quinta-feira, 18 de junho de 2009

Sócrates assume erro de ter investido pouco na cultura.












O primeiro-ministro apontou, esta quarta-feira, como exemplo de um erro cometido pelo seu Governo nesta legislatura a ausência de um investimento volumoso na área da cultura, tal como aconteceu com a ciência nos últimos anos.

Por estas bandas aguarda-se agora com compreensível ansiedade que o novo porta voz do Governo, que substituiu o inenarrável Vitalino, nos venha esclarecer se essa imperdoável falha do Governo aconteceu na cultura do grelo, ou na cultura do pepino.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Retrato do artista enquanto jovem.















Oliveira e Costa Talk Show, parece-me um título muito a propósito para a transmissão em directo das oito horas da audição parlamentar do antigo responsável do BPN.

Que o homem é um artista não restam dúvidas. E se lhe ganha o gosto, como pareceu acontecer à medida que o espectáculo se ia desenrolando, ainda vamos ter por aí mais umas surpresas.

Só acompanhei uma pequena parte da exibição, mas mesmo assim ainda deu para ter um daqueles momentos zen, quando Oliveira e Costa disse, com ar sério e convicto, que sempre evitou rodear-se de políticos nas suas actividades empresariais.

sábado, 16 de maio de 2009

Ter uma relação sexual não é beber um copo de água, diz Maria de Belém.
Normalmente é melhor, digo eu.













O título "Ter uma relação sexual não é beber um copo de água" é duma noticia do Expresso de hoje, 16/5, acerca da Educação Sexual nas Escolas, quem disse foi Maria de Belém, e quanto à noticia se quiserem vão lá ver, que eu já não tenho pachorra para estas cenas.

terça-feira, 12 de maio de 2009

A propósito das pressões e do Inquérito
Já agora era bom que alguém se lembrasse do óbvio.











E o óbvio neste caso, é que os senhores magistrados e juízes que queiram aceitar cargos políticos, são perfeitamente livres de o fazer, na condição de, findas as funções politicas, não mais voltarem a ser juízes ou magistrados.

Até lá é mais que legitimo interrogarmo-nos: por cada caso destes que chega à comunicação social, quantos ficam ignorados do público? E de entre esses, quantos acabam por obter os resultados pretendidos por quem pressiona e corrompe?

Eurojust chief embroiled in Portuguese corruption scandal

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Cão come cão
Desta vez vai ser a sério. Dizem eles.









Um velho aforismo de Fleet Street, "dog doesn´t eat dog", seguido pela gente da comunicação social de todo o mundo, transmite bem a ideia do espírito de grupo entre jornalistas, que tudo informam, investigam e denunciam, tudo, quer-se dizer, menos as práticas profissionais, por vezes mais do que duvidosas, dos próprios jornalistas.

Já entre os políticos, solidariedade, ou mais correctamente respeitinho, só para com o chefe do momento. Para além dos naturais ataques duns partidos para os outros, e dos já menos razoáveis entre facções do mesmo partido, há cada vez mais a tendência, a que não será estranho o seu crescente descrédito junto da opinião pública, para os políticos se tentarem demarcar da chamada classe politica, de que eles próprios fazem parte.

Seja duma forma mais subtil, à Obama, que, até ser seleccionado pelo Partido Democrata, se distanciou dos velhos políticos do establishment de Washington, ou duma forma mais manhosa, à Cavaco, que depois de militar durante anos num partido e participar num dos seus governos, acrescentando-lhe a seguir mais dez anos de Primeiro-ministro e chefe do PSD, se apresentou com a maior das latas à eleição presidencial de 2006 como um candidato distante, implicitamente acima, da política.

E agora aí temos, nesta ânsia de quererem disfarçar aquilo que são, no caso a gente demagógica e irresponsável a que estamos habituados, um cartaz do CDS que vai além da demarcação, e que é, vindo de políticos, um ataque desabrido aos próprios políticos: dog does eat dog.

Ou talvez não passe tudo duma espécie de “mea culpa”, em que a rapaziada do CDS nos vem dizer que desta vez é que vai ser a sério. Ou apenas uma piada lá entre eles, provavelmente dirigida a Paulo Portas, que quando andou por aí a brincar de governante, para além do visual, até mudou o tom de voz, passando a falar à ministro.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Audição parlamentar sobre o BPN
Afinal parece que o Conselheiro Loureiro não mentiu, foi só económico com a verdade.







Cavaco Siva tem "o maior respeito".


