sábado, 9 de janeiro de 2010

Mitos urbanos
Em Portugal é mais fácil um cidadão divorciar-se do que despedir um empregado.




















À força de ser repetido por tudo o que é direita nesta terra, este é um daqueles mitos urbanos que se prepara para ultrapassar um outro muito famoso, o dos crocodilos gigantes que vivem e se reproduzem nos esgotos de New York.

Em vez de, como historiador, referir que a decisão de consagrar na lei o casamento de duas pessoas do mesmo sexo se insere num vasto movimento de abolição de descriminações e de respeito pela liberdade e cidadania, Rui Ramos, que além de cronista palonço também é autor duma História de Portugal, debita, na sua crónica de hoje no Expresso, umas banalidades desconchavadas e de inegável "originalidade", como esta dos divórcios e despedimentos.

Com historiadores como este, faça como eu, fique-se pela História de Portugal do Herculano que, embora um pouco desactualizada, é de alguém que usava a cabeça para pensar e escrever.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

domingo, 3 de janeiro de 2010

No dia dos 50 anos da Fuga de Peniche
Na Rua António Maria: A placa que alguns querem esconder, e a canção que não vamos esquecer.








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E veja o post do Spectrum, aqui:
http://spectrum.weblog.com.pt/arquivo/2010/01/o_edificio_da_p.html

Na Rua António Maria
da primaz instituição
vive a maior confraria
desta válida nação

E muita matula brava
ainda teimava
que havia de vir
um dia assim de repente
para toda a gente
voltar a sorrir

Mas eles Conceição(*) vão
lamber as botas
comer à mão
dum novo Pina Manique
com outra lábia
com outro tique

Tem quatro letras pequenas
Mas outro nome não dão
Nesta fortaleza antiga
Só não muda a guarnição

E muita matula ufana
cuidando que a mana
morrera de vez
deu graças
à D. Urraca
ao som da ressaca
que o pagode fez

Mas eles Conceição vão
lamber as botas
comer à mão
dum novo Pina Manique
com outra lábia
com outro tique

Na Rua António Maria
convenha a todos saber
a patriótica espia
sabe bem onde morder
vela p´la nossa morada
no vão de uma escada

Sem se anunciar
e oferece a quem bem destina
um quarto de esquina
com vistas pró mar

Mas eles Conceição vão
lamber as botas
comer à mão
dum novo Pina Manique
com outra lábia
com outro tique

Aldeia da roupa branca
suja de já não corar
O Zé Povo foi pra França
não se cansa de esperar

O capataz da fazenda
pôs a quinta à venda
para quem mais der
e os donos marcaram tentos
com novos intentos
doa a quem doer

Mas eles Conceição vão
lamber as botas
comer à mão
dum novo Pina Manique
com outra lábia
com outro tique


Letra e música de José Afonso

(*) Refere-se a Conceição Matos, militante comunista presa e torturada diversas vezes pela Pide.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Façamos de 2010 o Ano de todos os Referendos…
Mais algumas sugestões para quem não passa sem essas cenas.










Já está na internet a petição on line para a realização doutro Referendo, agora para perguntar:

Concorda que o casamento possa ser celebrado entre pessoas de sexo diferente?

E como alguns católicos andam tão empenhados a pedir o referendo ao casamento homossexual, talvez não fosse má ideia aproveitar para saber se o pessoal também quer o:

Casamento dos padres

Acesso das mulheres ao sacerdócio.

E o prezado leitor, que Referendo deseja em 2010?

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Casamento homossexual e adopção
O verdadeiro e real sentimento do povo socrático.











A desculpa de Sócrates para o casamento de 2ª que propõe para os homossexuais é de que o Programa Eleitoral do PS não refere a adopção. Nem é preciso porque a adopção por homossexuais já é hoje não só possível, como prática corrente.

Aliás para proibir a adopção no caso de casamentos homossexuais será necessário introduzir na lei mais essa descriminação. E que nos conste também não há no Programa Eleitoral do PS nada sobre proibir a adopção no caso dos casamentos homossexuais.

