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domingo, 8 de março de 2009

Versão pós-moderna duma fábula de Esopo:
A multiplicação dos coelhos do BE e a desmultiplicação do Coelho do PS.










Nesta versão pós-moderna duma fábula de Esopo, ouvida ontem à noite no Bairro Alto, enquanto os coelhos do BE passam a vida no truca truca, e alegadamente a fumar uns charros nos intervalos, no PS temos um Coelho esforçado, que se desmultiplica pelos Conselhos de Administração da Mota Engil, Martifer, e sei lá eu que mais.

O que é que o Coelho do PS tem a ver com a concessão do terminal de contentores de Alcântara à Mota Engil, ou com a atribuição pelo Governo do euromilhões dos painéis solares que hão-de aquecer os lares dos portugueses, à Martifer e à Siemens, deixando as outras duas mil empresas de painéis na mais completa escuridão, é coisa que se o prezado leitor ainda não descobriu, também não espere que seja eu a contar-lhe.

Moral da estória: enquanto as duas notas de cem do Dr. Louça estão para ali meio sonsas, incapazes de dar uma queca, quanto mais de se reproduzirem, os milhões de eurós dos patrões do Eng. Coelho, sem crise ou com crise, não param de se multiplicar.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O capitalismo, os gajos que andam no gamanço, e outras divagações na ressaca dum sábado de Carnaval.











Se têm visto o Maddoff com este boné e fatiota antes de lhe entregarem os carcanhóis, tinha-se evitado muita desgraça.

Não me digam nada que eu hoje estou todo lixado, se não fosse a promessa que fiz ao Eduardo de não me desbroncar cá no blog, isto hoje ficava com mais ppp(1) que os posts do Maradona, mas parece que ele já ultrapassou essa fase e agora está para ali a publicar uns posts meio sonsos como este com um gráfico a defender que o capitalismo é o maior, e bem que o capitalismo precisa de alguém que o defenda, com a bagunçada que anda por aí a armar há cada vez mais gente que o quer é ver a milhas,

mas cá para mim que estou na crise desde que desembarquei na MAC, o que me anda mesmo a deixar fu...ribundo é aquela malta que é, ou era, banqueiro, do governo, empreendedor, e vai-se a ver o que andavam mesmo a fazer era a gamar, não propriamente como o Dédé, que é um bacano cá do bairro que já passou mais anos com a farda às riscas do que com a roupa à civil, por isso é melhor dizer que os tais cartolas dos milhões andam alegadamente a subtrair, que ladrões para os da justiça é só a malta como o Dédé que assalta restaurantes e bombas de gasolina, e quando arranjou um sócio com acesso a tecnologias mais avançadas lá conseguiram arrombar uma caixa Multibanco, sai-lhes uma daquelas que pintam as notas, enfim uma perda de tempo e de talento, digo eu, que se têm ido antes para a politica estavam de certeza muito melhor, até talvez tivessem conseguido comprar um andar em conta ali no edifício Heron Castilho,

e acho que já estou é a falar de mais, a Vanessa bem me dá na mona que eu não devia andar metido nos blogs, que isto está tudo a ser vigiado, que é só malta que não interessa a ninguém, por mais que eu lhe diga que também há por cá gente decente, como a minha amiga Lupa que é caixa num supermercado e até ficou preocupada quando um casal de velhotes levou 14 bejecas e tentou pagar só 12, como se isso fizesse alguma diferença ao tio Belmiro, que devia era ser obrigado a escrever um livro a contar tintim por tintim como um gajo que nasceu pobre arranjou aquela massa toda, longe de mim duvidar que não foi tudo honesto, o que eu estou a pensar é que a gente depois fazia tudo como ele explicasse no livro, e quando chegássemos ao Verão tínhamos esta coisa da crise resolvida e até se podia tratar das eleições com todas as calmas,

não iam era contar comigo, que se alguma vez conseguir resolver a crise cá do Aristes vou logo é de férias para as ilhas Periquitas, e o máximo em que alinho é mandar o voto pelo correio, até me vai dar jeito aquele veto do Presidente a não deixar que os deputados tirassem o voto por correspondência, eu cá por principio também não gosto que se tire nada a ninguém, pena é que o Cavaco não faça também um veto para não tirarem as casas a quem fica no desemprego e não pode pagar as prestações aos bancos, mas isso se calhar já era muito complicado, e ele tem mais com que se preocupar, por exemplo com o mau ambiente que lhe andam a criar os tipos que ele tinha no Governo, e depois se o dinheiro que o Teixeira ainda lá tem vai para esses gajos da massa do BPN e do BPP, e parece que também calha algum aos outros bancos, não pode ir para outros lados, nós é que somos uns egoístas e ignorantes que não percebemos as provações que os banqueiros estão a passar,

mas como ia dizer há bocado quando se meteu a conversa das bejecas, agora vivemos em democracia, e portanto não há razão para ter medo como diz o Viegas neste post, se lá forem não deixem é de ler os comentários da Ana e do Carlos, e quando o Pedro, não é o do Fripór é o do Tarrafal, diz que há pessoal no PS que anda com medo, isso é que me deixa um bocado baralhado, se o Pedro dissesse que há quem anda com medo do PS, por exemplo os professores que não preenchem aqueles requerimentos da avaliação e depois ficam com medo que venha de lá a Margarida da DREN e lhes faça a folha como fez ao Charrua, mas mesmo que a Ana e o Carlos tenham razão, cá para mim pelo menos andam lá perto, cum caraças, um gajo também não pode estar sempre a vergar a mola, e por isso eu não vou sair daqui hoje sem dizer tudo o que tenho a dizer sobre aquela cambada de ladrões … um momento, vou só ali à porta, estão a tocar à campainha.