Nos anos 80 o figurão que na altura desempenhava na vida real as funções que nos habituámos a ver
representadas por Sir Humphrey, na série televisiva "Sim, Senhor Primeiro Ministro", foi apanhado, a propósito do caso Spycatcher, a mentir com quantos dentes tinha.

Sir Robert Armstrong o então Head of the Civil Service, imperturbável e com a proverbial fleuma britânica, ou seja com a maior cara de pau, negou que tivesse mentido, embora admitisse que tinha sido económico com a verdade.

Com menor “savoir faire”, mas igual descaramento, o Conselheiro Loureiro, ontem na segunda ida à comissão parlamentar sobre o BPN, e a propósito das suas declarações iniciais sobre a compra da empresa BI de Porto Rico, com prejuízo de 38 milhões de euros para a SLN, volta-se ele para os deputados e pergunta “Qual era o meu interesse, o que é que eu ganho com isso, em dizer não não me lembro do nome?

Do nome ainda era o menos, o pior foi o Conselheiro Loureiro ter omitido na primeira audição, o que viemos a saber depois por outros depoimentos na Comissão Parlamentar, é que foi ele que iniciou, concluiu, e assinou o negócio da compra da empresa BI de Porto Rico, em relação ao qual se levantam suspeitas de ter sido uma forma de desviar os tais milhões da SLN, sabe-se lá para onde.

O que é que ele ganha em não ter assumido a sua responsabilidade no negócio, não sei. Mas tenho algumas sugestões que aqui deixo à vossa consideração: Para não o considerarem cúmplice das aldrabices que se fariam no BPN, e em que ele participaria? Para não parecer incompetente? Para não passar por vigarista?

Hoje o Publico diz-nos que quando confrontado por João Semedo e Honório Novo com a questão da reputação de El-Assir, participante no negócio, e que surge referenciado num relatório da Administração norte-americana como estando relacionado com o tráfico de armas, o Conselheiro Loureiro assegurou: “Sei que não se dedica ao comércio de armas, porque uma vez surgiu esse problema e eu perguntei-lhe directamente e ele disse que não”.

Só não se percebe para que é que precisamos de polícias, investigações, e tribunais, quando a maneira de esclarecer estas coisas será perguntar directamente aos envolvidos.

Método de que Cavaco Silva, que escolheu Dias Loureiro para o Conselho de Estado, também parece ser adepto quando em Novembro passado comunicou ao País não ter "qualquer razão para duvidar" da palavra do seu Conselheiro, que disse ter-lhe garantido "solenemente que não cometeu qualquer irregularidade" nas funções empresariais que desempenhou.

Entretanto segundo a Lusa, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, disse hoje que os 19 membros do Conselho de Estado lhe merecem "o maior respeito", escusando-se a fazer qualquer comentário em relação à permanência de Dias Loureiro naquele órgão.

"No Conselho de Estado existem 19 membros que estão sujeitos a um estatuto especial e todos me merecem o maior respeito e eu não faço nenhum comentário em relação a qualquer membro do Conselho de Estado", afirmou o chefe de Estado, quando questionado sobre as recentes declarações de várias personalidades a defender a saída de Dias Loureiro do Conselho de Estado.

Eu, se pertencesse ao Conselho de Estado, não teria gostado nada destas declarações, a meter todos no mesmo saco, nem me agradaria nada ter por lá a companhia do Conselheiro Loureiro, nada mesmo.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Michael Moore em Cuba.



Moore viajou para Cuba com três voluntários que trabalharam nas ruínas do World Trade Center, em New York, depois dos ataques de 11 de setembro de 2001.

Segundo ele, os voluntários sofrem de problemas de saúde desde que actuaram naquele local e têm dificuldade de acesso aos tratamentos públicos.

Moore diz tê-los levado de barco até à base naval de Guantánamo - que fica encravada no leste de Cuba e onde Washington mantém suspeitos estrangeiros de terrorismo - para ver se eles receberiam o mesmo atendimento médico gratuito dos detidos.

Após serem barrados, decidiram ver que tipo de atendimento médico encontrariam em Cuba, cujo governo comunista se orgulha da qualidade de seus hospitais.

Excerto do documentário "Sicko" (S.O.S. Saúde), de Michael Moore.

domingo, 3 de maio de 2009

Esta coisa da Internet é lixada
Então não é que um dos exaltados do 1º de Maio é um senhor que se senta à mesa de iniciativas do BE?









