segunda-feira, 20 de abril de 2009

Do que a nossa comunicação social evita falar
Chile sues banks over hidden Pinochet accounts.










Não há volta a dar, Ricardo Salgado deve uma explicação clara e completa, sem se esconder atrás do sigilo bancário, sobre o que se passou com a delegação de Miami do BES e os dinheiros de Pinochet. E escusa de fazer aquele ar furibundo e acusar os outros de terem “uma estranha e patológica obsessão pelo BES”.

E já agora por onde andará o tal de 4º poder? Porque será que a nossa comunicação social só refere isto a propósito das declarações de Francisco Louçã e das respostas de Ricardo Salgado? E porque continua a assobiar para o lado, como se um processo ao BES por um Governo estrangeiro, com a acusação de cumplicidade com o ditador Pinochet no roubo de dinheiro dos chilenos, não fosse um assunto importante de ser tratado? Deixaram de receber os despachos da Associated Press e da Reuters ? Ou estão com medo que o BES lhes corte a publicidade, como em tempos fez ao Expresso?

MIAMI (AP), March 12, 2009 - Chile's government has filed lawsuits against four banks claiming those institutions were negligent or had deliberately helped former Chilean dictator Augusto Pinochet conceal about $26 million in public funds allegedly stolen over several decades.
The lawsuits filed Wednesday in federal court in Miami claim the banks were complicit in the alleged theft of the Chilean funds by Pinochet and others reputedly assisting him. The Chilean government seeks an unspecified amount of damages, although that would likely run into the tens of millions of dollars.

"More tragically, some of these financial institutions went beyond mere negligence, and instead chose to knowingly and actively assist Pinochet in concealing the source and true ownership of the substantial funds being deposited into their institutions," the lawsuits by Chile's government legal office allege.
….
Pinochet, one of Latin America's most notorious dictactors, seized power in a bloody 1973 military coup that ousted Marxist President Salvador Allende, who died in the overthrow. Pinochet embarked on a long campaign to root out leftists, with an official government report concluding some 3,197 people died or disappeared for political reasons before Pinochet left power in 1990. He continued to serve as army commander-in-chief and as a Chilean senator until 2004, dying two years later at 91.

The government lawsuits name Pittsburgh-based PNC Financial Services Group Inc.; Spain's Banco Santander; Espirito Santo Bank of Portugal; and the Bank of Chile. In the case of the foreign banks, the lawsuits focus on transactions handled mainly by their Miami- or U.S.-based subsidiaries.

Associated Press

Reuters, Santiago do Chile, 13 de Março de 2009.
Chile sues Miami bank branches over Pinochet funds.

domingo, 19 de abril de 2009

Pior que empresários submissos ao poder politico, é o poder politico submisso aos empresários, mas disso o Senhor Presidente não fala.










"O pior que nos poderia acontecer era a crise acentuar a tendência, bem nociva para o País, de algumas empresas procurarem a protecção ou o favor do Estado para a realização dos seus negócios.

Empresários e gestores submissos em relação ao poder político não são, geralmente, empresários e gestores com fibra competitiva e com espírito inovador. Preferem acantonar-se em áreas de negócio protegidas da concorrência, com resultado garantido."

Da intervenção no 4º Congresso dos Empresários e Gestores Cristãos, 17 Abril 2009.

E cá ficamos todos a aguardar a análise do Prof. Cavaco Silva sobre a fibra competitiva e o espírito inovador dos empresários que mandam no poder político. Onde eles andam acantonados já nós temos uma ideia.

sábado, 18 de abril de 2009

Coisas que nem o Comendador Marques de Correia consegue ver.













"Outra coisa que eu gostava de ver, mas não consigo, é a enorme diferença de políticas que existe entre o PS e o PSD.
É seguramente abissal, tanto mais que os partidários de um e de outro berram consistentemente as suas razões no Parlamento.

Mas do mesmo modo que os daltónicos não vêem as cores que estão à vista de tantos outros, assim não vejo eu o que o PS fez que o PSD não teria feito, naquilo que é importante. Por exemplo, na banca, nos salários, nos impostos, na saúde, na educação, na justiça, na defesa, na Europa, na política externa."

da Carta Aberta do Comendador Marques de Correia, no Expresso de 18/4/2009.

sábado, 4 de abril de 2009

Mensagem recebida, senhores generais
Jaime Neves, militar de Novembro, promovido a general.











"Apesar de já me terem garantido que isso é verdade ainda não quero acreditar, não acredito que os responsáveis militares e políticos tenham tanta falta de bom senso e de decoro, não há quaisquer razões políticas ou militares que justifiquem uma decisão dessas, vai contra todas as regras, o seu 'curriculum' militar não o justifica e se isto acontecer estaremos perante um acto que em minha opinião indignificará o Exército e as Forças Armadas", declarações do coronel Vasco Lourenço à Lusa.

Depois de tão mal terem tratado os militares de Abril, as chefias das Forças Armadas, promovem a general um militar reformado há 20 anos, o coronel Jaime Neves, de triste 25 de Novembro memória.


Num gesto simbólico, e um pouco mais subtil do que o acto de vassalagem da “brigada do reumático” em vésperas do 25 de Abril de 1974, os senhores chefes das Forças Armadas informam-nos, para que conste, onde estão as suas simpatias.

