quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Escola Pública: algumas perguntas sobre o problema que estamos com ele.














Diz-se, e com razão, que numa empresa só alguns chegam à Direcção ou que no Exército não são todos promovidos a general. Tal como nas escolas, em que também não chegam todos ao Conselho Executivo, ou a coordenador de Departamento.


Com a quota de 30% não se está, só para se reduzir a despesa, a dividir artificialmente aquilo que é igual? Queremos bons professores, vamos avaliá-los, e a primeira coisa que se faz é estabelecer um limite a quem o mérito vai ser reconhecido? É assim tão difícil garantir a todos os professores que o reconhecimento, maior ou menor, será de acordo com o mérito?


Embora com naturais diferenças, o objectivo não deverá ser ter,
nas salas de aulas, 100% de bons professores? E os maus, não devem ser afastados?

Um sistema de avaliação não deverá também contribuir para estimular os professores a melhorarem o seu desempenho? Que estimulo têm aqueles a quem a avaliação reconheceu o mérito, mas não couberam nos 30%? Se categoria de titular for vitalícia, qual é o estimulo para os titulares se esforçarem a melhorar ou a continuar a ser bons?

2 comentários:

Arnaldo Madureira disse...

Diz-se, e com razão, que numa empresa só alguns chegam à Direcção ou que no Exército não são todos promovidos a general. Tal como nas escolas, em que também não chegam todos ao Conselho Executivo [Não é função própria dos professores titulares.], ou a coordenador de Departamento [Só há 4 departamentos em cada agrupamento de escolas.].

Com a quota de 30% [Não é bem uma quota. Os quadros de professores titulares é que constituirão cerca de 30% do total dos professores.] não se está, só para se reduzir a despesa, a dividir artificialmente aquilo que é igual? [Sim, 90% dos professores titulares fazem exactamente o mesmo que os professores não titulares, porque não há cargos em quantidade suficiente para que todos os professores titulares exerçam funções próprias. Num agrupamento de escolas com 1200 alunos e 120 professores haverá entre 4 e 8 professores titulares com funções próprias para exercer. Os outros 28 a 32 professores titulares fazem exactamente o mesmo que os professores não titulares.] Queremos bons professores, vamos avaliá-los, e a primeira coisa que se faz é estabelecer um limite a quem o mérito vai ser reconhecido? [Os professores chegaram a professores titulares com a antiga avaliação do desempenho - que dava o mesmo resultado satisfaz para todos - e sem prova pública. Esta divisão, e a forma como o primeiro concurso foi feito, está atravessada na garganta dos professores. No futuro, será por concurso com prova pública. Não há limite para professores titulares, mas há um número limitado de lugares de quadro. Portanto, poderá vir a haver muitos professores titulares sem lugar de quadro e sem entrar na carreira respectiva.] É assim tão difícil garantir a todos os professores que o reconhecimento, maior ou menor, será de acordo com o mérito?

Embora com naturais diferenças, o objectivo não deverá ser ter, nas salas de aulas, 100% de bons professores? E os maus, não devem ser afastados?

Um sistema de avaliação não deverá também contribuir para estimular os professores a melhorarem o seu desempenho? Que estimulo têm aqueles a quem a avaliação reconheceu o mérito, mas não couberam nos 30%? [Presumindo que se refere às quotas de 5% de excelentes e 25% de muito bons, que só aceleram as progressões, os que não couberem nesses 30% progridem no tempo normal, desde que tenham Bom. Mas o governo, em vez de estabelecer que excelentes são os melhores 5% dos que tiverem avaliação acima de 9 em 10 e muito bons são os seguintes 25% que tiverem avaliação acima de 8 em 10, fez uma trapalhada monumental, ligou as menções aos resultados brutos da avaliação e teve de decretar que excelentes podem passar a muito bons e muito bons a bons.] Se a categoria de titular for vitalícia, qual é o estimulo para os titulares se esforçarem a melhorar ou a continuar a ser bons?

A Presença das Formigas disse...

Obrigado pelos seus comentários que me trazem informação que desconhecia.
O que motivou estas perguntas foi a indigência geral dos posts que vou encontrando sobre esta questão, que na maioria se limitam a repetir slogans e preconceitos, e por ver pouca gente interessada numa discussão séria e com um minimo de racionaliadade. Os seus comentários vêem de encontro a essa preocupação e mesmo que defendessem posições diametralmente opostas às que fui formando sobre a avaliação, seriam bem recebidos.
Quanto ao tema da Educação a minha posição é de defesa da Escola Pública de qualidade, e acredito partilhar esta posição com a generalidade dos professsores.
Cumprimentos,
Eduardo Lapa