Carregar AQUI para ver post no Salvo Conduto.


Claro que não foi só ele, e se calhar até há bacanos que se sentam noutras mesas que também lá andaram na molhada.

Agora, o que é que o BE tem a ver com isso? Se calhar menos do que cá o Aristes que se lá estivesse também tinha mandado umas bocas de certeza, pelos menos a perguntar ao Vital o que é que ali andava a fazer, ele que tem passado os últimos anos, nas crónicas do Publico e lá no blog dele, a atacar os sindicatos, a CGTP e os trabalhadores.

De qualquer modo o tio Louçã já condenou o episódio em nome do BE, e era bom que o tio Jerónimo, além de lamentar, tivesse feito o mesmo em nome do PCP. Primeiro porque aquilo não se faz, nem é exemplo para ninguém, e depois para não alimentar mais este capitulo do folhetim da vitimização do PS, que se agarrou de unhas e dentes a esta oportunidade de fugir aos assuntos que interessam, e de dar visibilidade a um candidato assim para o trapalhão.

É que já não há pachorra para as doses cavalares de demagogia pseudo democrática do PS, que nada diz sobre a destruição de propaganda da CDU pela UGT, nem condena a utilização, através do Ministério da Educação, das crianças de Castelo de Vide para os tempos de antena do PS, mas vem logo a correr acusar o PCP, disto, daquilo e do que mais lhe vem à cabeça.

O vídeo com a notícia da RTP onde se vê distintamente o senhor louro está AQUI. A não perder aquela parte lá para o fim do vídeo em que outro senhor, que nem é sindicalizado, de forma acalorada, mas correcta, explica cara a cara, a um Vital embatucado, porque dispensa a visita dele.

Bom trabalho do blog Salvo Conduto.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Do que a nossa comunicação social evita falar
Chile sues banks over hidden Pinochet accounts.










Não há volta a dar, Ricardo Salgado deve uma explicação clara e completa, sem se esconder atrás do sigilo bancário, sobre o que se passou com a delegação de Miami do BES e os dinheiros de Pinochet. E escusa de fazer aquele ar furibundo e acusar os outros de terem “uma estranha e patológica obsessão pelo BES”.

E já agora por onde andará o tal de 4º poder? Porque será que a nossa comunicação social só refere isto a propósito das declarações de Francisco Louçã e das respostas de Ricardo Salgado? E porque continua a assobiar para o lado, como se um processo ao BES por um Governo estrangeiro, com a acusação de cumplicidade com o ditador Pinochet no roubo de dinheiro dos chilenos, não fosse um assunto importante de ser tratado? Deixaram de receber os despachos da Associated Press e da Reuters ? Ou estão com medo que o BES lhes corte a publicidade, como em tempos fez ao Expresso?

MIAMI (AP), March 12, 2009 - Chile's government has filed lawsuits against four banks claiming those institutions were negligent or had deliberately helped former Chilean dictator Augusto Pinochet conceal about $26 million in public funds allegedly stolen over several decades.
The lawsuits filed Wednesday in federal court in Miami claim the banks were complicit in the alleged theft of the Chilean funds by Pinochet and others reputedly assisting him. The Chilean government seeks an unspecified amount of damages, although that would likely run into the tens of millions of dollars.

"More tragically, some of these financial institutions went beyond mere negligence, and instead chose to knowingly and actively assist Pinochet in concealing the source and true ownership of the substantial funds being deposited into their institutions," the lawsuits by Chile's government legal office allege.
….
Pinochet, one of Latin America's most notorious dictactors, seized power in a bloody 1973 military coup that ousted Marxist President Salvador Allende, who died in the overthrow. Pinochet embarked on a long campaign to root out leftists, with an official government report concluding some 3,197 people died or disappeared for political reasons before Pinochet left power in 1990. He continued to serve as army commander-in-chief and as a Chilean senator until 2004, dying two years later at 91.

The government lawsuits name Pittsburgh-based PNC Financial Services Group Inc.; Spain's Banco Santander; Espirito Santo Bank of Portugal; and the Bank of Chile. In the case of the foreign banks, the lawsuits focus on transactions handled mainly by their Miami- or U.S.-based subsidiaries.

Associated Press

Reuters, Santiago do Chile, 13 de Março de 2009.
Chile sues Miami bank branches over Pinochet funds.

domingo, 19 de abril de 2009

Pior que empresários submissos ao poder politico, é o poder politico submisso aos empresários, mas disso o Senhor Presidente não fala.