Mensagem entendida, senhores generais.

terça-feira, 31 de março de 2009

Por onde anda Domingos Névoa?
Pela Braval, empresa multimunicipal, pela mão do bloco central.












Em 1999 a Câmara de Braga transforma os Serviços Municipalizados na empresa publica AGERE. Mais tarde a AGERE passou a empresa de capitais maioritariamente públicos, sendo 49% do seu capital social vendido ao consórcio Gestwater, SGPS, formado pelas empresas ABB, DST e BragaParques. Os restantes 51% pertencem à Câmara de Braga.

A BRAVAL é uma empresa multimunicipal, que procede à valorização e tratamento dos resíduos sólidos no Baixo Cávado, sociedade composta pela Agere, que detém mais de dois terços do capital social, e pelos municípios de Póvoa de Lanhoso, Amares, Vila Verde, Terras de Bouro e Vieira do Minho.

No dia 28 de Março de 2009 a Assembleia Geral da Braval elegeu, por unanimidade, um novo Conselho de Administração presidido por Domingos Névoa, administrador da Bragaparques, pela ex-vereadora do PS da Póvoa de Varzim, Rita Araújo, indicada por Braga, e pelo social-democrata Luís Amado Costa, indicado pela autarquia de Póvoa de Lanhoso.

Domingos Névoa, para quem já não se lembre, foi condenado recentemente por corrupção activa para acto lícito, num processo em que era acusado de tentar subornar o vereador da Câmara de Lisboa José Sá Fernandes, para que desistisse de uma acção penal por contestação do negócio de permuta dos terrenos do Parque Mayer, pertencentes à Bragaparques, da qual é administrador.

Agora já estão a perceber para que servem as parcerias público privado? E porque o pacote de legislação anti-corrupção apresentado por João Cravinho foi rejeitado por Sócrates?


Adenda. Posições de partidos políticos:
BE: Alegre condena nomeação de Névoa e Bloco lança petição
PCP: Sobre as notícias em torno da Braval

Nova adenda
Depois do caso atingir dimensões de escândalo público PS, PSD e CDS, fizeram declarações tentando sacudir a água do capote.
Domingos Névoa demitiu-se. Esperemos que outros lhe sigam o exemplo.

sábado, 28 de março de 2009

As tiradas de Cavaco
Se não houver trânsito não há benefício.








Todos a contribuir para a riqueza nacional.


Vindo deste lado, a defesa do investimento produtivo, só podia mesmo passar pelas estradas do costume. Ó senhor, porque é que não se lembrou das bejecas? Que só há benefício se a gente as beber.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Uma fábula de Manhattan
Bernie Madoff e a vingança das lagostas,
por Woddy Allen











Two weeks ago, Abe Moscowitz dropped dead of a heart attack and was reincarnated as a lobster. Trapped off the coast of Maine, he was shipped to Manhattan and dumped into a tank at a posh Upper East Side seafood restaurant. In the tank there were several other lobsters, one of whom recognized him. “Abe, is that you?” the creature asked, his antennae perking up.

“Who’s that? Who’s talking to me?” Moscowitz said, still dazed by the mystical slam-bang postmortem that had transmogrified him into a crustacean.

“It’s me, Moe Silverman,” the other lobster said.

“O.M.G.!” Moscowitz piped, recognizing the voice of an old gin-rummy colleague. “What’s going on?”

“We’re reborn,” Moe explained. “As a couple of two-pounders.”

“Lobsters? This is how I wind up after leading a just life? In a tank on Third Avenue?”

“The Lord works in strange ways,” Moe Silverman explained. “Take Phil Pinchuck. The man keeled over with an aneurysm, he’s now a hamster. All day, running at the stupid wheel. For years he was a Yale professor. My point is he’s gotten to like the wheel. He pedals and pedals, running nowhere, but he smiles.”

Moscowitz did not like his new condition at all. Why should a decent citizen like himself, a dentist, a mensch who deserved to relive life as a soaring eagle or ensconced in the lap of some sexy socialite getting his fur stroked, come back ignominiously as an entrée on a menu? It was his cruel fate to be delicious, to turn up as Today’s Special, along with a baked potato and dessert. This led to a discussion by the two lobsters of the mysteries of existence, of religion, and how capricious the universe was, when someone like Sol Drazin, a schlemiel they knew from the catering business, came back after a fatal stroke as a stud horse impregnating cute little thoroughbred fillies for high fees. Feeling sorry for himself and angry, Moscowitz swam about, unable to buy into Silverman’s Buddha-like resignation over the prospect of being served thermidor.

At that moment, who walked into the restaurant and sits down at a nearby table but Bernie Madoff. If Moscowitz had been bitter and agitated before, now he gasped as his tail started churning the water like an Evinrude.

“I don’t believe this,” he said, pressing his little black peepers to the glass walls. “That goniff who should be doing time, chopping rocks, making license plates, somehow slipped out of his apartment confinement and he’s treating himself to a shore dinner.”

“Clock the ice on his immortal beloved,” Moe observed, scanning Mrs. M.’s rings and bracelets.

Moscowitz fought back his acid reflux, a condition that had followed him from his former life. “He’s the reason I’m here,” he said, riled to a fever pitch.

“Tell me about it,” Moe Silverman said. “I played golf with the man in Florida, which incidentally he’ll move the ball with his foot if you’re not watching.”

