segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Apesar da entrada no Dicionário da Academia
Gente fina não gosta de arruadas.











Há tempos já aqui fizemos referência a uma daquelas crónicas cheias de azia de VPV no Público a propósito da palavra arruada que, ao contrário do que muita gente pensa, não é um neologismo.

Arruada já aparece, embora com um sentido diferente daquele em que hoje é utilizada, naquele que é considerado o primeiro dicionário de português, o Vocabulario Portuguez e Latino (1712-1721), de Rafael Bluteau; e num sentido mais próximo é usada, por exemplo, por José de Alencar em 1874, e incluída no Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo, arruar: passear pela ruas, passear ostentosamente.

Agora vem o Expresso novamente falar em neologismo a propósito da inclusão da palavra no Dicionário da Academia das Ciências que, diga-se de passagem, não é propriamente uma instituição a que se possa reconhecer grande mérito nestas coisas da Língua portuguesa.

Inspirado pela notícia do Expresso resolveu o Prof. Rui Baptista escrever, no respeitável De Rerum Natura, um post a desopilar as mágoas que lhe vão na alma contra Jerónimo de Sousa e a FENPROF em particular, e em geral contra comunistas, professores, e o exercício do direito de manifestação.

Não vamos aqui repetir aquilo que já muito bem disseram alguns dos comentadores daquele post, apenas gostaríamos de lembrar ao professor Baptista que as “manifestações de massas de profissões de cariz intelectual que se deslocam aos magotes como proletários”, de que fala, reflectem de facto a crescente proletarização das profissões intelectuais, mas que essa proletarização não é obra dos comunistas, mas sim dum sistema que os comunistas combatem, e do qual os seus amigos “socialistas” tanto gostam e defendem: o capitalismo.