"O pior que nos poderia acontecer era a crise acentuar a tendência, bem nociva para o País, de algumas empresas procurarem a protecção ou o favor do Estado para a realização dos seus negócios.

Empresários e gestores submissos em relação ao poder político não são, geralmente, empresários e gestores com fibra competitiva e com espírito inovador. Preferem acantonar-se em áreas de negócio protegidas da concorrência, com resultado garantido."

Da intervenção no 4º Congresso dos Empresários e Gestores Cristãos, 17 Abril 2009.

E cá ficamos todos a aguardar a análise do Prof. Cavaco Silva sobre a fibra competitiva e o espírito inovador dos empresários que mandam no poder político. Onde eles andam acantonados já nós temos uma ideia.

sábado, 18 de abril de 2009

Coisas que nem o Comendador Marques de Correia consegue ver.













"Outra coisa que eu gostava de ver, mas não consigo, é a enorme diferença de políticas que existe entre o PS e o PSD.
É seguramente abissal, tanto mais que os partidários de um e de outro berram consistentemente as suas razões no Parlamento.

Mas do mesmo modo que os daltónicos não vêem as cores que estão à vista de tantos outros, assim não vejo eu o que o PS fez que o PSD não teria feito, naquilo que é importante. Por exemplo, na banca, nos salários, nos impostos, na saúde, na educação, na justiça, na defesa, na Europa, na política externa."

da Carta Aberta do Comendador Marques de Correia, no Expresso de 18/4/2009.

sábado, 4 de abril de 2009

Mensagem recebida, senhores generais
Jaime Neves, militar de Novembro, promovido a general.











"Apesar de já me terem garantido que isso é verdade ainda não quero acreditar, não acredito que os responsáveis militares e políticos tenham tanta falta de bom senso e de decoro, não há quaisquer razões políticas ou militares que justifiquem uma decisão dessas, vai contra todas as regras, o seu 'curriculum' militar não o justifica e se isto acontecer estaremos perante um acto que em minha opinião indignificará o Exército e as Forças Armadas", declarações do coronel Vasco Lourenço à Lusa.

Depois de tão mal terem tratado os militares de Abril, as chefias das Forças Armadas, promovem a general um militar reformado há 20 anos, o coronel Jaime Neves, de triste 25 de Novembro memória.


Num gesto simbólico, e um pouco mais subtil do que o acto de vassalagem da “brigada do reumático” em vésperas do 25 de Abril de 1974, os senhores chefes das Forças Armadas informam-nos, para que conste, onde estão as suas simpatias.

Mensagem entendida, senhores generais.

terça-feira, 31 de março de 2009

Por onde anda Domingos Névoa?
Pela Braval, empresa multimunicipal, pela mão do bloco central.












Em 1999 a Câmara de Braga transforma os Serviços Municipalizados na empresa publica AGERE. Mais tarde a AGERE passou a empresa de capitais maioritariamente públicos, sendo 49% do seu capital social vendido ao consórcio Gestwater, SGPS, formado pelas empresas ABB, DST e BragaParques. Os restantes 51% pertencem à Câmara de Braga.

A BRAVAL é uma empresa multimunicipal, que procede à valorização e tratamento dos resíduos sólidos no Baixo Cávado, sociedade composta pela Agere, que detém mais de dois terços do capital social, e pelos municípios de Póvoa de Lanhoso, Amares, Vila Verde, Terras de Bouro e Vieira do Minho.

No dia 28 de Março de 2009 a Assembleia Geral da Braval elegeu, por unanimidade, um novo Conselho de Administração presidido por Domingos Névoa, administrador da Bragaparques, pela ex-vereadora do PS da Póvoa de Varzim, Rita Araújo, indicada por Braga, e pelo social-democrata Luís Amado Costa, indicado pela autarquia de Póvoa de Lanhoso.

Domingos Névoa, para quem já não se lembre, foi condenado recentemente por corrupção activa para acto lícito, num processo em que era acusado de tentar subornar o vereador da Câmara de Lisboa José Sá Fernandes, para que desistisse de uma acção penal por contestação do negócio de permuta dos terrenos do Parque Mayer, pertencentes à Bragaparques, da qual é administrador.

Agora já estão a perceber para que servem as parcerias público privado? E porque o pacote de legislação anti-corrupção apresentado por João Cravinho foi rejeitado por Sócrates?