“Each month I got a statement from him,” Moscowitz ranted. “I knew such numbers looked too good to be kosher, and when I joked to him how it sounded like a Ponzi scheme he choked on his kugel. I had to do the Heimlich maneuver. Finally, after all that high living, it comes out he was a fraud and my net worth was bupkes. P.S., I had a myocardial infarction that registered at the oceanography lab in Tokyo.”

“With me he played it coy,” Silverman said, instinctively frisking his carapace for a Xanax. “He told me at first he had no room for another investor. The more he put me off, the more I wanted in. I had him to dinner, and because he liked Rosalee’s blintzes he promised me the next opening would be mine. The day I found out he could handle my account I was so thrilled I cut my wife’s head out of our wedding photo and put his in. When I learned I was broke, I committed suicide by jumping off the roof of our golf club in Palm Beach. I had to wait half an hour to jump, I was twelfth in line.”

At this moment, the captain escorted Madoff to the lobster tank, where the unctuous sharpie analyzed the assorted saltwater candidates for potential succulence and pointed to Moscowitz and Silverman. An obliging smile played on the captain’s face as he summoned a waiter to extract the pair from the tank.

“This is the last straw!” Moscowitz cried, bracing himself for the consummate outrage. “To swindle me out of my life’s savings and then to nosh me in butter sauce! What kind of universe is this?”

Moscowitz and Silverman, their ire reaching cosmic dimensions, rocked the tank to and fro until it toppled off its table, smashing its glass walls and flooding the hexagonal-tile floor. Heads turned as the alarmed captain looked on in stunned disbelief. Bent on vengeance, the two lobsters scuttled swiftly after Madoff. They reached his table in an instant, and Silverman went for his ankle. Moscowitz, summoning the strength of a madman, leaped from the floor and with one giant pincer took firm hold of Madoff’s nose. Screaming with pain, the gray-haired con artist hopped from the chair as Silverman strangled his instep with both claws. Patrons could not believe their eyes as they recognized Madoff, and began to cheer the lobsters.

“This is for the widows and charities!” yelled Moscowitz. “Thanks to you, Hatikvah Hospital is now a skating rink!”

Madoff, unable to free himself from the two Atlantic denizens, bolted from the restaurant and fled yelping into traffic. When Moscowitz tightened his viselike grip on his septum and Silverman tore through his shoe, they persuaded the oily scammer to plead guilty and apologize for his monumental hustle.

By the end of the day, Madoff was in Lenox Hill Hospital, awash in welts and abrasions. The two renegade main courses, their rage slaked, had just enough strength left to flop away into the cold, deep waters of Sheepshead Bay, where, if I’m not mistaken, Moscowitz lives to this day with Yetta Belkin, whom he recognized from shopping at Fairway. In life she had always resembled a flounder, and after her fatal plane crash she came back as one.


Abafado do The New Yorker.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Os lucros da EDP, ou a crise quando nasce não é para todos.






Com um lucro antes de impostos de 1504 milhões de euros em 2008, mais 203 milhões do que em 2007, os accionistas da EDP têm razões para estar felizes, à custa, entre outros, dos utentes que pagam mais 16% pela electricidade, e 41% pelo gás, do que a média da União Europeia.

Mesmo que os portugueses pagassem a energia ao preço da média da UE, os lucros da EDP continuariam acima dos mil milhões de euros, mais exactamente 1280 milhões de euros, valor que em cinco anos seria suficiente para pagar qualquer coisa como o novo aeroporto de Alcochete, estimado em seis mil milhões de euros.


Com um negócio monopolista e a permissão de cobrar tarifas bem acima da média europeia, a EDP beneficia ainda de impostos mais reduzidos do que o comum das empresas. Enquanto o Sr. Antunes da mercearia da esquina paga 25% de IRC, a EDP vai pagar, calculem, 18,9%, o que sobre os tais 1 504 milhões dá um bónus de 92 milhões de euros. O leitor fará o favor de ver quantos totolotos é que isto dá.

Por isso da próxima vez que lhe vierem com o paleio de que a crise vem lá de fora, não se esqueça de quem anda também a fazer a crise cá dentro. Como se as crises, a lá de fora e a cá de dentro, não fossem o resultado da exploração desenfreada dos que tudo podem, até levar à exaustão aqueles a quem cabe, sempre coube, pagar as facturas, todas as facturas.
Até um dia!

Nota: Dados retirados dum estudo de Eugénio Rosa.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A propósito do Euro 2004, do Portugal Novo, e do que não podemos exigir à PSP.








Euro 2004 nas ruas e praças de Lisboa.



Na semana em que somos surpreendidos com o que o Fernando refere como, O Texas é cá, encontro aqui um artigo sobre o estudo Psychology, Public Policy and Law da University of Liverpool, dedicado à actuação da polícia portuguesa no Euro 2004.

Segundo o estudo, no Europeu de 2000 na Holanda e Bélgica, a polícia destacou para os jogos de alto risco uma média de 1 polícia para cada 2 fãs, no Euro 2004 a média foi de 1 para 14, tendo as detenções de adeptos ingleses em 2000 sido cerca de 150 vezes superiores, em média, às efectuadas em 2004 (1).

Este êxito da policia portuguesa teve a ver com a orientação de manter um perfil baixo e de não recorrer a tácticas agressivas, por exemplo não colocando polícias com equipamento anti-motim próximo dos adeptos. Sem retirar o mérito à PSP, terão também sido factores decisivos para este êxito, a proverbial hospitalidade dos portugueses e o clima de confraternização e festa criado à volta do Euro 2004.


