quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Não deixar morrer a Fábrica Bordalo Pinheiro.












Com falta de encomendas, sem dinheiro para pagar salários, dívidas à Segurança Social, e a crise que aí está, a Fábrica Bordalo Pinheiro, segue os passos da indústria cerâmica da região, e corre o risco de encerrar um dia destes, pondo no desemprego mais 170 trabalhadores.

Embora com cerca de 90% do negócio na exportação, a Bordalo Pinheiro, empresa nacional, não tem merecido da parte do Governo a atenção dispensada, por exemplo, às estrangeiras AutoEuropa e Quimonda. Para que servem, se é que existem, as tais linhas de crédito para as PME de que ouvimos falar todos os dias?

Dispondo de um espólio de mais de mil moldes originais, e de artesãos e técnicos capazes de continuar a recriar figuras tão emblemáticas como o Zé Povinho ou o São Jorge e o Dragão, esta fábrica de cerâmica das Caldas da Rainha faz parte do património vivo do País, e também por isso não a devemos deixar morrer.

Para além da chamada de atenção, e da exigência para que o Governo não fique mais uma vez a olhar para o lado, vamos lá mostrar a nossa solidariedade, e toca a ir já comprar um Zé Povinho, ou outra das belas peças de cerâmica criadas pelo talento de Rafael Bordalo Pinheiro.













Peças pertencentes ao Museu Bordallo Pinheiro (Zé Povinho e azulejos) e Colecção Berardo (vaso).


Ver Catálogo da Fábrica.


NOTA em 25/2/2009
Carta Aberta ao Presidente da República, ao Primeriro Ministro e ao Presidente da Assembleia de República. Pode ler e assinar aqui.

4 comentários:

A. Moura Pinto disse...

E a necessidade imperativa de preservar a nossa memória colectiva justifica bem todo e qq empenho em manter esta fábrica, porque integra o nosso património, a exemplo de tantas outras coisas. E porque, infelizmente, Bordalo não voltará para retomar a sua actividade.

Alien David Sousa disse...

"Para que servem, se é que existem, as tais linhas de crédito para as PME de que ouvimos falar todos os dias?"

Boa pergunta. :/
Não querendo ser pessimista, nós podemos comprar uma peça aqui outra ali, mas sem ajuda do governo a Fábrica pode mesmo vir a ter os dias contados.Agora, o que me faz confusão é, uma pessoa como tu escreve sobre este assunto porque realmente esta fábrica faz parte de "nós" e o governo olha para o lado.
É triste.

Saudações alienígenas &kiss

a presença das formigas disse...

"Segundo os trabalhadores, que se mantêm nos postos de trabalho, o salário (de Dezembro) foi pago em resultado do aumento das vendas da loja, cujas vendas dispararam desde que foram dadas notícias acerca do provável encerramento da fábrica.
....
Os 172 trabalhadores da Bordalo Pinheiro, ... afirmam que não há ainda garantias de viabilização da fábrica, e sábado (31/1) voltam a manifestar-se nas ruas das Caldas da Rainha."
http://www.destak.pt/artigos.php?art=20571

Anónimo disse...

SBJH. LDA. R São José 895, St Tirso Prazins 4800-937 Guimarães é uma fraude, não pagam aos trabalhadores e cometem ilegalidades do tipo; pagam depois do dia 20; inserem pessoal trabalhar na firma a receberem o subsidio de desemprego, não fazendo assim os respectivos descontos, não fazem descontos para a segurança social, enfim uma autentica vergonha no que diz respeito à área têxtil mais propriamente na área dos bordados.