Embalados pelo sucesso da anterior sondagem decidimos recorrer de novo aos especialistas que por aqui fazem um pouco de moonlighting, para inquirirem junto do povo socrático, com sigilo absoluto e prometendo não contar nada ao chefe, qual o seu, do dito povo socrático, real e verdadeiro sentimento face ao casamento homossexual e à adopção, e o resultado só podia ser o que todos esperávamos:
  • O bom Povo Português não está preparado para tanta paneleirice 87%
  • A dona Júlia do 2º direito deixava de votar no PS 39 %
  • As crianças ficariam traumatizadas quando descobrissem que os pais eram dois larilas, ou duas fufas 26%
  • A culpa disto tudo é dos comunistas e do BE 112%
  • A homossexualidade ainda vira moda e acabam-se os portugueses antes mesmo do alto da Torre ser submerso pelo degelo provocado pelo aquecimento global 18%
  • Estão à espera da lei para se casarem e adoptarem um puto1,5 %
  • Estão fartos do Sócrates mas têm de bater a bola baixo: não sabem/não respondem

domingo, 27 de dezembro de 2009

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Grupo de Leitura do jornal “Avante”, no Facebook
Porque será que se inscrevem 580 pessoas num Grupo de Leitura e ninguém comenta?








"Rodrigo is such a thoughtful farmer and just fertilized Carla Vanessa in FarmVille!"



Uma cigarra amiga chamou-nos a atenção para o Grupo de Leitura do Jornal “Avante” no Facebook, que não é da autoria da Dona Joana Lopes, mas dum blog chamado Ai Portugal Portugal, um nome bem à maneira, que até foi um dos que pensámos cá para as formigas, mas foi-se a ver e já estava ocupado.

Lá fomos espreitar na expectativa de entrever animadíssimos debates entre Rita Rato, Carlos Brito e Odete Santos, mas a verdade é que por ali no pasa nada. Bem se interroga um bacano que lá deixou um comentário: “Porque será que se inscrevem 580 pessoas num Grupo de Leitura e ninguém comenta?”

Procurando esclarecer tão pungente inquietação, resolvemos fazer uma sondagem entre os comunistas nossos conhecidos, que são poucos, mais os comunistas nossos amigos, que ainda são menos, e o resultado, embora sem o rigor daquelas sondagens da Católica que põem sempre o Cavaco e o PS à frente, será de certeza a melhor resposta que aquela mente inquisitiva alguma vez terá na vida.

Porque é que se inscreveu e não comenta no Grupo de Leitura do jornal “Avante” ?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

As voltas que o Natal dá...















Como outras datas do calendário cristão o Natal teve origens pagãs, os festejos do solstício de Inverno celebrado por druidas, egípcios, hebreus, chineses... Na Roma antiga, desde o século III AC, festejavam-se as Saturnais, entre 17 e 23 de Dezembro, com sacrifícios no templo de Saturno, grandes banquetes, troca de prendas, e às vezes orgias.

Só a partir do século IV DC a data de 25 de Dezembro começa a ser assinalada como a do nascimento de Jesus. No entanto ao longo de toda a Idade Média o nascimento de Cristo era celebrado no início de Janeiro, na festa da Epifania associada também à visita dos Reis Magos.

Quanto ao tradicional presépio, o primeiro de que há noticia terá sido montado em argila por São Francisco de Assis em 1223, e a partir daí o costume foi-se difundindo pelo mundo cristão, mas desde o século passado começou a cair em desuso a favor da árvore de natal, igualmente associada a antigas festas pagãs do solstício.

Hoje e cada vez mais, o Natal é a festa laica da Família com o convívio à volta da ceia e/ou do almoço de Natal e a inevitável troca de prendas que, para os de mais tenra idade, são trazidas pelo Pai Natal, personagem nórdico, agora naturalizado americano e ao serviço da Coca Cola.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Contributo para uma polémica entre o 5 Dias e o Arrastão
Killing In The Name, The Rage Against the Machine, é top do Natal em Inglaterra.



Killing in the name of!

Some of those that work forces
are the same that burn crosses.
Some of those that work forces
are the same that burn crosses.
Some of those that work forces
are the same that burn crosses.
Some of those that work forces
are the same that burn crosses. Uggh!