Adenda. Posições de partidos políticos:
BE: Alegre condena nomeação de Névoa e Bloco lança petição
PCP: Sobre as notícias em torno da Braval

Nova adenda
Depois do caso atingir dimensões de escândalo público PS, PSD e CDS, fizeram declarações tentando sacudir a água do capote.
Domingos Névoa demitiu-se. Esperemos que outros lhe sigam o exemplo.

sábado, 28 de março de 2009

As tiradas de Cavaco
Se não houver trânsito não há benefício.








Todos a contribuir para a riqueza nacional.


Vindo deste lado, a defesa do investimento produtivo, só podia mesmo passar pelas estradas do costume. Ó senhor, porque é que não se lembrou das bejecas? Que só há benefício se a gente as beber.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Uma fábula de Manhattan
Bernie Madoff e a vingança das lagostas,
por Woddy Allen











Two weeks ago, Abe Moscowitz dropped dead of a heart attack and was reincarnated as a lobster. Trapped off the coast of Maine, he was shipped to Manhattan and dumped into a tank at a posh Upper East Side seafood restaurant. In the tank there were several other lobsters, one of whom recognized him. “Abe, is that you?” the creature asked, his antennae perking up.

“Who’s that? Who’s talking to me?” Moscowitz said, still dazed by the mystical slam-bang postmortem that had transmogrified him into a crustacean.

“It’s me, Moe Silverman,” the other lobster said.

“O.M.G.!” Moscowitz piped, recognizing the voice of an old gin-rummy colleague. “What’s going on?”

“We’re reborn,” Moe explained. “As a couple of two-pounders.”

“Lobsters? This is how I wind up after leading a just life? In a tank on Third Avenue?”

“The Lord works in strange ways,” Moe Silverman explained. “Take Phil Pinchuck. The man keeled over with an aneurysm, he’s now a hamster. All day, running at the stupid wheel. For years he was a Yale professor. My point is he’s gotten to like the wheel. He pedals and pedals, running nowhere, but he smiles.”

Moscowitz did not like his new condition at all. Why should a decent citizen like himself, a dentist, a mensch who deserved to relive life as a soaring eagle or ensconced in the lap of some sexy socialite getting his fur stroked, come back ignominiously as an entrée on a menu? It was his cruel fate to be delicious, to turn up as Today’s Special, along with a baked potato and dessert. This led to a discussion by the two lobsters of the mysteries of existence, of religion, and how capricious the universe was, when someone like Sol Drazin, a schlemiel they knew from the catering business, came back after a fatal stroke as a stud horse impregnating cute little thoroughbred fillies for high fees. Feeling sorry for himself and angry, Moscowitz swam about, unable to buy into Silverman’s Buddha-like resignation over the prospect of being served thermidor.

At that moment, who walked into the restaurant and sits down at a nearby table but Bernie Madoff. If Moscowitz had been bitter and agitated before, now he gasped as his tail started churning the water like an Evinrude.

“I don’t believe this,” he said, pressing his little black peepers to the glass walls. “That goniff who should be doing time, chopping rocks, making license plates, somehow slipped out of his apartment confinement and he’s treating himself to a shore dinner.”

“Clock the ice on his immortal beloved,” Moe observed, scanning Mrs. M.’s rings and bracelets.

Moscowitz fought back his acid reflux, a condition that had followed him from his former life. “He’s the reason I’m here,” he said, riled to a fever pitch.

“Tell me about it,” Moe Silverman said. “I played golf with the man in Florida, which incidentally he’ll move the ball with his foot if you’re not watching.”

“Each month I got a statement from him,” Moscowitz ranted. “I knew such numbers looked too good to be kosher, and when I joked to him how it sounded like a Ponzi scheme he choked on his kugel. I had to do the Heimlich maneuver. Finally, after all that high living, it comes out he was a fraud and my net worth was bupkes. P.S., I had a myocardial infarction that registered at the oceanography lab in Tokyo.”

“With me he played it coy,” Silverman said, instinctively frisking his carapace for a Xanax. “He told me at first he had no room for another investor. The more he put me off, the more I wanted in. I had him to dinner, and because he liked Rosalee’s blintzes he promised me the next opening would be mine. The day I found out he could handle my account I was so thrilled I cut my wife’s head out of our wedding photo and put his in. When I learned I was broke, I committed suicide by jumping off the roof of our golf club in Palm Beach. I had to wait half an hour to jump, I was twelfth in line.”