Quando a PSP é chamada a intervir na Quinta da Fonte ou no Portugal Novo, estamos perante questões bem mais sérias e graves do que o hooliganismo de fãs violentos, estamos perante problemas sociais gritantes, que mais de trinta anos de democracia não resolveram, e que a presente crise tenderá a agravar.


Não venham pois, a comunicação social, os motoristas de táxis, os blogs, e até, pasme-se, o ex-ministro da Administração Interna Dr. António Costa, mais empenhado em defender o Eng. Sócrates da "campanha negra", do que em resolver o muito que está mal em Lisboa, exigir à PSP a resolução de problemas que, ao longo de décadas, Governos, Câmaras Municipais e outras autoridades avulsas, não só têm ignorado, como em resultado das suas políticas e intervenções têm vindo, de facto, a agravar.


(1) O incidente mais grave do Euro 2004 ocorreu em Albufeira, longe de qualquer estádio, e onde a intervenção coube à GNR que, na situação, recorreu a tácticas opostas às que a PSP utilizou nos jogos de risco.

domingo, 8 de março de 2009

Versão pós-moderna duma fábula de Esopo:
A multiplicação dos coelhos do BE e a desmultiplicação do Coelho do PS.










Nesta versão pós-moderna duma fábula de Esopo, ouvida ontem à noite no Bairro Alto, enquanto os coelhos do BE passam a vida no truca truca, e alegadamente a fumar uns charros nos intervalos, no PS temos um Coelho esforçado, que se desmultiplica pelos Conselhos de Administração da Mota Engil, Martifer, e sei lá eu que mais.

O que é que o Coelho do PS tem a ver com a concessão do terminal de contentores de Alcântara à Mota Engil, ou com a atribuição pelo Governo do euromilhões dos painéis solares que hão-de aquecer os lares dos portugueses, à Martifer e à Siemens, deixando as outras duas mil empresas de painéis na mais completa escuridão, é coisa que se o prezado leitor ainda não descobriu, também não espere que seja eu a contar-lhe.

Moral da estória: enquanto as duas notas de cem do Dr. Louça estão para ali meio sonsas, incapazes de dar uma queca, quanto mais de se reproduzirem, os milhões de eurós dos patrões do Eng. Coelho, sem crise ou com crise, não param de se multiplicar.

sábado, 7 de março de 2009

Slow Food













A Slow Food é uma associação internacional sem fins lucrativos, fundada em 1989 como resposta aos efeitos padronizantes do fast food; ao ritmo frenético da vida atual; ao desaparecimento das tradições culinárias regionais; ao decrescente interesse das pessoas na sua alimentação, na procedência e sabor dos alimentos e em como nossa escolha alimentar pode afetar o mundo.


Pode consultar aqui: Manual Slow Food, Manifesto, Folheto e Apresentação do Slow Food.

sexta-feira, 6 de março de 2009

São fans do Harry Potter, mas depois dizem que lêem o 1984.














Mais cedo ou mais tarde vai sempre aparecer um estudo ou uma sondagem a confirmar aquilo que o prezado leitor já desconfiava há muito tempo. Hoje cabe a vez ao Publico de nos dar conta dum inquérito, daqueles que se fazem nos sites da Internet, no caso o World Book Day, em que cerca de dois terços dos respondentes confessam que já se gabaram de ter lido livros que nunca leram.


O livro que mais pessoas, 42% do total, referiram como tendo lido, sem que tal tenha acontecido, é o 1984 de George Orwell, o que me deixa a mim próprio em dúvida sobre se alguma vez li de facto aquele livro. Aliás Orwell, socialista e combatente na Guerra Civil de Espanha nas milícias do Partido Operário de Unificação Marxista, é provavelmente também o autor mais citado por quem nunca o leu e, nessa função de fornecedor de citações, uma espécie de guru da direita iluminada.


Voltando aos números do inquérito, embora sem informação sobre o universo da amostra, podem tentar adivinhar se vos disser que à pergunta de quais os autores que realmente apreciam, no topo das preferências dos 1342 inquiridos estão JK Rowling, 61%, e John Grisham, 32%.


É pena não haver também uma pergunta sobre quem leu livros que não foram escritos, o que até podia ser um conforto para o esforçado candidato a líder, que talvez assim pudesse refoçar a prova que, até nesta coisa de leituras, está bem no meio daquela mediania que todos lhe reconhecemos.

Mas um numerozinho do resultado que até se poderá aceitar lá por Inglaterra, mas não bate certo por estas bandas, é 48% admitirem que lêem os livros que compram para oferecer, antes de os fazerem chegar aos felizes destinatários. Vá lá... ouvir um CD ou ver um DVD que vamos oferecer, tudo bem, agora ter a trabalheira de ler um livro, desculpem mas não é connosco.

E se alguém se lembrar de por cá fazer um Inquérito sobre estas coisas, não se esqueça de perguntar quem é que já leu aqueles livros que nos ofereceram pelo Natal, no aniversário, ou nos muito publicitados dias dos namorados, mães, pais, crianças e avós; ou ainda quem é que dispõe mesmo do seu precioso tempo, a ler a maioria dos livros encalhados lá por casa.