Killing in the name of!
Killing in the name of!

And now you do what they told ya
And now you do what they told ya
And now you do what they told ya
And now you do what they told ya
And now you do what they told ya
And now you do what they told ya
And now you do what they told ya
And now you do what they told ya
And now you do what they told ya
And now you do what they told ya
And now you do what they told ya
And now you do what they told ya

Those who died
are justified
for wearing the badge, they're the chosen whites
You justify
those that died
by wearing the badge, they're the chosen whites
Those who died
are justified
for wearing the badge, they're the chosen whites
You justify
those that died
by wearing the badge, they're the chosen whites

Some of those that work forces
are the same that burn crosses.
Some of those that work forces
are the same that burn crosses.
Some of those that work forces
are the same that burn crosses.
Some of those that work forces
are the same that burn crosses.

Killing in the name of!
Killing in the name of!

And now you do what they taught ya
And now you do what they taught ya
And now you do what they taught ya
And now you do what they taught
And now you do what they taught ya, now you're under control
And now you do what they taughtya, now you're under control
And now you do what they taughtya, now you're under control
And now you do what they taught ya, now you're under control
And now you do what they taught ya, now you're under control
And now you do what they taught ya, now you're under control
And now you do what they taught ya, now you're under control
And now you do what they taught ya!!!

Those who died
are justified
for wearing the badge, they're the chosen whites
You justify
those that died
by wearing the badge, they're the chosen whites
Those who died
are justified
for wearing the badge, they're the chosen whites
You justify
those that died
by wearing the badge, they're the chosen whites
Come on!

(Guitar Solo)
Uggh!

Yeah! Come on! Uggh!

(Get louder until 9th by which time shouting)
Fuck you, I won't do what you tell me.
Fuck you, I won't do what you tell me.
Fuck you, I won't do what you tell me.
Fuck you, I won't do what you tell me.
Fuck you, I won't do what you tell me.
Fuck you, I won't do what you tell me.
Fuck you, I won't do what you tell me.
Fuck you, I won't do what you tell me.
FUCK YOU, I WON'T DO WHAT YOU TELL ME!!
FUCK YOU, I WON'T DO WHAT YOU TELL ME!!
FUCK YOU, I WON'T DO WHAT YOU TELL ME!!
FUCK YOU, I WON'T DO WHAT YOU TELL ME!!
FUCK YOU, I WON'T DO WHAT YOU TELL ME!!!
FUCK YOU, I WON'T DO WHAT YOU TELL ME!!!
FUCK YOU, I WON'T DO WHAT YOU TELL ME!!!
FUCK YOU, I WON'T DO WHAT YOU TELL ME!!!

MOTHERFUCKER!!!! Ugh!!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Argumentos, de peso, contra o casamento homossexual















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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Os novos "negreiros", versão século XXI
Agora num Centro Comercial ou supermercado perto de si.










À boleia do Código de Trabalho PS, a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), que representa a chamada “distribuição moderna”, que inclui hipers e supermercados e lojas como a FNAC e a IKEA, quer impor aos trabalhadores um regime de trabalho que pode ir até às 60 horas de trabalho semanal, com o poder adicional de fixarem de véspera o número de horas que o trabalhador é obrigado a prestar.

Para o CESP (Sindicato do Comércio e Serviços), a pretensão daquelas empresas é desumana, e faria da vida dos trabalhadores/as e das suas famílias um "inferno". Por isso apresentou já um pré-aviso de Greve para o próximo dia 24 de Dezembro.

Para estas formigas, com greve ou sem greve, este 24 de Dezembro vai ser um dia sem compras na “distribuição moderna???”, e vamos todas ficar muito atentas às posições das empresas onde deixamos ficar mensalmente uma boa parte dos nossos ordenados.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Bons padrinhos, é o que é
Para quem andava por aí intrigado como é que Catherine Ashton obteve o lugar.