At this moment, the captain escorted Madoff to the lobster tank, where the unctuous sharpie analyzed the assorted saltwater candidates for potential succulence and pointed to Moscowitz and Silverman. An obliging smile played on the captain’s face as he summoned a waiter to extract the pair from the tank.

“This is the last straw!” Moscowitz cried, bracing himself for the consummate outrage. “To swindle me out of my life’s savings and then to nosh me in butter sauce! What kind of universe is this?”

Moscowitz and Silverman, their ire reaching cosmic dimensions, rocked the tank to and fro until it toppled off its table, smashing its glass walls and flooding the hexagonal-tile floor. Heads turned as the alarmed captain looked on in stunned disbelief. Bent on vengeance, the two lobsters scuttled swiftly after Madoff. They reached his table in an instant, and Silverman went for his ankle. Moscowitz, summoning the strength of a madman, leaped from the floor and with one giant pincer took firm hold of Madoff’s nose. Screaming with pain, the gray-haired con artist hopped from the chair as Silverman strangled his instep with both claws. Patrons could not believe their eyes as they recognized Madoff, and began to cheer the lobsters.

“This is for the widows and charities!” yelled Moscowitz. “Thanks to you, Hatikvah Hospital is now a skating rink!”

Madoff, unable to free himself from the two Atlantic denizens, bolted from the restaurant and fled yelping into traffic. When Moscowitz tightened his viselike grip on his septum and Silverman tore through his shoe, they persuaded the oily scammer to plead guilty and apologize for his monumental hustle.

By the end of the day, Madoff was in Lenox Hill Hospital, awash in welts and abrasions. The two renegade main courses, their rage slaked, had just enough strength left to flop away into the cold, deep waters of Sheepshead Bay, where, if I’m not mistaken, Moscowitz lives to this day with Yetta Belkin, whom he recognized from shopping at Fairway. In life she had always resembled a flounder, and after her fatal plane crash she came back as one.


Abafado do The New Yorker.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Os lucros da EDP, ou a crise quando nasce não é para todos.






Com um lucro antes de impostos de 1504 milhões de euros em 2008, mais 203 milhões do que em 2007, os accionistas da EDP têm razões para estar felizes, à custa, entre outros, dos utentes que pagam mais 16% pela electricidade, e 41% pelo gás, do que a média da União Europeia.

Mesmo que os portugueses pagassem a energia ao preço da média da UE, os lucros da EDP continuariam acima dos mil milhões de euros, mais exactamente 1280 milhões de euros, valor que em cinco anos seria suficiente para pagar qualquer coisa como o novo aeroporto de Alcochete, estimado em seis mil milhões de euros.


Com um negócio monopolista e a permissão de cobrar tarifas bem acima da média europeia, a EDP beneficia ainda de impostos mais reduzidos do que o comum das empresas. Enquanto o Sr. Antunes da mercearia da esquina paga 25% de IRC, a EDP vai pagar, calculem, 18,9%, o que sobre os tais 1 504 milhões dá um bónus de 92 milhões de euros. O leitor fará o favor de ver quantos totolotos é que isto dá.

Por isso da próxima vez que lhe vierem com o paleio de que a crise vem lá de fora, não se esqueça de quem anda também a fazer a crise cá dentro. Como se as crises, a lá de fora e a cá de dentro, não fossem o resultado da exploração desenfreada dos que tudo podem, até levar à exaustão aqueles a quem cabe, sempre coube, pagar as facturas, todas as facturas.
Até um dia!

Nota: Dados retirados dum estudo de Eugénio Rosa.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A propósito do Euro 2004, do Portugal Novo, e do que não podemos exigir à PSP.








Euro 2004 nas ruas e praças de Lisboa.



Na semana em que somos surpreendidos com o que o Fernando refere como, O Texas é cá, encontro aqui um artigo sobre o estudo Psychology, Public Policy and Law da University of Liverpool, dedicado à actuação da polícia portuguesa no Euro 2004.

Segundo o estudo, no Europeu de 2000 na Holanda e Bélgica, a polícia destacou para os jogos de alto risco uma média de 1 polícia para cada 2 fãs, no Euro 2004 a média foi de 1 para 14, tendo as detenções de adeptos ingleses em 2000 sido cerca de 150 vezes superiores, em média, às efectuadas em 2004 (1).