Nota: Dados dum artigo do Guardian, bem mais interessante do que o do Público.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O Correio da Manha, Pinto da Costa e Carolina Salgado: vamos lá fingir que aconteceu para ajudar a vender mais uns jornais.















Não, Pinto da Costa não se está a rir de Carolina Salgado ter sido insultada e agredida à porta do tribunal, mas doutra coisa qualquer, sabe-se lá onde, sabe-se lá quando, só que o alegado jornalista deve ter achado que Pinto da Costa apesar de nem sequer ali estar, podia ter estado, e se não riu, poderia ter rido, e vai daí sai uma fotomontagem para a primeira página do alegado jornal, que isto os tempos estão difíceis e a concorrência é feroz, e se o estimado leitor se esforçar o suficiente consegue ver lá uma letrinhas pequenas a desdizer baixinho, o que a imagem apregoa bem alto a quem quer que olhe para a alegada notícia.

terça-feira, 3 de março de 2009

O tigre branco, de Aravind Adiga, ou a globalização vista do lado de lá.
















Distinguido com o Man Booker Prize de 2008, o livro de Aravind Adiga, uma longa carta dirigida ao primeiro ministro chinês Wen Jiabao de visita a Bangalore(1), dá-nos, com humor negro e sarcasmo, uma visão realista e deprimente da Índia dos nossos dias, através dos olhos dum jovem nascido numa pequena vila do Norte da Índia, da sua peregrinação desde a patética escola de aldeia, pela casa de chá para onde vai trabalhar aos oito anos, como motorista duma família rica na capital Nova Delhi, e na altura em que a carta é escrita, já empresário de sucesso, dono duma empresa de táxis em Bangalore, capital high tech da Índia e grande fornecedora de serviços de call center aos EUA.
Enquanto não temos tradução, um pequeno extracto no original da carta de Balram Halwai, o tigre branco, a Sua Excelência Wen Jiabao:


To begin with, let me tell you of my great admiration for the ancient nation of China. I read about your history in a book, Exciting Tales of the Exotic East, that I found on the pavement, back in the days when I was trying to get some enlightenment by going through the Sunday secondhand book market in Old Delhi. This book was mostly about pirates and gold in Hong Kong, but it did have some useful background information too: it said that Chinese are great lovers of freedom and individual liberty. The British tried to make you their servants, but you never let them do it. I admire that, Mr. Premier.
I was a servant once, you see.

Only three nations have never let themselves be ruled by foreigners: China Afghanistan and Abyssinia. These are the only three nations I admire.
Out of respect for the love of liberty shown by the Chinese people, and also in the belief that the future of the world lies with the yellow man and the brown man now that our erstwhile master, the white-skinned man, has wasted himself through buggery, mobile phone usage, and drug abuse, I offer to tell you, free of charge, the truth about Bangalore.
By telling you my life story.

Apparently, sir, you Chinese are far ahead of us in every respect, except that you don´t have entrepreneurs. And our nation, though it has no drinking water, electricity, sewage system, public transportation, sense of hygiene, discipline, courtesy, or punctuality, does have entrepreneurs. Thousands and thousands of them. Especially in the field of technology. And these entrepreneurs – we entrepreneurs – have set all these outsourcing companies that virtually run America now.

(1) Wen Jiabao visitou de facto Bangalore em Abril de 2005.

Nota
O Bibliotecário de Babel informa-nos que uma tradução do Tigre Branco, da Presença, chegará às livrarias em Março.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Spam aconselha spam, contra spam.









E entre o lixo que me despejam diariamente na caixa de Email, eis que surge um spam que me aconselha a fazer spam contra o spam que os estimados fornecedores se habituaram a juntar às sempre inoportunas facturas mensais, via caixa de correio tradicional. Com os agradecimentos ao spammer:


Cada vez com mais frequência recebemos publicidade indesejada metida nas contas do telefone, luz, água, cartões de crédito, etc. Muitas vezes esta propaganda vem acompanhada de um envelope resposta, com "não precisa de selo: o selo será pago por..."

Meta nesses envelopes pré-pagos a publicidade recebida, e ponha-a de volta no correio. Caso queira preservar a sua privacidade retire tudo aquilo que possa eventualmente identificá-lo.

Este é um método que funciona muito bem para ofertas de cartões, empréstimos, e outros produtos e serviços não solicitados. Portanto, não deite fora esses envelopes RSF. Ao devolvê-los com a propaganda recebida, está a fazer com que essas empresas paguem duas vezes pela publicidade enviada.

E pode também aproveitar para meter no envelope aqueles anúncios que já não lhe fazem falta: da pizzaria do bairro, da florista, do canalizador, do oculista, ou do fabricante de marquises de alumínio.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O que vale é que isto não é a Festa do Avante, senão estava bem tramado…










Já viram o que me acontecia se isto fosse a Festa do Avante, vinham de lá os gajos da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos dizer que isto era só benefício, que as bejecas, as sandochas, e os recheios variados que fazem da rulote do Aristes a melhor da zona, caía tudo do céu, que não me custavam nada, que toda a massa que entrava em caixa era lucro, e eu nem queria acreditar mas é o que estavam a aplicar à Festa do Avante que, tenho de admitir, ainda é onde se consegue comer umas pataniscas ao nível das que a Vanessa faz às 6ªas feiras cá para o nosso estabelecimento itinerante,