Momento emocionante, a último encontro com Catherine Ashton (na foto) na sua qualidade de comissária do Comércio, na véspera de assumir o seu novo cargo de Ministra dos Negócios Estrangeiros da UE.”

sábado, 5 de dezembro de 2009

Armando Vara vai mostrar contas bancárias
Será que ele também pôs os robalos no banco?












Ou os 10 000 euros que os jornais dizem que ele terá alegadamente recebido em dinheiro vivo?

“Quer demonstrar não corresponderem à verdade as suspeitas de tráfico de influências e recebimento de dinheiro em notas.”

Mas como é que as contas bancárias demonstram que não recebeu dinheiro em notas? Alguém explica?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A propósito do muito que se tem dito, e escrito, sobre a queda do Muro de Berlim

"É necessário recordar que uma economia planificada não é necessariamente o socialismo"












A afirmação é de Albert Einstein no artigo Why Socialism? que, numa tradução que deixa muito a desejar, pode também ler aqui em português.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Importa lembrar o papel de Lénine e dos seus companheiros, diz o Avante
E também de como acabaram muitos deles, digo eu.









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"Noventa e dois anos passados importa lembrar o papel de Lénine e dos seus companheiros que, à frente do Partido Bolchevique e com o apoio do povo, optaram pela ... construção de uma sociedade liberta da exploração do homem do homem."

Como por exemplo os homens e mulheres que faziam parte do Comité Central do Partido Bolchevique aquando da Revolução da Outubro. Vítimas da Guerra Civil ou de doença, dos 26 de 1917 em 1935 já só restavam 17. Desses 17, 13 são eliminados entre 1935 e 1940, a maioria nos anos negros de 1937/38.

Do C.C. de 1917 escapam com vida das purgas Alexandra Kollontai, fora do país, a primeira mulher a desempenhar as funções de Embaixadora, Matvei Muranov, afastado em 1939, Elena Stassova, e claro Stalin, o “grande e amado líder”, que a cada vez mais descabelada facção anti-democrática e reaccionária do PCP anda tão empenhada em reabilitar.

domingo, 1 de novembro de 2009

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O estranho caso Zemskov
Ou a ainda mais estranha “consolação” de Vilarigues














Com o título O estranho caso Zemskov publica António Vilarigues no Publico de hoje um artigo que pretende repor a verdade histórica dos números da repressão do estalinismo, mais concretamente do regime Soviético entre os anos 1921 e 1953. Assim, naquele período a repressão politica estalinista teria atingido cerca de 4 milhões de pessoas, e de entre eles 799 455 fuzilados, números bastante aquém das dezenas de milhões ou até mais de 100 milhões de mortes com que somos normalmente bombardeados.

Achando muito bem vindas as investigações históricas sérias, e à partida não disponho de razões para pôr aquela em causa, tenho no entanto de confessar a minha dificuldade em tirar ilações politicas ou morais da diferença entre valores destas ordens de grandeza.

E por isso acho muito estranho o tom “consolado” com que Vilarigues apresenta aqueles números, que não lhe suscitam qualquer tipo de condenação, repúdio, ou simples distanciamento, bem como a comparação que faz dos 4 milhões atingidos pela repressão, com os da população prisional americana.

Será que não lhe ocorreu compará-los com uma realidade bem mais próxima, os da repressão política do regime fascista em Portugal, de 1928 a 1974?

Partindo do princípio de que a população da União Soviética, durante aqueles períodos, seria cerca de 30 vezes superior à de Portugal, aplicando uma regra de 3 simples, o número equivalente de mortos pela repressão, durante os 48 anos de Salazar e Marcelo, teria atingido os 39 972.

Todos sabemos que na sua vasta panóplia repressiva o fascismo português não excluía a eliminação física de quem o incomodasse, e que o número de vitimas mortais é muitíssimo superior à meia dúzia de nomes que fazem parte da nossa memória colectiva - Bento Gonçalves, Humberto Delgado, Catarina Eufémia, Dias Coelho, Ribeiro Santos - mas que não atingiu, ao longo dos 48 anos, nada que se pareça com aqueles quase 40 mil (1).


O que, pelo menos no que me toca, em nada branqueia as pesadas culpas do regime que oprimiu o povo português durante 48 anos, nem dos que levaram a cabo repressão, e menos ainda dos seus responsáveis.