Este êxito da policia portuguesa teve a ver com a orientação de manter um perfil baixo e de não recorrer a tácticas agressivas, por exemplo não colocando polícias com equipamento anti-motim próximo dos adeptos. Sem retirar o mérito à PSP, terão também sido factores decisivos para este êxito, a proverbial hospitalidade dos portugueses e o clima de confraternização e festa criado à volta do Euro 2004.


Quando a PSP é chamada a intervir na Quinta da Fonte ou no Portugal Novo, estamos perante questões bem mais sérias e graves do que o hooliganismo de fãs violentos, estamos perante problemas sociais gritantes, que mais de trinta anos de democracia não resolveram, e que a presente crise tenderá a agravar.


Não venham pois, a comunicação social, os motoristas de táxis, os blogs, e até, pasme-se, o ex-ministro da Administração Interna Dr. António Costa, mais empenhado em defender o Eng. Sócrates da "campanha negra", do que em resolver o muito que está mal em Lisboa, exigir à PSP a resolução de problemas que, ao longo de décadas, Governos, Câmaras Municipais e outras autoridades avulsas, não só têm ignorado, como em resultado das suas políticas e intervenções têm vindo, de facto, a agravar.


(1) O incidente mais grave do Euro 2004 ocorreu em Albufeira, longe de qualquer estádio, e onde a intervenção coube à GNR que, na situação, recorreu a tácticas opostas às que a PSP utilizou nos jogos de risco.

domingo, 8 de março de 2009

Versão pós-moderna duma fábula de Esopo:
A multiplicação dos coelhos do BE e a desmultiplicação do Coelho do PS.










Nesta versão pós-moderna duma fábula de Esopo, ouvida ontem à noite no Bairro Alto, enquanto os coelhos do BE passam a vida no truca truca, e alegadamente a fumar uns charros nos intervalos, no PS temos um Coelho esforçado, que se desmultiplica pelos Conselhos de Administração da Mota Engil, Martifer, e sei lá eu que mais.

O que é que o Coelho do PS tem a ver com a concessão do terminal de contentores de Alcântara à Mota Engil, ou com a atribuição pelo Governo do euromilhões dos painéis solares que hão-de aquecer os lares dos portugueses, à Martifer e à Siemens, deixando as outras duas mil empresas de painéis na mais completa escuridão, é coisa que se o prezado leitor ainda não descobriu, também não espere que seja eu a contar-lhe.

Moral da estória: enquanto as duas notas de cem do Dr. Louça estão para ali meio sonsas, incapazes de dar uma queca, quanto mais de se reproduzirem, os milhões de eurós dos patrões do Eng. Coelho, sem crise ou com crise, não param de se multiplicar.

sábado, 7 de março de 2009

Slow Food













A Slow Food é uma associação internacional sem fins lucrativos, fundada em 1989 como resposta aos efeitos padronizantes do fast food; ao ritmo frenético da vida atual; ao desaparecimento das tradições culinárias regionais; ao decrescente interesse das pessoas na sua alimentação, na procedência e sabor dos alimentos e em como nossa escolha alimentar pode afetar o mundo.


Pode consultar aqui: Manual Slow Food, Manifesto, Folheto e Apresentação do Slow Food.

sexta-feira, 6 de março de 2009

São fans do Harry Potter, mas depois dizem que lêem o 1984.














Mais cedo ou mais tarde vai sempre aparecer um estudo ou uma sondagem a confirmar aquilo que o prezado leitor já desconfiava há muito tempo. Hoje cabe a vez ao Publico de nos dar conta dum inquérito, daqueles que se fazem nos sites da Internet, no caso o World Book Day, em que cerca de dois terços dos respondentes confessam que já se gabaram de ter lido livros que nunca leram.


O livro que mais pessoas, 42% do total, referiram como tendo lido, sem que tal tenha acontecido, é o 1984 de George Orwell, o que me deixa a mim próprio em dúvida sobre se alguma vez li de facto aquele livro. Aliás Orwell, socialista e combatente na Guerra Civil de Espanha nas milícias do Partido Operário de Unificação Marxista, é provavelmente também o autor mais citado por quem nunca o leu e, nessa função de fornecedor de citações, uma espécie de guru da direita iluminada.


Voltando aos números do inquérito, embora sem informação sobre o universo da amostra, podem tentar adivinhar se vos disser que à pergunta de quais os autores que realmente apreciam, no topo das preferências dos 1342 inquiridos estão JK Rowling, 61%, e John Grisham, 32%.