é que o José Miguel Antunes Fernandes(1), o Jorge Manuel Senica Galamba Marques e o Pedro Manuel Travassos de Carvalho, da tal ECFP, que é assim uma malta cheia de licenciaturas, mestrados, doutoramentos e o mais que podem ver aqui, mas quando chega a altura de verificarem as contas não conseguem distinguir entre receitas brutas e líquidas, e vai daí foi preciso meter o Tribunal Constitucional ao barulho para ficarem a saber que o que deve entrar nas "receitas de angariação de fundos” é o “resultado líquido” e não “a receita bruta",

ou seja os tipos lá das Contas têm de passar a contar com as receitas e com as despesas, o que mesmo com o estado a que chegou o Ensino, qualquer bacano do 1º ano da Escola Comercial contaria com certeza, por isso, cá para mim, não me conseguem desconvencer que se a Festa do Avante fosse dalgum daqueles partidos que costumam andar pelo Governo, os manos não teriam deixado de contar como deviam.

(1) Substituído em Fevereiro de 2009 por Maria Margarida do Rego da Costa Salema d’Oliveira Martins

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Petição on-line em defesa da fábrica Bordalo Pinheiro.













aqui tínhamos chamado a atenção para a difícil situação da Fábrica Bordalo Pinheiro. Agora voltamos ao assunto para falar duma Carta Aberta ao Presidente da República, ao Primeiro-ministro e ao Presidente da Assembleia da República, e petição on-line aberta à subscrição de todos, em que se apela a uma intervenção do Estado no sentido de:

- salvaguardar que o espólio do artista Bordalo Pinheiro (moldes, desenhos e peças originais) se mantenha na fábrica e seja a matriz de uma nova estratégia de qualidade e afirmação da marca Bordalo Pinheiro;

- aprofundar a inventariação, estudo, preservação e divulgação deste espólio, promovendo o reconhecimento de uma faceta menos consagrada deste artista;

- salvar uma fábrica única pela sua história e pelo saber especializado daqueles que aí trabalham, assegurando a transmissão deste na formação de futuras gerações, de modo a fazer também desta empresa um lugar de ensino;

- estimular, simultaneamente, a renovação da marca Bordalo Pinheiro, envolvendo nomes prestigiados e novos valores do design e das artes;


- contribuir para a definição de uma estratégia que reposicione a marca Bordalo Pinheiro num segmento de mercado de excelência, a nível nacional e internacional, investindo na sua divulgação, marketing e distribuição.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A rir e a dizer que vai continuar a fazer o que fez até hoje, ou no que dá Sócrates ter rejeitado as propostas de legislação anticorrupção de Cravinho














À porta do tribunal que o condenou por tentativa de suborno, oferta de 200 000 euros ao verador José Sá Fernandes para este desistir dum processo contra a Bragaparques, Domingos Névoa, administrador da Bragaparques, sorridente, diz para as câmaras da SIC que vai continuar a fazer o que fez até hoje, o que dado o que ficou provado no julgamento sobre o comportamento do personagem, e o valor da pena aplicada, 5 000 euros, não me espanta nada.

Como também não deve espantar ninguém que tenha estado minimamente atento ao resultado do pacto de Justiça entre o PS e o PSD, e que ainda se lembre porque é que Sócrates travou as proposta de legislação anti corrupção de João Cravinho. Ou que na moção a levar ao próximo Congresso do PS, a menção que se faz à corrupção é para se congratular com as novas leis que fez aprovar, ou seja as que dão este lindo resultado.

Na grande corrupção de Estado, toda a gente tem a sensação que estamos numa situação muito complicada e em crescendo. Porque a grande corrupção considera-se impune e age em conformidade e atinge áreas de funcionamento do Estado, que afectam a ética pública. Declarações de João Cravinho ao Público de 27/7/2008.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

E se Sócrates ouvisse o que os outros dizem?










Paul De Grauwe(1), publica no Financial Times de 22/2 um artigo onde defende que os países com economias ditas rígidas, em que é mais difícil despedir e reduzir salários, resistem melhor à crise do que as economias flexíveis que nos têm andado a impingir como o supra sumo do sucesso económico. A dificuldade em despedir trabalhadores e reduzir salários abrandam o agravamento da crise, e os sistemas de segurança social que asseguram maiores contribuições de subsídio de desemprego, e por períodos mais longos, são o verdadeiro travão da crise.

Por cá quem tem defendido este tipo de politicas de combate à crise tem sido o PCP, que nas Medidas urgentes, apresentadas no início de Fevereiro, inclui o alargamento dos critérios de atribuição e do tempo de duração do subsídio de desemprego, o aumento intercalar do salário mínimo, a fiscalização dos lay-off, e um plano de combate à precariedade do emprego.

(1) Professor of international economics, University of Leuven, member of the Group of Economic Policy Analysis, advising the EU Commission President José Manuel Barroso.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O capitalismo, os gajos que andam no gamanço, e outras divagações na ressaca dum sábado de Carnaval.











Se têm visto o Maddoff com este boné e fatiota antes de lhe entregarem os carcanhóis, tinha-se evitado muita desgraça.

