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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Crónica dos bons patrões, por Manuela Ferreira Leite.






Haverá por aqui mais alguns que eu possa despedir?



Numa semana em que se multiplicaram as notícias da forma como os patrões começam a aproveitar as “oportunidades da crise”: encerramento de actividades, layoffs e despedimentos, em muito casos sem fundamentação económica e no desrespeito da legislação em vigor; a Drª Manuela Ferreira Leite, que além de ser doutra época parece também viver noutra dimensão, vem tentar convencer-nos, na sua semanal crónica do Expresso, que “A responsabilidade social das empresas tem-se afirmado e progredido ao longo dos últimos anos e traduz a consciência social dos empresários e o seu relevante papel numa mais justa redistribuição de rendimentos”.

Provavelmente estava a pensar em Américo Amorim, que de acordo com o ranking dos podres de rico é o rico mais rico de Portugal, e que sem perder tempo se chegou logo à frente, anunciando o despedimento de 193 trabalhadores, a maioria dos quais com salários mensais entre os 500 e 600 euros.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Os lucros da BP, ou a crise quando nasce não é para todos.







Imagem do art not oil, utilizada na campanha BP leave Lake Michigan alone!

Com lucros do 3º trimestre de 2008 na ordem dos dez mil milhões de $US(1), 148% acima do mesmo período do ano anterior, os accionistas da inglesa BP têm razões para estar felizes, à custa da desgraça dos outros.


O secretário-geral do sindicato GMB, escandalizado com estes números, chamou a atenção para o facto de coincidirem com o período em que o barril de petróleo atingiu os 147 $US, e em que os motoristas pagavam 1,2 libras (cerca de 1,8 euros na altura) por um litro de combustível, e insiste no pedido para que o Governo e as autoridades financeiras, controlem a especulação no mercado petrolífero, que devastou a economia real e agravou a inflação.

E por cá, quando é que o Governo mete na ordem as petrolíferas obrigando-as a fazer reflectir nos preços que pagamos nas bombas de gasolina, as descidas para menos de metade do preço do barril de petróleo? Não resolvia a crise, mas ajudava.

(1) Apenas em tres meses o equivalente a 158 contos por cada português.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Mostrar o gato, exibir o cão, e como criar o seu negócio e ser feliz para o resto da vida.












Não sei se repararam mas nos blogues pessoais, mais cedo ou mais tarde o dono acaba sempre por mostrar o gato, por isso, vamos já resolver a questão, e aqui está o gato, que talvez nem sequer seja meu, se calhar é emprestado, como aqueles políticos em campanha eleitoral que usam os cães dos outros para tirar fotografias que depois aparecem na Gente, e é desses cães e desses políticos que verdadeiramente eu queria falar, o paleio dos gatos foi só para ganhar balanço.

Num ano com três eleições três, está resolvido o problema da crise cá do Aristes, sim, que para as eleições não vai haver crise, vai haver bué, mas mesmo bué de guito, e a maneira aqui do “moi” sacar algum, vai ser com uma empresa de aluguer de cães que eu estou a criar, e escusam de dizer que não vai dar, que isso de fotografia com cão é só para políticos de direita e agora quem sobe nas sondagens é a esquerda, que isso não é verdade, um cão fica sempre bem a qualquer político, o segredo está em escolher o cão certo, talvez haja umas excepções, assim à primeira não estou a ver o Jerónimo em retrato com cão, mas já à Ilda Figueiredo um lulu branco de pelo encaracolado ia ficar a matar, e para o Louçã então nem se fala, não há cão nem gato que não vá bem com ele.

Agora só preciso de arranjar dois sócios, um que tenha cães, qualquer tipo de cães, que isto de cães é como os políticos, podem ser grandes ou pequenos, mansos ou perigosos, nem é necessário ter o tal de “pedigree”, só precisam mesmo é ter bom aspecto para o retrato, e até podem ir às canelas dos eleitores que eles parece que não se importam, barafustam na altura, mas nas eleições seguintes lá está o votozinho outra vez, como se não fosse nada com eles.

Também preciso dum sócio que conheça políticos, e aqui só para a gente, quem eu gramava à séria era o Coelho, ou o Loureiro que parece que anda assim um bocado mal visto por causa da tal sociedade Lusa, estes tipos são uns verdadeiros patriotas, até põem nomes destes às empresas, o que até é uma boa ideia para a empresa que eu estou criar e que se calhar se vai chamar sociedade Lusa qualquer coisa de canídeos, mas isso ainda é uma coisa para se ver com os outros sócios, e voltando ao sócio que conheça políticos, vai ter que ser como lá em casa nos dias em que a Vanessa recebe o subsídio de desemprego e abancamos os dois com um bocado de queijo tipo Serra, portanto se alguém topar um mangas tipo Coelho que queira alinhar, mande-o cá para o amigo.

Andava ainda à procura dum sócio capitalista mas agora já não é preciso, entra o Sócrates com as massas, não o Sócrates propriamente dito em pessoa mas, como ele disse ontem ao irmão do Costa da Câmara da SIC e da Moção, ainda tenho de descobrir para que serve isto das moções, mas dizia eu como ele disse ao Costa da SIC e do Expresso, irmão do outro Costa de que falei antes, as massas são dumas linhas de crédito que ele Sócrates inventou para as pequenas e médias empresas, o que vem mesmo a calhar para o projecto cá do Aristes, e no que me toca já alavanquei quatro euros e meio que investi ali na feira da Gare do Oriente, num livro do caraças, chama-se “Como criar o seu negócio e ser feliz para o resto da vida”, e vou já lê-lo amanhã, ou para a semana, ou quando tiver tempo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

A Dona Manuela sabe, mas não diz.