É pena não haver também uma pergunta sobre quem leu livros que não foram escritos, o que até podia ser um conforto para o esforçado candidato a líder, que talvez assim pudesse refoçar a prova que, até nesta coisa de leituras, está bem no meio daquela mediania que todos lhe reconhecemos.

Mas um numerozinho do resultado que até se poderá aceitar lá por Inglaterra, mas não bate certo por estas bandas, é 48% admitirem que lêem os livros que compram para oferecer, antes de os fazerem chegar aos felizes destinatários. Vá lá... ouvir um CD ou ver um DVD que vamos oferecer, tudo bem, agora ter a trabalheira de ler um livro, desculpem mas não é connosco.

E se alguém se lembrar de por cá fazer um Inquérito sobre estas coisas, não se esqueça de perguntar quem é que já leu aqueles livros que nos ofereceram pelo Natal, no aniversário, ou nos muito publicitados dias dos namorados, mães, pais, crianças e avós; ou ainda quem é que dispõe mesmo do seu precioso tempo, a ler a maioria dos livros encalhados lá por casa.

Nota: Dados dum artigo do Guardian, bem mais interessante do que o do Público.

quarta-feira, 4 de março de 2009

O Correio da Manha, Pinto da Costa e Carolina Salgado: vamos lá fingir que aconteceu para ajudar a vender mais uns jornais.















Não, Pinto da Costa não se está a rir de Carolina Salgado ter sido insultada e agredida à porta do tribunal, mas doutra coisa qualquer, sabe-se lá onde, sabe-se lá quando, só que o alegado jornalista deve ter achado que Pinto da Costa apesar de nem sequer ali estar, podia ter estado, e se não riu, poderia ter rido, e vai daí sai uma fotomontagem para a primeira página do alegado jornal, que isto os tempos estão difíceis e a concorrência é feroz, e se o estimado leitor se esforçar o suficiente consegue ver lá uma letrinhas pequenas a desdizer baixinho, o que a imagem apregoa bem alto a quem quer que olhe para a alegada notícia.

terça-feira, 3 de março de 2009

O tigre branco, de Aravind Adiga, ou a globalização vista do lado de lá.
















Distinguido com o Man Booker Prize de 2008, o livro de Aravind Adiga, uma longa carta dirigida ao primeiro ministro chinês Wen Jiabao de visita a Bangalore(1), dá-nos, com humor negro e sarcasmo, uma visão realista e deprimente da Índia dos nossos dias, através dos olhos dum jovem nascido numa pequena vila do Norte da Índia, da sua peregrinação desde a patética escola de aldeia, pela casa de chá para onde vai trabalhar aos oito anos, como motorista duma família rica na capital Nova Delhi, e na altura em que a carta é escrita, já empresário de sucesso, dono duma empresa de táxis em Bangalore, capital high tech da Índia e grande fornecedora de serviços de call center aos EUA.
Enquanto não temos tradução, um pequeno extracto no original da carta de Balram Halwai, o tigre branco, a Sua Excelência Wen Jiabao:


To begin with, let me tell you of my great admiration for the ancient nation of China. I read about your history in a book, Exciting Tales of the Exotic East, that I found on the pavement, back in the days when I was trying to get some enlightenment by going through the Sunday secondhand book market in Old Delhi. This book was mostly about pirates and gold in Hong Kong, but it did have some useful background information too: it said that Chinese are great lovers of freedom and individual liberty. The British tried to make you their servants, but you never let them do it. I admire that, Mr. Premier.
I was a servant once, you see.

Only three nations have never let themselves be ruled by foreigners: China Afghanistan and Abyssinia. These are the only three nations I admire.
Out of respect for the love of liberty shown by the Chinese people, and also in the belief that the future of the world lies with the yellow man and the brown man now that our erstwhile master, the white-skinned man, has wasted himself through buggery, mobile phone usage, and drug abuse, I offer to tell you, free of charge, the truth about Bangalore.
By telling you my life story.

Apparently, sir, you Chinese are far ahead of us in every respect, except that you don´t have entrepreneurs. And our nation, though it has no drinking water, electricity, sewage system, public transportation, sense of hygiene, discipline, courtesy, or punctuality, does have entrepreneurs. Thousands and thousands of them. Especially in the field of technology. And these entrepreneurs – we entrepreneurs – have set all these outsourcing companies that virtually run America now.

(1) Wen Jiabao visitou de facto Bangalore em Abril de 2005.

Nota
O Bibliotecário de Babel informa-nos que uma tradução do Tigre Branco, da Presença, chegará às livrarias em Março.