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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

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Cardeal D. José Saraiva Martins, Prefeito Emérito da Congregação para as Causas dos Santos


Sobre homossexualidade
A homossexualidade não é normal, temos que dizê-lo ... Não é normal no sentido de que a Bíblia diz que quando Deus criou o ser humano, criou o homem e a mulher. É o texto literal da Bíblia, portanto esse é o princípio sempre professado pela igreja.

Sobre a adopção por homossexuais
Não podem providenciar a formação das crianças, porque uma criança para ser formada normalmente precisa de um pai e de uma mãe e não de dois pais ou de duas mães.

Sobre o casamento homossexual
O ”casamento" entre pessoas do mesmo sexo é uma questão de direitos e de leis, fora da alçada da Igreja. Numa situação ideal, a Igreja e o Estado deveriam colaborar. Nestes casos, é absolutamente necessária uma colaboração sincera, autêntica e eficaz entre o Estado e a Igreja. E pode-se chegar a um acordo, cedendo um bocadinho dos dois lados. Não é opondo-se, é colaborando, é o diálogo.

Sobre o casamento com muçulmanos
É absolutamente necessário que antes de uma senhora casar com um muçulmano, tenha a certeza de que vai poder continuar depois do matrimónio a professar a sua fé cristã. Tenha a certeza de que vai poder decidir o tipo de educação a dar aos próprios filhos … não casem com muçulmanos enquanto não tiverem essas certezas.

Sobre os dois tipos de muçulmanos
O diálogo com os muçulmanos moderados é muito mais fácil. Já com os muçulmanos fundamentalistas é muito mais difícil. Os fundamentalistas concebem uma sociedade em que a religião é inseparável da política e a política da religião, nesta concepção muçulmana da sociedade é muito fácil que a política instrumentalize a religião e a religião instrumentalize a política. É evidente que [o diálogo] é muito mais difícil, mas devemos distinguir os dois tipos de muçulmanos.

Retirado dum artigo do Publico de 18/2/2009.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Esta gentinha é perigosa: será que também querem tirar os filhos aos casais homossexuais?






Adoption and Co-parenting of Children by Same-sex Couples: Position Statement

American Psychiatry Association


Felizmente, neste tempo e neste espaço, nem Estado nem Igreja, podem impedir que um casal homossexual, se ame, vá para a cama, viva junto, crie os filhos, e leve uma vida semelhante à de outros casais.


Mas a brigada dos costumes, que insiste em querer mandar na maneira como vivemos as nossa vidas, não dá tréguas. Além de posições que objectivamente encorajam a canalha homofóbica que humilha e agride homossexuais, agora, um dos argumentos que usam contra o casamento homossexual é o de que junto com o casamento, vem a adopção por casais homossexuais. E isso para eles, no superior interesse das crianças, claro, está completamente fora de questão.

E se o casamento homossexual fosse aprovado mas sem o direito à adopção, com o argumento que o exercicio de funções parentais por parte de homossexuais, é incompatível com o superior interesse das crianças?

Como é que ficam os casais homossexuais que já têm filhos (1)? No superior interesse das crianças negam-lhes os direitos e responsabilidades parentais? Vão tirar os filhos aos casais homossexuais, e entregá-los à assistência social? E os que resistirem, são presos e acusados de sequestro?

Esta gentinha, que tenta disfarçar mas lá no fundo é mesmo homofóbica, é perigosa. Sorte a nossa é que são cada vez menos.


(1) Filhos duma anterior relação heterossexual, ou por qualquer outro meio pelo qual é hoje possível ter filhos biológicos. Ou filhos adoptados quando eram solteiros.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Há por aí alguém com pachorra para me explicar o que é que há de "fracturante", ou de "questão de consciência complicada", no casamento homossexual?











E estava aqui o Aristes convencido que isto de casar ou não casar, era coisa que dizia respeito a quem queria, ou não queria, casar ou não casar, e afinal se os dois casantes forem do mesmo balneário, alto aí, então é coisa “fracturante”, é coiso e tal e “questão de consciência complicada”.


E quando me recordam que a lei não deixa, não sei porquê vêem-me à ideia aquelas leis que havia no EUA e na África do Sul em que, branco não casava com negra, e negro com branca, isso então era melhor nem sequer pensar.

E com medo de que pessoal se esqueça dele, aí vem outra vez o avô do regime botar sentença: "Os casamentos entre homossexuais são (questões) de consciência complicadas, ... eu estaria mais inclinado, se estivesse na minha mão, … para acabar com as desigualdades sociais, dar mais prestígio ao trabalho, aos trabalhadores e aos sindicatos". Ó homem, então porque é que não se inclinou, quando tinha a faca e o queijo na mão?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Sobre uma católica casar com um muçulmano:
uma análise à luz do Ratzinguismo.













No 31 da Armada, J.M.Pinto, decerto inspirado pelas palavras dirigidas por Bento XVI à Cúria Romana, apresenta um interessante método, capaz de aferir a naturalidade das mais variadas manifestações humanas.


De forma a poderem apreciar as virtualidades deste método inovador, mostramos aqui uma variante do original, substituindo homossexualidade por, uma católica casar com um muçulmano, questão mais actual, e de muito maior interesse para as moças casadoiras da paróquia. Aqui temos:

Naturalmente
natural (adjectivo uniforme):
1. da natureza ou a ela respeitante
2. produzido pela natureza ou regulado pelas suas leis
3. que existe na natureza
4. que nasce com o indivíduo; inato
5. segundo o uso ou a norma; normal (...)

Sobre se uma católica casar com um muçulmano é natural ou não, devo dizer que, considerando as três primeiras definições, uma católica casar com um muçulmano é natural. Eu entendo a Natureza como o Todo. Nesse Todo entra o Homem e as modificações nele engendradas. Seja inerente ao Homem ou produto dele, Tudo é Natureza. Logo, existindo uma católica casar com um muçulmano, ela existe na Natureza, ela foi produzida por Ela e a Ela diz respeito.

Considerando a quarta definição, tenho dúvidas que a uma católica casar com um muçulmano seja natural. Não existe consenso científico sobre qual a carga genética ou hormonal envolvida numa católica casar com um muçulmano, tão pouco se quantificou o peso da influência do ambiente externo.

Considerando a última definição, tenho a certeza que a uma católica casar com um muçulmano não é natural. Por mais que alguns nos queiram fazer crer, uma católica casar com um muçulmano não é o comportamento normal nem a sociedade, tal como a conhecemos hoje, a vê como norma. Apesar do que alguns nos querem fazer acreditar, uma católica casar com um muçulmano aceite em algumas elites de tempos idos (e também de tempos vindos) nunca alcançou a aceitação da sociedade suficiente a ponto de se considerar normal. Como se desenvolverá a visão social duma católica casar com um muçulmano no futuro? Só Deus sabe, naturalmente.


E agora, há por aí alguém capaz de me dizer que não se aprende nada na blogosfera?