A Dr.ª Manuela Ferreira Leite
já não pode ver esta Dona Manuela.


O John McCain tem o Joe Plumber, a Dr.ª Manuela Ferreira Leite arranjou a Dona Manuela. E para não a acusarem de despesista, faz ela mesma de Dona Manuela.

A Dr.ª Manuela Ferreira Leite merece simpatia. De facto, não dá para ser regedor daquela freguesia: é o Meneses, o Santana, o Coelho, o Marcelo, o PSD Madeira, e hoje, mais uma vez, a Dona Manuela.

Sim, a Dona Manuela sabe quais são os problemas do País e até tem propostas, decerto excelentes, só que não diz quais são para o Governo não as adoptar. E esclareçe: como o Governo tem feito a todas as propostas que o PSD apresenta.

Aviso: isto não é ficção. Visto e ouvido pelas formigas no telejornal das 13 da RTP.

Dá Deus nozes a quem não tem dentes. Imaginem a felicidade do PCP e do BE, se o Governo adoptasse, pelo menos algumas, das propostas que passam a vida a fazer.

Pensavam as formigas que acima do interesse partidário estava o interesse nacional, e que o importante é resolver os problemas, e não quem apresenta as propostas. Hoje fica-se a saber que para termos direito a conhecer as soluções da Dona Manuela, temos de pagar primeiro. Não há almoços grátis: ou votamos no PSD, ou não há propostas para ninguém.


Mais Dona Manuela: aqui.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A Dona Manuela e o desemprego em Cabo Verde e na Ucrânia.











O John McCain tem o Joe Plumber, a Dr.ª Manuela Ferreira Leite arranjou a Dona Manuela. E para não a acusarem de despesista, faz ela mesma de Dona Manuela.

A Dona Manuela estreou-se na TVI com o não há dinheiro para nada, e reaparece agora em força na entrevista à TSF/DN com o investimento público em Portugal só resolve o problema do desemprego em Cabo Verde e na Ucrânia.

Claro que a Dr.ª Manuela Ferreira Leite podia explicar à Dona Manuela que o investimento público além de gerar directamente riqueza tem um efeito multiplicador na economia, que cria e/ou mantém emprego e empresas, e por aí adiante que a economista é ela, não sou eu. A líder do PSD podia também lembrar à Dona Manuela a necessidade e as vantagens para os países de imigração, do recurso à mão-de-obra estrangeira. A expansão nos anos 60 e 70, das economias de países como a França, Alemanha, e Reino Unidos não teria sido possível sem o contributo de portugueses, espanhóis, turcos, caribenhos, africanos e tantos outros.

A tirada da Dona Manuela não “roça a xenofobia”, é mesmo xenófoba: porque não é verdade que o investimento público em Portugal só ajuda a reduzir o desemprego para os trabalhadores de Cabo Verde e da Ucrânia; porque, numa altura de dificuldades para tantos de nós, acusa o Governo de ir gastar o dinheiro dos portugueses para benefício de estrangeiros. Desta nem o Paulo Portas se lembrou.

Aguarda-se agora a indignação da Dona Manuela para o novo uso que o Governo está a fazer do dinheiro dos portugueses: 700 milhões para tapar os buracos no BPN provocados pelos cambalachos dos seus colegas de Partido e de Governo; e mais alguns milhares de milhões a disponibilizar aos banqueiros “necessitados”. Afinal sempre há dinheiro para alguma coisa.

domingo, 19 de outubro de 2008

E a procissão ainda vai no adro...













"É agora claro que salvar os bancos é apenas o principio: a economia não financeira precisa também desesperadamente de ajuda."

Paul Krugman, Premio Nobel da Economia 2008

Clique aqui para ler o artigo no The New York Times.

Marx está na moda?



















Parece que Karl Marx (1818-1884) está de novo em alta. Será que o dear old Karl previu a crise do subprime, os trambolhões do PSI 20, ou a intervenção de governos neo liberais na banca? Não, isso de prever, adivinhar o futuro, era com o Bandarra sapateiro de Trancoso.
O ponto central da obra de Marx, trabalho duma vida, foi tentar compreender a
lógica do funcionamento e evolução da Sociedade.
Em tempos agitados recordemos algumas linhas do muito que escreveu sobre as crises do capitalismo:

Num sistema de produção em que o mecanismo do processo de reprodução assenta no crédito, se este cessa bruscamente, deve evidentemente sobrevir crise, corrida violenta aos meios de pagamento.
Por isso, à primeira vista, toda a crise se configura como simples crise de crédito e crise de dinheiro. E na realidade trata-se apenas da conversibilidade dos títulos de dívida em dinheiro.
Mas esses títulos de dívida representam, em muitos casos, compras e vendas reais, cuja expansão ultrapassa de longe as exigências da sociedade, o que constitui em ultima análise a razão das crises. Além disso uma massa enorme das dívidas representa especulações puras que desmoronam à luz do dia; ou especulações com capital alheio, mal sucedidas; finalmente, capitais-mercadorias que se depreciaram ou ficaram mesmo invendáveis, ou retornos irrealizáveis de capital.
Não é possível remediar todo o sistema artificial de expansão forçada do processo de produção (…) fornecer em dinheiro o capital que falta a todos os especuladores e comprar todos os valores depreciados aos antigos valores nominais.


Capitulo XXX, pagina 563, O Capital Karl Marx - Livro III, Editora Civilização Brasileira, 1968-74