Não me digam nada que eu hoje estou todo lixado, se não fosse a promessa que fiz ao Eduardo de não me desbroncar cá no blog, isto hoje ficava com mais ppp(1) que os posts do Maradona, mas parece que ele já ultrapassou essa fase e agora está para ali a publicar uns posts meio sonsos como este com um gráfico a defender que o capitalismo é o maior, e bem que o capitalismo precisa de alguém que o defenda, com a bagunçada que anda por aí a armar há cada vez mais gente que o quer é ver a milhas,

mas cá para mim que estou na crise desde que desembarquei na MAC, o que me anda mesmo a deixar fu...ribundo é aquela malta que é, ou era, banqueiro, do governo, empreendedor, e vai-se a ver o que andavam mesmo a fazer era a gamar, não propriamente como o Dédé, que é um bacano cá do bairro que já passou mais anos com a farda às riscas do que com a roupa à civil, por isso é melhor dizer que os tais cartolas dos milhões andam alegadamente a subtrair, que ladrões para os da justiça é só a malta como o Dédé que assalta restaurantes e bombas de gasolina, e quando arranjou um sócio com acesso a tecnologias mais avançadas lá conseguiram arrombar uma caixa Multibanco, sai-lhes uma daquelas que pintam as notas, enfim uma perda de tempo e de talento, digo eu, que se têm ido antes para a politica estavam de certeza muito melhor, até talvez tivessem conseguido comprar um andar em conta ali no edifício Heron Castilho,

e acho que já estou é a falar de mais, a Vanessa bem me dá na mona que eu não devia andar metido nos blogs, que isto está tudo a ser vigiado, que é só malta que não interessa a ninguém, por mais que eu lhe diga que também há por cá gente decente, como a minha amiga Lupa que é caixa num supermercado e até ficou preocupada quando um casal de velhotes levou 14 bejecas e tentou pagar só 12, como se isso fizesse alguma diferença ao tio Belmiro, que devia era ser obrigado a escrever um livro a contar tintim por tintim como um gajo que nasceu pobre arranjou aquela massa toda, longe de mim duvidar que não foi tudo honesto, o que eu estou a pensar é que a gente depois fazia tudo como ele explicasse no livro, e quando chegássemos ao Verão tínhamos esta coisa da crise resolvida e até se podia tratar das eleições com todas as calmas,

não iam era contar comigo, que se alguma vez conseguir resolver a crise cá do Aristes vou logo é de férias para as ilhas Periquitas, e o máximo em que alinho é mandar o voto pelo correio, até me vai dar jeito aquele veto do Presidente a não deixar que os deputados tirassem o voto por correspondência, eu cá por principio também não gosto que se tire nada a ninguém, pena é que o Cavaco não faça também um veto para não tirarem as casas a quem fica no desemprego e não pode pagar as prestações aos bancos, mas isso se calhar já era muito complicado, e ele tem mais com que se preocupar, por exemplo com o mau ambiente que lhe andam a criar os tipos que ele tinha no Governo, e depois se o dinheiro que o Teixeira ainda lá tem vai para esses gajos da massa do BPN e do BPP, e parece que também calha algum aos outros bancos, não pode ir para outros lados, nós é que somos uns egoístas e ignorantes que não percebemos as provações que os banqueiros estão a passar,

mas como ia dizer há bocado quando se meteu a conversa das bejecas, agora vivemos em democracia, e portanto não há razão para ter medo como diz o Viegas neste post, se lá forem não deixem é de ler os comentários da Ana e do Carlos, e quando o Pedro, não é o do Fripór é o do Tarrafal, diz que há pessoal no PS que anda com medo, isso é que me deixa um bocado baralhado, se o Pedro dissesse que há quem anda com medo do PS, por exemplo os professores que não preenchem aqueles requerimentos da avaliação e depois ficam com medo que venha de lá a Margarida da DREN e lhes faça a folha como fez ao Charrua, mas mesmo que a Ana e o Carlos tenham razão, cá para mim pelo menos andam lá perto, cum caraças, um gajo também não pode estar sempre a vergar a mola, e por isso eu não vou sair daqui hoje sem dizer tudo o que tenho a dizer sobre aquela cambada de ladrões … um momento, vou só ali à porta, estão a tocar à campainha.

(1) Palavrões por polegada.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

31 da Armada, assim a modos como o recreio dum colégio chique, onde os meninos trocam irreverências, e insultam quem não é do clube.













Num dos posts mais rascas, Ainda a propósito do último Prós & Contras (2), por onde já passei, e que se resume a duas fotografias, uma do Eduardo lá do 31 com a legenda "Uma pessoa com pinta (e civilizada e educada e plural)", e outra de Isabel Moreira com a legenda "Uma outra coisa qualquer", quando o Eduardo aqui das formigas lá deixou um comentário a perguntar se "Isto de se referir a uma pessoa como "coisa", não é coisa de nazi?" o autor, Carlos do Carmo Carapinha diz na resposta ao comentário do Eduardo das formigas, que aquilo foi sem intenção, portanto o Carapinha não é de extrema direita é só ordinário, mas até ao momento ainda não fez uma notinha lá no post a dizer isso mesmo, que foi sem intenção, e já agora se pedisse desculpa à Drª Isabel só lhe ficava bem.

Comentários no post referido, entre 3 bloguistas do 31:


De Rodrigo Moita de Deus
Apesar do teu comentário, Carlos, continuo a achar a Isabel moreira bem mais gira que o ENP. Pronto. O Eduardo(1) não é mau mas não faz o meu género.

De Carlos do Carmo Carapinha
Se fosse obrigado a escolher entre um e outro, tornava-me gay.


De Rodrigo Moita de Deus
gays somos todos. a questão é outra. casavas com ele?