(1) Claro que falo apenas de Portugal. A repressão nas antigas colónias foi mais violenta e mortífera. Alguém tem números ou estimativas?

PSD procura líder
Então vamos lá de novo ao sótão, a ver o que é que se arranja desta vez.













Depois de Manuela, Marcelo?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Educating Rita
Homenagear Nikolai Yezhov que, de acordo com o MSV, se purgou a ele mesmo.







Aqui com Yezhov








Aqui sem Yezhov


À atenção de todas, e todos, os jovens que se dedicam, ou planeiem dedicar-se, à política, aqui se deixa a recomendação dum site que vai lá, onde os habituais cursos universitários não sonham sequer entrever: o MSV - Movimento Stalin Vive – donde, com a devida vénia, transcrevemos o seguinte apelo:

"Camaradas,

todo buen stalinista sabe que las purgas fueron el mejor medio de eliminar a los enemigos de la revolución, para implantar la democracia stalinista que tan feliz hizo al proletariado durante los años 30 y 40. De ahí surge el pedido de rehabilitar al camarada Nikolai Yezhov, líder de la NKVD durante los años más gloriosos del gran STALIN, encargado de llevar adelante la gran Purga de los años 37-38, en que más de 700.000 trotskistas, pequeñoburgueses, kulaks, alemanes del volga (entro otros abyectos enemigos) fueron purgadaos y eliminados, mediante un proceso de justicia stalinista, en que cada uno de ellos reconoció sus crimenes contra la patria de la felicidad de los pueblos.

Fue tal su afán de seguir las órdenes de Stalin, que fue el único capaz de purgarse a si mismo, sabiendo que había cuestionado algunas órdenes del partido.

En estos años de capitalismo, revisionismo, perestroika, y demás aberraciones, es preciso ensalzar la figura de este completo socialista, servidor fiel del proletariado y enemigo número uno de la contrarrevolución.

Viva Stalin, Viva Feliks Dzerzhinski, Viva Yezhov y Viva Beria!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Vamos supor que alguém acredita nas palavras do Presidente da República











Argumenta o director do Jornal i na RTP1, hoje às 21 h.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Afinal parece que ainda não estamos completamente preparados para a Democracia.












Pelo que sempre ouvi dizer parece que o Professor Salazar não era propriamente anti-democrata, o que ele achava é que o bom povo português não estava preparado para as responsabilidades e sobretudo para as más tentações para que, ao que constava, a Democracia arrastaria inexoravelmente o pessoal.


Assim a modos como aqueles pais caretas que não deixam sair os putos à noite com receio que vão para ali para o Bairro Alto, se ponham a virar shots de enfiada, e acabem a noite na Urgência do S. José com uma lavagem ao estômago, ou qualquer outra cena ainda mais para o dramático.

Pois o actual Professor na sua elevada preocupação de também só querer o melhor para o bom povo à sua augusta responsabilidade, parece achar agora que as coisas importantes e graves (Pacheco da Marmeleira dixit) que tem para dizer sobre o folhetim das escutas, em plena época de eleições, nos ia deixar a todos assim a modos que balhelhas, com consequências inevitavelmente imprevisíveis.

Imagine-se o prezado leitor que sempre votou PPD/PSD ir a correr pôr o voto no BE, ou este vosso prestimoso escriba a pôr a cruzinha no CDS/PP, tudo como consequência das tais coisas importantes e graves que o actual Professor tem para dizer mas diz que só vai dizer depois das eleições, provavelmente para evitar que isto, ou algo ainda mais escabroso, nos possa acontecer a todos nós comuns votantes.

Depois da sua amiga, correligionária, e ex-ajudante, nos sugerir que os problemas da Pátria se resolvem com seis meses de suspensão da Democracia, parece achar agora o actual Professor, himself, que mesmo ao fim de 35 anos de intenso treino, há ainda coisas da Democracia que, pelo menos enquanto durar esta campanha eleitoral, devem ficar fora do alcance desta cambada de matutos que lhe coube em sorte pastorear.