(1) Palavrões por polegada.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O Freeport de Alcochete e os indícios: serão líquidos? serão gasosos? sólidos não são certamente, porque a PGR é que fala assim.









Flamingos na zona de Alcochete

Num mesmo dia, no longínquo ano de 2002, um Governo de saída aprova em Conselho de Ministros, o projecto do Freeport de Alcochete e a alteração que retira da Zona de Protecção do Estuário do Tejo a área de construções daquele projecto. E aqui, vejo duas hipóteses: ou se trata duma discutível concepção do interesse público que deve ser objecto de discussão e avaliação politica; ou estamos perante uma situação em que, por meios mais ou menos ilícitos, o interesse privado se sobrepôs ao interesse público: um caso de polícia.


E como há de facto indícios de falcatrua, seria bom que a PJ e a PGR investigassem com a celeridade e competência que esperamos delas, esclareçendo o que for possível deslindar, em vez de continuarem a assistir a fugas de informação e a desdobrarem-se em declarações extemporâneas e ridículas como as de não haver indícios sólidos(1) em relação ao Eng. Sócrates.

Os julgamentos na comunicação social, e blogosfera, por muito entretenimento que possam proporcionar, são mais um sintoma da situação pantanosa a que chegámos, no que respeita à corrupção, fraude financeira, crime de colarinho branco, offshores, branqueamento de dinheiro, e sei lá que mais. E aqui sim, está provado, o Eng. Sócrates tem pesadas culpas no cartório. Não foi ele que se opôs ao pacote Cravinho de combate à corrupção? Que abençoou o Pacto de Justiça cozinhado por um selecto grupo do PS e PSD? E os resultados estão à vista. Sabe quantas pessoas estão presas a cumprir pena por crime de corrupção? Arrisque um número e depois compare aqui.

E se alguém, nas oposições, pensa que vai tirar proveitos eleitorais destas manobras, o melhor é tirar o cavalo da chuva. Ou o homem sai reforçado desta provação, como vítima merecedora de todo o respeito e solidariedade, e de mais alguns votos. Ou mesmo que a coisa desse para o torto, não era grande a desgraça para o PS que, com alguma dor e melhor proveito, podia, da noite para o dia, ver-se livre do engenheiro e respectiva tralha, e avançar com um elenco renovado, para uma segunda maioria absoluta.

Escolhesse o PS continuar na mesma linha, ou mudar de direcção e enfrentar os novos desafios que aí estão, não seria difícil encontrar por lá alguém com melhores credenciais do que as do desgastado 1º Ministro. E isto não é sequer sobrevalorizar o PS. Como dizia a Zezinha acerca do Paulinho, à Drª Ferreira Leite até o rato Mickey ganhava.

Com Sócrates ou sem Sócrates, aqui está uma oportunidade oferecida ao PS para antecipar as eleições, antes que a crise começe a doer ainda mais a sério.


(1) No Expresso de 24/1/2009.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Dona Manuela ao prime-time, já:
mete polícias palhaços e patos da Justiça.













O John McCain tem o Joe Plumber, a Dr.ª Manuela Ferreira Leite arranjou a Dona Manuela. E para não a acusarem de despesista, faz ela mesma de Dona Manuela.

“Enquanto o sistema jurídico não for eficaz, o polícia está transformado num palhaço, porque prende um indivíduo e meia hora mais tarde ele está na rua”; diz o Público que a Dona Manuela disse.

A Dr.ª Manuela Ferreira Leite pode explicar à Dona Manuela que quando o PS e o PSD se põem a fazer patos(*) da Justiça, é no que dá.

Já quanto às critica que faz à comunicação social, acho que tem alguma razão: tiradas daquelas não são para ficar enterradas no 14º lugar dum qualquer alinhamento de telejornal. Mas concorrência do Sporting? Caia na real. Aqui também há uma formiga sportinguista, mas já se conformou há muito tempo.

(*) Ou será que se escreve pactos? Com o novo Acordo Ortográfico fico um pouco confuso.

Mais Dona Manuela: aqui, e aqui.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O cavalo do Dom José e os míseros votos














Há por aí muita gente desorientada. Nos jornais e blogosfera, há os que se querem convencer a eles próprios que os professores estão a ser manipulados: pelo Sr. Nogueira, pelos sindicatos, pelos partidos, pelo cavalo do Dom José...

De manhã, um taxista jurava que no sábado falou com um grupo de professores que estavam convencidos que vinham numa excursão ao Cabo Espichel e que, quando a camioneta os deixou na 24 de Julho, resolveram ir dar um passeio na Baixa até ao Marquês de Pombal.


À noite, na TV, quem ouvisse falar a Ministra da Educação, ficava com a impressão de que Portugal tem para aí um milhão de professores, que estão a ser pressionados por uma minoria de 120 000. Quanto ao Primeiro-ministro, foi para uma iniciativa do PS clamar contra a partidarização da luta dos professores.

Mas o que me deixou realmente preocupado foi quando o Eng. Sócrates começou a falar dos míseros votos. Que diabo, o homem deve saber fazer contas, e os votos daquele mar de gente dar-lhe-iam certamente jeito.

Ou será que míseros votos quer dizer votos de gente miserável, de gente que não interessa a ninguém? Será que depois da avaliação dos funcionários públicos e dos professores, vem aí a avaliação dos eleitores? Com 30% de eleitores titulares, para aí outros tantos de eleitores assim assim, e 40% de míseros eleitores? Como nalguns clubes de futebol em que há sócios que têm direito a 100 votos, outros 50 e outros 10?