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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O ovo de Colombo para a avaliação dos professores: com o apoio do ministério, dos professores e dos partidos.











Então é assim: cada professor escolhe um avaliador externo, pago pelo Ministério da Educação, se trabalhar na OCDE melhor ainda, entrega-lhe uns relatórios sobre o que andou a fazer, e indica-lhe com quem deve falar. Com base nisto o avaliador faz a avaliação de desempenho do professor, e atribui-lhe a respectiva classificação.

Como é óbvio este modelo contará com o apoio do Ministério da Educação e do PS; se é bom para avaliar o ministério, inclusive com os rasgados elogios do 1º Ministro, também serve para avaliar os professores.

Depois de umas quantas rondas negociais, e uns posts do Guinote, os professores não deixarão também de dar o seu acordo; no fundo o modelo não difere muito do que a frente sindical apresentou para o corrente ano lectivo.

Quantos aos partidos da oposição, uma vez que mete avaliador externo, ou seja mais uma oportunidade de pôr os privados a mamar na teta do Estado, o PSD, que em primeiro lugar propôs a avaliação externa, não deixará de apoiar; o PCP apoiará o que o professor Nogueira achar melhor, ou vice versa, mas como diz a Teresa, isso agora não interessa nada; o BE pelo carácter fracturante do modelo em relação ao que ainda está em vigor, também não se vai opor; e o CDS, que nesta fase inicial do namoro tem de bater a bola baixinho, se for bom para o PS, não irá certamente levantar grandes problemas.

Está a ver como com um pouco de imaginação e boa vontade, e quando menos se esperava, o tal pseudo relatório da OCDE, que o Governo nos fará o favor de dizer quanto custou, ainda vai servir também de inspiração para resolver um imbróglio que nunca mais acabava.

Nota: Para ver como se cozinhou o tal relatório auto-elogioso consulte os Anexos.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Falemos de avaliação, falemos de educação.









Na blogosfera, na comunicação social, todo o mundo fala de avaliação. No caso concreto dos professores, origem de toda esta discussão, do que se trata é dum sistema formal de avaliação de desempenho, abreviando sfad.

Os sfad, em poucas palavras, destinam-se levar a linha justa às massas, e a levar as massas a aceitar a linha justa. Não, não tem nada a ver com o livro vermelho do Mao. A sua introdução deve-se a grandes empresas americanas, e em particular as que empregam uma elevada percentagem de pessoal qualificado.

O sfad é, para a gestão duma grande corporação, por vezes de âmbito multinacional, um instrumento privilegiado para levar aos diversos níveis de gestão, e a cada trabalhador, a filosofia empresarial e objectivos da empresa, e simultaneamente conseguir a adesão da generalidade do pessoal.

A adesão dos trabalhadores é estimulada por um conjunto de benefícios que acompanham a avaliação: prémios, promoções, aumentos salariais. Em muitos casos, a avaliação não tem um peso muito significativo na evolução das carreiras; e as recompensas pecuniárias, embora com gradações, beneficiam a generalidade dos trabalhadores(*).

Ver aqui, muito esclarecedor, um post com as linhas gerais de funcionamento do sfad da IBM Portugal, nos anos 70/80 (**). Um sfad não avalia o mérito em si, mas o desempenho dos trabalhadores face aos objectivos traçados.

Claro que o Ministério de Educação tem toda a legitimidade, para criar e implantar um sfad que leve aos professores as orientações do Ministério, e mobilize a sua adesão a esses objectivos. Só que este sfad não tem nada a ver com isso, não se vislumbram nele quaisquer objectivos que visem a efectiva melhoria do ensino; e quanto a conseguir a adesão dos professores ao processo, pior era impossível.

Se o que se pretende é mesmo melhorar a qualidade do ensino nas escolas publicas, então haverá certamente outras soluções.

Por exemplo, hoje no Publico, Desidério Murcho (ver aqui), defende que “exames nacionais rigorosos são simultaneamente uma maneira objectiva e simples de avaliar professores e escolas, e de estimular os estudantes a esforçar-se”, depois de ter começado por chamar a atenção para que “a solidez da formação científica dos professores é um factor crucial para a qualidade do ensino”.

É tempo de parar para pensar. Meter numa gaveta qualquer este sfad, ao que parece criado sob os auspícios do grande desígnio nacional da redução do deficit, e começar a discutir seriamente os objectivos e funcionamento da escola pública em Portugal.

(*) Nem pode ser de outro modo se o que se pretende é o empenho de todos.

(**) Não concordamos com algumas das conclusões do post, como é claro do que se escreveu acima, mas pensamos que seria util o seu autor, Penim Redondo, falar-nos um pouco mais da sua experiência directa com o sfad da empresa onde trabalhou, e se não for pedir muito, fazer uma análise critica dessa experiência.