, mas hoje fica aqui um pequeno extracto do artigo daquele primeiro encontro, que embora usando palavras com mais letras do que estamos habituados em Inglês, particularmente na sua variante americana, e um grau de dificuldade um pouco acima do Inglês técnico da tal universidade, não é assim tão exigente como isso:

Issues of tradition vs. egalitarianism in U.S. English are at root political issues and can be effectively addressed only in what this article hereby terms a "Democratic Spirit." A Democratic Spirit is one that combines rigor and humility, i.e., passionate conviction plus sedulous respect for the convictions of others. As any American knows, this is a very difficult spirit to cultivate and maintain, particularly when it comes to issues you feel strongly about. Equally tough is a D.S.'s criterion of 100 percent intellectual integrity — you have to be willing to look honestly at yourself and your motives for believing what you believe, and to do it more or less continually.

This kind of stuff is advanced U.S. citizenship. A true Democratic Spirit is up there with religious faith and emotional maturity and all those other top-of-the-Maslow-Pyramid-type qualities people spend their whole lives working on. A Democratic Spirit's constituent rigor and humility and honesty are in fact so hard to maintain on certain issues that it's almost irresistibly tempting to fall in with some established dogmatic camp and to follow that camp's line on the issue and to let your position harden within the camp and become inflexible and to believe that any other camp is either evil or insane and to spend all your time and energy trying to shout over them.

I submit, then, that it is indisputably easier to be dogmatic than Democratic, especially about issues that are both vexed and highly charged. I submit further that the issues surrounding "correctness" in contemporary American usage are both vexed and highly charged, and that the fundamental questions they involve are ones whose answers have to be "worked out" instead of simply found.


E se isto lhe aguçou o interesse, ou a curiosidade, e mesmo que aquilo que menos lhe interessa seja mais um dicionário, ainda por cima de uso, que é um dicionário com menos palavras, dissecadas por vezes de forma um pouco para o pedante, então salte já a pés juntos: Tense Present: Democracy, English, and the Wars over Usage.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O Freeport de Alcochete e os indícios: serão líquidos? serão gasosos? sólidos não são certamente, porque a PGR é que fala assim.









Flamingos na zona de Alcochete

Num mesmo dia, no longínquo ano de 2002, um Governo de saída aprova em Conselho de Ministros, o projecto do Freeport de Alcochete e a alteração que retira da Zona de Protecção do Estuário do Tejo a área de construções daquele projecto. E aqui, vejo duas hipóteses: ou se trata duma discutível concepção do interesse público que deve ser objecto de discussão e avaliação politica; ou estamos perante uma situação em que, por meios mais ou menos ilícitos, o interesse privado se sobrepôs ao interesse público: um caso de polícia.


E como há de facto indícios de falcatrua, seria bom que a PJ e a PGR investigassem com a celeridade e competência que esperamos delas, esclareçendo o que for possível deslindar, em vez de continuarem a assistir a fugas de informação e a desdobrarem-se em declarações extemporâneas e ridículas como as de não haver indícios sólidos(1) em relação ao Eng. Sócrates.

Os julgamentos na comunicação social, e blogosfera, por muito entretenimento que possam proporcionar, são mais um sintoma da situação pantanosa a que chegámos, no que respeita à corrupção, fraude financeira, crime de colarinho branco, offshores, branqueamento de dinheiro, e sei lá que mais. E aqui sim, está provado, o Eng. Sócrates tem pesadas culpas no cartório. Não foi ele que se opôs ao pacote Cravinho de combate à corrupção? Que abençoou o Pacto de Justiça cozinhado por um selecto grupo do PS e PSD? E os resultados estão à vista. Sabe quantas pessoas estão presas a cumprir pena por crime de corrupção? Arrisque um número e depois compare aqui.

E se alguém, nas oposições, pensa que vai tirar proveitos eleitorais destas manobras, o melhor é tirar o cavalo da chuva. Ou o homem sai reforçado desta provação, como vítima merecedora de todo o respeito e solidariedade, e de mais alguns votos. Ou mesmo que a coisa desse para o torto, não era grande a desgraça para o PS que, com alguma dor e melhor proveito, podia, da noite para o dia, ver-se livre do engenheiro e respectiva tralha, e avançar com um elenco renovado, para uma segunda maioria absoluta.

Escolhesse o PS continuar na mesma linha, ou mudar de direcção e enfrentar os novos desafios que aí estão, não seria difícil encontrar por lá alguém com melhores credenciais do que as do desgastado 1º Ministro. E isto não é sequer sobrevalorizar o PS. Como dizia a Zezinha acerca do Paulinho, à Drª Ferreira Leite até o rato Mickey ganhava.

Com Sócrates ou sem Sócrates, aqui está uma oportunidade oferecida ao PS para antecipar as eleições, antes que a crise começe a doer ainda mais a sério.


(1) No Expresso de 24/1/2009.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Há por aí alguém com pachorra para me explicar o que é que há de "fracturante", ou de "questão de consciência complicada", no casamento homossexual?











E estava aqui o Aristes convencido que isto de casar ou não casar, era coisa que dizia respeito a quem queria, ou não queria, casar ou não casar, e afinal se os dois casantes forem do mesmo balneário, alto aí, então é coisa “fracturante”, é coiso e tal e “questão de consciência complicada”.


E quando me recordam que a lei não deixa, não sei porquê vêem-me à ideia aquelas leis que havia no EUA e na África do Sul em que, branco não casava com negra, e negro com branca, isso então era melhor nem sequer pensar.

E com medo de que pessoal se esqueça dele, aí vem outra vez o avô do regime botar sentença: "Os casamentos entre homossexuais são (questões) de consciência complicadas, ... eu estaria mais inclinado, se estivesse na minha mão, … para acabar com as desigualdades sociais, dar mais prestígio ao trabalho, aos trabalhadores e aos sindicatos". Ó homem, então porque é que não se inclinou, quando tinha a faca e o queijo na mão?

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Não deixar morrer a Fábrica Bordalo Pinheiro.












Com falta de encomendas, sem dinheiro para pagar salários, dívidas à Segurança Social, e a crise que aí está, a Fábrica Bordalo Pinheiro, segue os passos da indústria cerâmica da região, e corre o risco de encerrar um dia destes, pondo no desemprego mais 170 trabalhadores.

Embora com cerca de 90% do negócio na exportação, a Bordalo Pinheiro, empresa nacional, não tem merecido da parte do Governo a atenção dispensada, por exemplo, às estrangeiras AutoEuropa e Quimonda. Para que servem, se é que existem, as tais linhas de crédito para as PME de que ouvimos falar todos os dias?

Dispondo de um espólio de mais de mil moldes originais, e de artesãos e técnicos capazes de continuar a recriar figuras tão emblemáticas como o Zé Povinho ou o São Jorge e o Dragão, esta fábrica de cerâmica das Caldas da Rainha faz parte do património vivo do País, e também por isso não a devemos deixar morrer.

Para além da chamada de atenção, e da exigência para que o Governo não fique mais uma vez a olhar para o lado, vamos lá mostrar a nossa solidariedade, e toca a ir já comprar um Zé Povinho, ou outra das belas peças de cerâmica criadas pelo talento de Rafael Bordalo Pinheiro.













Peças pertencentes ao Museu Bordallo Pinheiro (Zé Povinho e azulejos) e Colecção Berardo (vaso).


Ver Catálogo da Fábrica.


NOTA em 25/2/2009
Carta Aberta ao Presidente da República, ao Primeriro Ministro e ao Presidente da Assembleia de República. Pode ler e assinar aqui.