De Carlos do Carmo Carapinha
Lutaria por isso. Contratava a Fátima Campos Ferreira, o Daniel Oliveira e a Câncio. A primeira, como comic relief. O segundo, para arregimentar as tropas. A terceira porque tem friends in high places...

De Rodrigo Moita de Deus
O rui castro também é giraço.

De Carlos do Carmo Carapinha
É. Mas é um pouquinho obeso.

De Rui Castro

Não sejas obesofófico. Eu tb tenho direito a ser feliz.


(1) Está-se a referir ao Eduardo do 31, não confundir com o Eduardo das formigas.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O Magalhães, as gajas nuas e o regresso da Censura.




















Este é o conteúdo do Magalhães que (não) afinal(1) vamos ver no Carnaval de Torres Vedras.

Agora podemos fingir que é brincadeira de Carnaval, mas a partir de 4ª feira isto tem que ser tratado muito a sério. Talvez juntamente com o caso da Policia de Intervenção a afastar os jornalistas à porta do DCIAP.


Ver noticia no Publico.


(1) Novos desenvolvimentos
20/2/2009, no Publico


Torres Vedras: Ministério Público recua e autoriza sátira ao Magalhães no Carnaval
A sátira ao computador Magalhães, que tinha sido ontem censurada por conter “conteúdo pornográfico”, afinal vai estar presente do “Monumento” do Carnaval de Torres Vedras. O autarca Carlos Miguel pediu uma autorização para colocar uma nova imagem, igual à original, no local onde agora se lê “Conteúdo removido/censurado por ordem da senhora procuradora-adjunta da Primeira Delegação do Tribunal de Torres Vedras”. A procuradora-adjunta Cristina Anjos reconsiderou e deu luz verde.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

No comments.









Cardeal D. José Saraiva Martins, Prefeito Emérito da Congregação para as Causas dos Santos


Sobre homossexualidade
A homossexualidade não é normal, temos que dizê-lo ... Não é normal no sentido de que a Bíblia diz que quando Deus criou o ser humano, criou o homem e a mulher. É o texto literal da Bíblia, portanto esse é o princípio sempre professado pela igreja.

Sobre a adopção por homossexuais
Não podem providenciar a formação das crianças, porque uma criança para ser formada normalmente precisa de um pai e de uma mãe e não de dois pais ou de duas mães.

Sobre o casamento homossexual
O ”casamento" entre pessoas do mesmo sexo é uma questão de direitos e de leis, fora da alçada da Igreja. Numa situação ideal, a Igreja e o Estado deveriam colaborar. Nestes casos, é absolutamente necessária uma colaboração sincera, autêntica e eficaz entre o Estado e a Igreja. E pode-se chegar a um acordo, cedendo um bocadinho dos dois lados. Não é opondo-se, é colaborando, é o diálogo.

Sobre o casamento com muçulmanos
É absolutamente necessário que antes de uma senhora casar com um muçulmano, tenha a certeza de que vai poder continuar depois do matrimónio a professar a sua fé cristã. Tenha a certeza de que vai poder decidir o tipo de educação a dar aos próprios filhos … não casem com muçulmanos enquanto não tiverem essas certezas.

Sobre os dois tipos de muçulmanos
O diálogo com os muçulmanos moderados é muito mais fácil. Já com os muçulmanos fundamentalistas é muito mais difícil. Os fundamentalistas concebem uma sociedade em que a religião é inseparável da política e a política da religião, nesta concepção muçulmana da sociedade é muito fácil que a política instrumentalize a religião e a religião instrumentalize a política. É evidente que [o diálogo] é muito mais difícil, mas devemos distinguir os dois tipos de muçulmanos.

Retirado dum artigo do Publico de 18/2/2009.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Esta gentinha é perigosa: será que também querem tirar os filhos aos casais homossexuais?






Adoption and Co-parenting of Children by Same-sex Couples: Position Statement

American Psychiatry Association


Felizmente, neste tempo e neste espaço, nem Estado nem Igreja, podem impedir que um casal homossexual, se ame, vá para a cama, viva junto, crie os filhos, e leve uma vida semelhante à de outros casais.


Mas a brigada dos costumes, que insiste em querer mandar na maneira como vivemos as nossa vidas, não dá tréguas. Além de posições que objectivamente encorajam a canalha homofóbica que humilha e agride homossexuais, agora, um dos argumentos que usam contra o casamento homossexual é o de que junto com o casamento, vem a adopção por casais homossexuais. E isso para eles, no superior interesse das crianças, claro, está completamente fora de questão.

E se o casamento homossexual fosse aprovado mas sem o direito à adopção, com o argumento que o exercicio de funções parentais por parte de homossexuais, é incompatível com o superior interesse das crianças?

Como é que ficam os casais homossexuais que já têm filhos (1)? No superior interesse das crianças negam-lhes os direitos e responsabilidades parentais? Vão tirar os filhos aos casais homossexuais, e entregá-los à assistência social? E os que resistirem, são presos e acusados de sequestro?

Esta gentinha, que tenta disfarçar mas lá no fundo é mesmo homofóbica, é perigosa. Sorte a nossa é que são cada vez menos.


(1) Filhos duma anterior relação heterossexual, ou por qualquer outro meio pelo qual é hoje possível ter filhos biológicos. Ou filhos adoptados quando eram solteiros.